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doxa

quinta-feira 25 de janeiro de 2024

  

dóxa (he) / doxa?: opinião. Latim: opinio.

A opinião é um conhecimento? relativo?, tanto em termos de objeto?, que está submetido ao devir? e à ilusão, quanto em termos de sujeito?, que não tem certeza? integral sobre ela. Opõe-se a ciência (epistéme). v. essa palavra?.

Em Platão  , a palavra dóxa tem dois sentidos diferentes; o primeiro é original, o segundo é clássico. É em Mênon (97b-100b) que se encontra o primeiro sentido?: a opinião é o primeiro grau da virtude?, o grau do homem comum, do não-filósofo, que ainda não conquistou a virtude contemplativa do sábio; ela é então uma adivinhação espontânea do bem? que deve ser? feito no mundo? sensível. Em sua natureza?, é um delírio (mania?), ou seja, uma emoção. Em sua origem?, é um favor divino? (theia moira?). Portanto, não precisa ser ensinada, ao contrário da doutrina socrática cujas repercussões se encontram no Protágoras   (357d):"Não é dom da natureza nem fruto do ensino" (Mênon, 99e).

Para respeitar o sentido clássico, no qual a opinião é um conhecimento incerto, Platão vê-se obrigado a distinguir duas espécies de opinião: a opinião justa (orthè dóxa / orthe doxa) (Mênon, 98b; Banquete  , 202a) ou também a opinião verdadeira (alethès dóxa / alethes doxa) (Mênon, 98c; Teeteto  , 187b) e a opinião falsa (pseudès dóxa / pseudes doxa) (Teeteto?, 187b). Ora, "no que se refere à ação, a opinião justa não é pior nem menos útil do que a ciência, e o homem que a possui vale o mesmo que o sapiente" (Mênon, 98c).

Esse sentido clássico de dóxa aparece com Parmênides  , mesmo assim de maneira fugaz (I, 30). Portanto, foi Platão que o usou primeiro de maneira sistemática. Na República   (V, 477d-479d), ele a vê como conhecimento mediano, entre a ignorância (agnosía) e a ciência. Dá a essas formas de conhecer? um objeto ontológico: a ciência tem como objeto o Ser; a ignorância, o não-ser; a opinião, todo o campo? intermediário, ou seja, a aparência (tò doxázein, verbo? substantivado) que é um não-ser relativo.

Só incidentemente Aristóteles   se refere à dóxa. Em Ética nicomaqueia (VI, IX, 3), ele a opõe à deliberação; no Tratado da alma? (III, 3), ele a denomina, sem definir, opinião verdadeira. Em Política (III, IV, 11), ele faz da opinião verdadeira a virtude do governante, enquanto a virtude do homem privado é a phrónesis. Por outro lado, ela ganha grande importância para os estoicos: a dóxa (ou também o dogma) é um falso juízo sobre a realidade?, que provoca a paixão, ou seja, uma atitude irracional: medo, tristeza, perturbação. "A morte? não é um mal?; mal é a opinião que temos de que a morte é um mal" (Epicteto  , Manual,V). A opinião, portanto, é uma mentira, e o único método para escapar às paixões é a sua eliminação (a dóxa e dogma Marco Aurélio   prefere hypólepsis). Para Epicuro  , assim como para Platão, a opinião pode ser verdadeira ou falsa; é esta última a fonte? do erro?, e não a sensação, que não nos engana jamais (DL., X, 34, 50). Por sua vez, Plotino   só emprega a palavra dóxa ocasionalmente, no sentido de ideia? difundida (II, I, 2; VI, I, 1). [Gobry  ]