(Eugen Rosenstock-Huessy, Huessy2002)
[…] A economia não se tornou ciência senão quando começou a estudar as crises em que se destruía a ordem da economia. A eterna “origem” da economia, sua perpétua explosão como eficiente divisão de trabalho, toma-se compreensível quando voltamos a atenção para a desordem gerada pela ausência de uma eficiente divisão do trabalho.A medicina não se torna ciência senão quando penetra os mistérios das doenças. A sociologia não se torna científica senão quando pode explicar guerras e revoluções. A ausência da devida ordem, ou seja, a presença do indevido, é que serve para explicar a “origem” da ordem devida. Quando descobrimos por que determinado estado de coisas é negativo e ruim, começamos a entender a origem do bom. A biologia será a ciência da vida no exato dia em que a morte for inteiramente compreendida. No mesmo sentido, teremos uma ciência da fala ou da linguagem assim que penetrarmos o inferno da não-linguagem.