(Eugen Rosenstock-Huessy, Huessy1938)
Nenhuma das múltiplas divindades que exigem nossa gratidão, pensamento e serviço pode escravizar todos os elementos do nosso ser. Pode haver momentos em que precisamos adorá-las. Contudo, ao analisarmos toda nossa vida, do nascimento à morte, não podemos atribuí-la inteira a uma única dessas muitas divindades e poderes. Nenhuma delas é suprema. Algumas entram em cena bem tarde. A ciência é um deus severo demais para as crianças. Vênus abdica de sua autoridade sobre a velhice. O socialismo incomoda o homem de sessenta anos, e a ganância é quase inconcebível para uma pessoa jovem. Os deuses passam. Quando o indivíduo percebe sua passagem, sua mudança incessante, ele se converte a Deus — o Deus vivo que nos convida a obedecer ao unum necessarium, a única coisa necessária e oportuna a cada momento. Esse homem descobre sua liberdade completa, a liberdade inacreditável dos filhos de Deus, que são independentes de códigos específicos e credos tradicionais, pois o Deus do nosso futuro e do nosso início é superior aos deuses que Ele colocou ao nosso redor durante os breves períodos de nossos esforços conscientes.