G. Leibniz, Monadologia, 38, 43, 84, 90.
E é assim que a razão última das coisas deve estar numa substância necessária, na qual o pormenor das alterações só seja eminentemente como na sua origem; eis aquilo que denominamos Deus. [···] Deus não é só a origem das existências, mas também a das essências, enquanto reais, ou do que há de real na possibilidade. Eis porque o entendimento de Deus é a região das verdades eternas. […] Eis o que faz com que os espíritos sejam capazes de uma espécie de sociedade com Deus, e que ele seja, não só o que um inventor é para a sua máquina, mas também o que um príncipe é para os seus súbditos, e até um pai para os seus filhos. [···] Enfim, sob tal governo perfeito não haveria boa acção sem recompensa, má sem castigo; e tudo deve convergir para o bem dos bons, isto é, daqueles que amam e imitam como é devido ao autor de todo bem […] se estivermos ligados, como é devido, ao autor do todo, não só como ao arquitecto e à causa eficiente do nosso ser, mas também como a nosso Senhor e à causa final que deve ser o único objectivo da nossa vontade e é a única a poder realizar a nossa felicidade.