Vocativo e invocação

(Eugen Rosenstock-Huessy, Huessy2002)

Julieta faz o mesmo quando chama o nome de Romeu. Mas Shakespeare, o onisciente (e é por ele mesmo que o sei), acrescenta a lúcida interpretação de Romeu: “É minha alma que chama meu nome.” O vocativo e a invocação não tiveram na linguística a parte que lhes cabe. Se a tivessem tido, as primeiras linhas da Iliada e da Odisseia incutiriam maior respeito aos que negam sua unidade. Se a invocação tivesse sido apreciada como a invocação que o falante faz de sua morada intelectual, ter-se-ia entendido que “ira” e “homem” são os temas onde se acomoda o poeta ao invocar a Musa, e que nenhum pensamento posterior poderia evocar tão perfeitamente numa só palavra a taça temporal de expectativa e cumprimento.

 

 

 

 

 

 

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