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O TEMA DO HOMEM

Mariás (TH) – Espinosa

JULIÁN MARIÁS

samedi 11 septembre 2021

(Excertos de Julian Marías, "O Tema do Homem")

Baruch de Spinoza?, o judeu holandês de Amsterdam, de origem? espanhola, nasceu em 1632 e morreu, depois de uma vida? breve e obscura, dedicada ao polimento de cristais óticos e à meditação? filosófica, em 1677.

Spinoza é um? cartesiano, chegando mesmo a escrever uma versão em forma? geométrica dos Princípios? de Descartes? ; há porém nele outros elementos?, procedentes de sua formação? pessoal, que alteram profundamente esse? cartesianismo?. Por um lado, tem raízes judaicas, que se prendem a Maimônides? e à Cabala? medieval ; conhece também os escolásticos, e entre eles — mais ou menos diretamente — Suarez? ; tem grande familiaridade com os filósofos e físicos renascentistas, e, sobretudo, na base de sua metafísica? — especialmente de sua ética? — encontra-se uma profunda influência estoica.

Em mãos? de Spinoza, a definição? cartesiana de substância? como realidade? independente? se extrema, ao ponto? de que só pode haver uma só substância, que se identifica com a natureza? e, ao mesmo tempo?, com Deus?. Daí seu panteísmo?, que condiciona toda sua filosofia?. E deste ponto de partida, Spinoza tenta interpretar, de um modo? estritamente racionalista e mecanicista, a realidade inteira, que se apresenta reduzida ao ser? dos atributos ou modos da substância divina. Para isto escreve sua Ethica ordine geométrico demonstrata, em um estilo? que reproduz o dos livros matemáticos, o que me obrigou quase sempre a tomar apenas os enunciados das proposições nesta seleção?, prescindindo da demonstração? de cada uma, visto encerrar referências a outras proposições não? incluídas. ¦

A antropologia? de Spinoza recebe de seu panteísmo e de sua influência estoica um cunho característico?. A referência? a Deus, que aparece ao longo da história? da filosofia, em Spinoza se converte em algo mais : o ser do homem? é interpretado por ele não mais em relação? com Deus, mas em Deus mesmo, como um modo de ser de Deus. E, por outro? lado, como esse Deus é natural?, uma parte? da natureza. A dimensão? de erro? radical da posição? spinoziana serve para tornar manifesto o verdadeiro? sentido? da questão?. Finalmente, a interpretação? do ser do homem como anseio consciente? de perseverar em seu ser, que abre caminho à metafísica leibniziana, constitui talvez a descoberta? mais profunda e feliz de Spinoza.