buber:martin-buber
Martin Buber
KNHB
Martin Buber e a Dialética do Sucesso e do Fracasso: Uma Contextualização Crítica
- Publicação seminal de Eu e Tu (1923) como obra filha de seu tempo, em diálogo implícito com produções intelectuais coetâneas.
- Obra considerada por Buber como sua mais importante e simultaneamente sua mais amplamente lida e influente.
- Necessidade paradoxal de compreensão da obra dentro do contexto total do pensamento de Buber, sem a qual permanece parcialmente incompreendida.
- Avaliação crítica do livro como sucesso em um sentido e fracasso em outro, problematizando as noções ordinárias de sucesso e fracasso.
- A multimensionalidade de Buber como característica distintiva e anomalia no cenário intelectual do século XX.
- Contraste com a especialização crescente no campo do pensamento, particularmente acentuada após a Segunda Guerra Mundial.
- Impossibilidade de comparação direta com escritores religiosos contemporâneos de qualquer tradição.
- Diferenciação em relação aos filósofos canônicos (Kant, Hegel, Heidegger, Schopenhauer, Nietzsche, Kierkegaard), cuja identidade primária permanece filosófica ou religiosa de modo mais unívoco.
- Estruturação do corpus buberiano em três volumes principais, delineando seus quatro campos centrais de atuação.
- Volume I: Escritos filosóficos.
- Volume II: Escritos sobre a Bíblia.
- Volume III: Escritos sobre o Hassidismo, movimento místico judaico do Leste Europeu.
- Publicação paralela de ensaios sobre “O Judeu e seu Judaísmo”, consolidando sua posição como intelectual e sionista proeminente.
- Expansão da classificação para sete empreendimentos centrais, adicionando três dimensões significativas.
- Tradução integral da Bíblia Hebraica (Antigo Testamento), concluída proximamente ao fim de sua vida.
- Compilação e narração dos contos dos Hassidim, obra considerada por alguns como sua obra-prima, ainda que controversa.
- Domínio da discussão dialógica em contextos informais, adicionando uma dimensão viva e performativa ao seu trabalho escrito.
- Natureza controversa de Buber em todos os seus sete empreendimentos, suscitando a questão do fracasso potencial em cada um deles.
- Questionamento filosófico sobre se o fracasso constitui uma objeção e se o sucesso frequente não é comprometedor.
- Distinção entre a orientação estética (kierkegaardiana), que busca apreciação desobrigada, e o objetivo buberiano de fazer uma diferença duradoura.
- Definição dos fracassos que realmente importam, diferenciando-os de meros erros ou insucessos em exames.
- Os fracassos mais devastadores como aqueles relacionados a metas auto-estabelecidas de excepcional ambição.
- A natureza quase impossível do sucesso quando os objetivos são singularmente elevados, situação agravada pela multiplicidade de empreendimentos.
- Citação de Goethe (Fausto) como chave hermenêutica: “Amo aquele que deseja o impossível”.
- A relação crítica como expressão de engajamento intelectual profundo e, paradoxalmente, de amor e gratidão.
- Reconhecimento de que a dicotomia Eu-Tu / Eu-Isso (I-You / I-It) não foi descoberta por Buber, mas por ele transformada em questão inesquecível.
- Valor permanente da reflexão diária sobre essa dicotomia, mesmo quando se percebe suas possíveis insuficiências.
- Avaliação final do legado: Buber não resolveu o problema, mas o abriu para discussão frutífera, avançando a descoberta da mente (the discovery of the mind).
buber/martin-buber.txt · Last modified: by mccastro
