(Theodor W. Adorno and Max Horkheimer, Dialektik der Aufklärung:77)
Cada uma das figuras míticas está programada para sempre fazer a mesma coisa. Cada uma é uma figura da repetição e chegaria ao fim se a repetição não ocorresse. Todas carregam traços de algo que, segundo os mitos punitivos do submundo — os de Tântalo, de Sísifo, das Danaides —, está fundamentado na justiça olímpica. São figuras da compulsão: os crimes horríveis que cometem são a maldição lançada sobre elas. A inevitabilidade mítica é definida pela equivalência entre a maldição, o crime que a expia e a culpa que dele surge — uma culpa que, por sua vez, reproduz a maldição. Toda justiça na história, até agora, carregou a marca desse modelo. No mito, cada momento do ciclo anula o anterior e, assim, ajuda a estabelecer o contexto da culpa como lei.