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hipótese

domingo 17 de outubro de 2021

O método? experimental? apoia-se sucessivamente sobre o sentimento?, a razão? e a experiência?.

O sentimento engendra a ideia? ou a hipótese? experimental, quer dizer, a interpretação? antecipada dos fenômenos da natureza?. Toda a iniciativa experimental reside na ideia, porque é ela que provoca a experiência. A razão ou o raciocínio? apenas servem para deduzir? as consequências de tal ideia e submetê-las à experiência.

Uma ideia antecipada ou uma hipótese é, portanto, o ponto? de partida necessário? a todo o raciocínio experimental. Sem isso não poderíamos realizar nenhuma investigação? nem instruir-nos; apenas nos poderíamos limitar a acumular observações? estéreis. Se experimentássemos sem uma ideia preconcebida, caminharíamos à aventura; mas, por outro lado, tal como já dissemos algures, se observássemos com ideias? preconcebidas, realizaríamos observações deficientes e estaríamos expostos a confundir as concepções? do espírito? com a realidade?. [...]

Todo o conhecimento? humano? se limita a passar dos efeitos observados à sua causa. Após uma observação, apresenta-se ao espírito uma ideia relativa à causa do fenômeno? observado; depois introduz-se esta ideia antecipada em um raciocínio, em virtude? do qual se realizam experiências para a controlar.

As ideias experimentais, como veremos mais tarde, podem surgir ou a propósito? de um fato? observado por acaso?, ou após uma tentativa experimental, ou ainda como corolários de uma teoria? admitida. O que, por agora?, convém notar? é que a ideia experimental não é nem arbitrária nem puramente imaginária?; deve possuir? um ponto de apoio na realidade observada, quer dizer, na natureza. A hipótese experimental, afinal, deve sempre fundamentar-se em uma observação anterior. Uma outra condição? essencial? da hipótese é que seja tão provável? quanto possível? e que seja verificável experimentalmente. Com efeito?, se construíssemos uma hipótese que a experiência não pudesse verificar, sairíamos do método experimental, para cairmos nos defeitos dos escolásticos e dos sistemáticos.

Não há regras a propor para fazer? nascer no cérebro, a propósito de uma dada observação, uma ideia justa e fecunda que seja, para o experimentador, uma espécie? de antecipação? intuitiva? do espírito em relação? a uma pesquisa? feliz?. Uma vez? emitida a ideia, pode-se, simplesmente, dizer como é preciso submetê-la a preceitos definidos e a regras precisas de que nenhum experimentador se deve afastar; mas a sua aparição foi perfeitamente espontânea? e a sua natureza completamente individual?. É um sentimento particular?, um quid? proprium que constitui a originalidade?, a invenção? ou o gênio? de cada um. Uma ideia nova aparece como uma nova ou inesperada relação entre as coisas?, concebida pelo espírito. [...]

A ideia experimental resulta de uma espécie de pressentimento do espírito que julga que as coisas se devem passar de uma certa maneira. Pode dizer-se, em relação a isso, que possuímos no espírito a intuição ou o sentimento das leis? da natureza, mas não lhes conhecemos a forma?. Só a experiência no-la pode ensinar. [Claude Bernard, Introdução à Medicina Experimental, trad. de Maria José Marinho, pp. 59-60 e 62.]

LÉXICO: hipótese