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Renz (F) – do momento que há mundo, há dor

sexta-feira 9 de setembro de 2022

    

Do momento que há mundo, há dor  . Nada de novo. Quando há mundo, há você, quando há você, há dor  . Desconforto. Qual o problema? E não há saída disto! Tentar não ter esta melancolia [Weltschmerz], tentar unificar e ver o mundo como uma ilusão   e evanescente, já estás neste negócio de trabalho   duro  , trabalhando por algo. Não funciona! Talvez por meditação   por certo tempo não haja mundo, ou por compreensão, mas isto volta até mais intensamente. Nada funciona! Deves ser-o-que-és apesar da presença   ou da ausência de melancolia. Esta decepção é a presença de eu e de mundo. Apenas separação  , a experiência de separação, de que existes como decepção. O que fazer? Toda experiência é schmerz. Não há exceção. Toda! Mesmo com-ciência   [awareness] é dor, comparado com o-que-se-é  . É incrível?! O conforto que é o-que-se-é nunca será experienciado. Assim comparado com Isso-que-é a absoluta ausência de qualquer presença de alguma experiência, que é conforto ele mesmo, qualquer momento de glória   é dor. Dor, dor, dor. E gosto disso, há diferenças de dor, diferenças de desconforto, mas conforto não pode ser alcançado por nada. Não há nunca menos desconforto. Mesmo glória e êxtase é dor. Se tudo é dor, quem se importa? Se mais ou menos dor?

Q: Por que é assim?

K: Porque tudo é parte da realização  , dependendo da existência, a dor mais sutil  , é o início de todo o resto de dor.

Q: Por que?

K: É modo como te realizas a ti mesmo. Não há um «porquê». Por que não?

Q: Mas quando se é absorvido pela beleza?

K: Ainda pior  , pois o momento seguinte a dor é mais intensa. É uma preparação para a dor. E a preparação para dor ainda é dor. E queres permanecer nesta ausência [da beleza] então te fazes mais dependente, e isto já é dor. O que quer que expresses já dor, comparado com Isso-que-se-é. [...] Comparado com Isso-que-se-é, Parabrahma, não se conhecendo a si mesmo  , na absoluta ausência, isso é o que podes chamar conforto, sem início e sem fim. E não dependendo de qualquer presença, ou qualquer momento especial no tempo, fundindo na beleza ou no que quer que seja, pois todos estes chamados momentos sem dor, são apenas o oposto da dor, ambos se pertencem um ao outro, é como bom e mau.


Ver online : KARL RENZ