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Cavell

Stanley Cavell (1926-2018)

Martin Warner

Cavell se ocupa centralmente da dificuldade de apreender corretamente o óbvio, associando o apelo de Emerson ao “comum”, o de Austin à linguagem “ordinária” e o de Wittgenstein aos critérios.

  • O autoconhecimento envolvido em tomar consciência dos critérios que governam o uso das palavras tem relações não triviais com a psicanálise.
  • Esse autoconhecimento permite apreender as relações com os demais usuários da linguagem e com o mundo de que se fala — relações mais bem pensadas não em termos de conhecimento, mas de simpatia, indiferença, evitação e reconhecimento.
  • As análises fenomenológicas de Heidegger são relevantes aqui.

A escrita filosófica deve ser ela própria transformadora, com um rigor que compartilha a aspiração kantiana — e “modernista” — a uma “voz universal” fundada na integridade da visão.

O ceticismo filosófico representa uma forma da aspiração humana a transcender a finitude, aspiração mapeada pelo Romantismo — e cuja derrota, como Shakespeare mostra, pode conduzir à tragédia.

O cinema como meio mimifica o predicamento cético, com vários de seus gêneros engajando-se com as possibilidades do reconhecimento humano.

Seja na epistemologia, na arte, na moral ou na política, os critérios não conferem certeza impessoal — o julgamento é necessário e pode muito propriamente estar a serviço de ideais reguladores de autotranscendência.

  • O “perfeccionismo” emersoniano é um desses ideais — que derrota todo apelo a regras estabelecidas ou autojustificadoras.

Até recentemente, a influência de Cavell foi maior nas disciplinas afins com as quais se engajou do que na filosofia propriamente dita.

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