(Eugen Rosenstock-Huessy, Huessy2002)
Se pergunto “por que os indivíduos formam uma sociedade?” nunca obterei resposta. É que comunidade alguma, em lugar algum, jamais acreditou na verdade de que os indivíduos formam uma sociedade. É verdade que alguns indivíduos formados por uma sociedade com alto grau de liberdade, instruídos nos costumes de tal sociedade livre, já fizeram essa pergunta. Isso não muda nada: trata-se de pergunta insípida. A própria língua em que se fez a pergunta não existe senão porque tais indivíduos sacrificaram no ritual da linguagem sua separação da sociedade; com a renúncia da natureza individual, eles criam uma segunda natureza, comum a todos. Os indivíduos deixam de ser indivíduos a partir do momento em que falam. O agudo analista que pergunta “por que fizeram isso?” incorre em petição de princípio.