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nossa tradução
Ethos, a palavra grega, da qual deriva a expressão “ética”, é muito difícil de traduzir. Em geral, é vertida corretamente como “natureza” – refere-se à maneira como és, à maneira como és feito. O conceito mais recente de ‘caráter’ se aproxima muito, e o provérbio grego δαίμων – o ethos é o daemon, ou podemos chamá-lo de destino, do homem – aponta na mesma direção. Em outras palavras, reduzir o problema da moralidade à ética é realizar uma espécie de truque de conjuração por meio do qual o problema decisivo da filosofia moral, a saber, a relação do indivíduo com o geral, desaparece. O que está implícito em tudo isso é a ideia de que se eu viver de acordo com meu próprio ethos, minha própria natureza ou se, para usar a frase fina de nosso tempo, eu realizar mim mesmo, então isso será suficiente para provocar a boa vida. E isso não passa de pura ilusão e ideologia. Além disto, uma ideologia que anda de mãos dadas com uma segunda ideologia, a saber, a ilusão de que cultura e a adaptação do indivíduo à cultura provocam o refinamento e cultivação de si mesmo do indivíduo, quando todavia a cultura se opõe à filosofia moral e é realmente aberta ao criticismo desde este quadrante. Por todas estas razões, acredito que é melhor reter o conceito de moralidade, embora criticamente, do que suavizar e obscurecer sua natureza problemática de partida, substituindo-o pelo conceito sentimental de ética.