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época

domingo 17 de outubro de 2021

Elegi esta fórmula breve [‘presença do presente’] no intento de expressar a ideia de que o presente, qualquer presente que se fixe ao longo do eixo cronológico, para trás ou para diante deste em que nos encontramos, não deve ser considerado como um ponto. Um ponto não tem dimensões; mas a presença do presente — se persistimos na imagem da reta axial do tempo histórico — é um segmento mais ou menos extenso e, por isso, dimensionável. Só que não queremos deixar no indefinido e no indeterminado a sua dimensão linear: a presença do presente estende-se da «antiguidade» à «atualidade» (ou o inverso). Substituímos, portanto, a oposição mais abstrata, que se dá em presente e passado, por outra, mais concreta: a de atual e antigo, dentro de cada época, e entendendo «época» como «presença de um presente». Dentro de uma época, a atualidade que a individualiza e caracteriza atrai a si, por força retroativa, a sua própria antiguidade. Para cada atualidade epocal há uma certa antiguidade, que é atualidade mais ou menos distante; como, para cada antiguidade epocal há uma certa atualidade, que é antiguidade mais ou menos instante. De modo que também posso dizer que, em cada época histórica (presença do presente que lhe é próprio), a sua mais remota antiguidade é feita de atualidade posta à distância maior do que todas as distâncias. A História está condicionada a percorrer o espaço (ou o tempo) que medeia entre uma antiguidade e uma atualidade conexas, porque situadas, ambas, nos extremos do segmento representativo de uma forma específica da presença do presente. Portanto, digamos que não há atualidade que se refira a uma [340] antiguidade absoluta, isto é, dela separada ou separável. Qualquer atualidade tem sua própria antiguidade; diríamos até que só tem a antiguidade que merece. [EudoroMito:340-341]


LÉXICO: época