É comum esquivar esse juízo de Hegel, objetando que, desde a época em que ele escrevia o seu elogio fúnebre, a arte produziu inumeráveis obras-primas e assistimos ao nascimento de outros tantos movimentos estéticos ; e que, por outro lado, a sua afirmação era ditada pelo propósito de deixar à filosofia a preeminência dentre as outras formas do Espírito absoluto ; mas quem quer que tenha lido as Lições de estética sabe que Hegel não tinha jamais pretendido negar a possibilidade de um ulterior desenvolvimento da arte e que ele considerava a filosofia e a arte de um ponto de vista elevado demais para se deixar guiar por uma motivação tão pouco “filosófica”. Ao contrário, o fato de que um pensador como Heidegger, cuja meditação sobre o problema das relações entre a arte e a filosofia, que “moram vizinhas nas montanhas mais separadas”, representa, talvez, o terceiro e decisivo evento na história da διαφορὰ, tenha partido das lições hegelianas para voltar a se perguntar “se a arte é ainda ou não é mais o modo necessário e essencial do advento da verdade que decide do nosso ser-aí histórico”1], deveria nos induzir a não tomar de modo superficial a palavra de Hegel sobre o destino da arte. (AgambenH)