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Karl Renz : liberação (moksha)

dimanche 23 février 2020

Q : Não parece certo estar empacado onde se está, mas não parece certo interferir.

K : Nada é certo. Preocupe-se, mas só se preocupe. Nada é certo. O que fizeres é errado. Está bem como é ! É falso, falso, falso. Estar empacado onde se está é falso, não estar empacado onde se está é falso. Interferir é falso, não interferir é falso. O que fizeres é falso. Nada te entrega o que estais atrás. Então é uma total falha.

Q : Imagino o que seria daqui há 10 anos ainda sem compreender isto.

K : Mas quem conta os minutos, os anos ? Se esperasse que as pessoas entendessem, ou algum resultado, estaria ferrado. Seria a pessoa mais frustrada na Terra. Mas como ninguém pode obter isto, estou aliviado.

Q : Ainda há atração por estar aqui.

K : Mas não é porque se ganha algo, pois ninguém quer te dar nada. Podes apenas estar aí. Não tens que trazer algo, não tens que levar algo contigo. Não tens dever de casa, ou algo assim. Podes estar de "férias da escola" para sempre.

Não tens que provar algo, não tens que aprender algo, não tens que se apresentar como tendo entendido algo, podes ser tão estúpido quanto és. É bastante relaxante !

Nada é o que é o ócio ele mesmo, teu estado natural. Ser-Isso que nunca necessita conhecer, nunca necessita não conhecer, nunca tem que fazer ou não fazer algo. Ser-Isso que nem necessita ser-si-mesmo para ser-o-que-é. Há uma satisfação que não podes nem dizer o que é. E não podes nem mostrá-la para alguém. Não é como se possuísses algo, algum entendimento, ou alguma coisa especial, que pudesses ir vender em algum lugar. Pois Isso não está à venda. Isso não tem fedor, nem cheiro algum, não podes dizer o que é ou não é. Mas, por outros lado, o que quer que aprendas em seminários tentas vender para teus amigos. Tomas como algo grande e queres provar que fizestes algo, que valeu pagar por isto. Muitos problemas advêm daqueles que dizem que pagaram por algo a que atenderam, e se perguntam mas não sei bem por quê. Não me importa ! Como disse esta manhã é um exercício de total impotência [helplessness]. E esta impotência que queres evitar é exatamente Isso-que-és. Isto é uma piada : a satisfação é impotência. Ti-mesmo é impotência. É a natureza? de Deus, a natureza da existência, total impotência. O Todo-poderoso não tem poder. Não pode mudar nada. Isso é o que é vida. Ser-Isso que não tem segundo. Que não pode nem controlar a si mesmo. Este paradoxo, ser o Todo-poderoso, o Todo-sonhador, mesmo assim não podes mudar a mínima coisa em seu sonho desgraçado. Mas isto é paz, esta paz de ser-Isso é satisfação ela mesma. E a satisfação é que não precisas ser satisfeito. Este conhecimento? que não precisas de qualquer conhecimento para ser-Isso-que-és. Esta qualidade da vida que não é dependente de nenhum conceito, ou do que deve estar aí ou não, não necessita de qualquer presença ou ausência ausência
Abwesenheit
Abwesung
absence
ausência
apousia
ἀποὐσία
do que quer que seja que imagines. Conduzindo ou não conduzindo, Isso não se preocupa se tem alguém aí conduzindo ou não conduzindo, ou encontra-se empacado ou não. És empacado e não empacado em Isso-que-és. Isso é moksha, ser liberdade é não necessitar liberdade. O que necessita de liberdade, é uma liberdade fantasma. Só posso apontar para isto e falar com Isso. Não temas, não há nada a temer em estar empacado ou não. Quem está temendo estar empacado, congelado, etc ? Isso-que-és está bem, empacado ou não empacado.


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