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Nisargadatta (Eu Sou:94) – oceano de dor

sexta-feira 9 de setembro de 2022

    

Luiz Jorge Saliba

P: O que você diz lembra-me o dharmakaya de Buda  .

M: Pode ser. Não precisamos afastar-nos pela terminologia. Simplesmente, veja a pessoa   que você imagina ser como uma parte do mundo que você percebe dentro da sua mente  , e olhe a mente   pelo lado de fora, porque você não é a mente. Depois de tudo, seu único problema é a sua ânsia em se auto identificar com o que quer que você perceba. Desista desse hábito  , lembre-se que você não é o que você percebe, utilize o seu poder de desapegada vigilância  . Veja-se em tudo quanto vive e seu comportamento   expressará sua visão  . Uma vez que compreenda que não há nada neste mundo que você possa chamar de seu, você olhará para ele pelo lado de fora, como você olha uma peça em um palco, ou uma imagem numa tela, admirando e apreciando, mas realmente imperturbável. Enquanto você se imaginar como algo tangível e sólido, uma coisa entre outras coisas, existindo no tempo e no espaço, limitado e vulnerável, naturalmente você estará ansioso para sobreviver e crescer. Mas, quando você se conhecer como além do tempo e do espaço, em contato com eles apenas no ponto do aqui e do agora, além disso, preenchendo tudo, contendo tudo, inacessível, inatacável, invulnerável - você não terá mais medo algum. Conheça-se como você é - contra o medo não há outro remédio.

Você tem que aprender   a pensar e sentir deste modo, ou permanecerá indefinidamente no nível pessoal do desejo e do medo, ganhando e perdendo, crescendo e decaindo. Um problema pessoal não pode ser resolvido em seu próprio nível. O próprio desejo de viver   é o mensageiro da morte, da mesma forma que o desejo de ser feliz é a essência   da aflição  .

O mundo é um oceano de dor   e de medo, de ansiedade e desespero  . Os prazeres são como os peixes, poucos e ligeiros, chegam raramente e depressa se vão. Um homem   de pouca inteligência acredita, contra toda a evidência, que é uma exceção e que o mundo lhe deve felicidade  . Mas o mundo não pode dar o que não tem; irreal até a medula, é de nenhuma utilidade   para a felicidade real. Não pode ser de outra forma. Buscamos o real porque estamos infelizes com o irreal. A felicidade é nossa própria natureza real e não devemos descansar até que a encontremos. Mas rara- mente sabemos onde buscá-la. Uma vez que você tenha entendido que o mundo é apenas uma visão errada da realidade, e não é o que parece ser, você está livre de suas obsessões. Apenas o que é compatível com seu ser real pode fazê-lo feliz, e o mundo, como você o percebe, é sua negação pura e simples.

Mantenha-se tranquilo e observe o que chega na superfície da mente. Rejeite o conhecido, dê as boas-vindas ao até agora desconhecido   e rejeite-o em seu devido tempo. Assim você chega a um estado   onde não há conhecimento, apenas ser. no qual o próprio ser é o conhecimento. O conhecimento pelo ser é o conhecimento direto. Está baseado na identidade   do que vê e do visto. O conhecimento indireto é baseado na sensação   e na memória, na proximidade do que percebe com o percebido, confinado ao contraste entre os dois  . O mesmo acontece com a felicidade. Geral mente você deve estar triste para conhecer a alegria, e alegre para conhecer a tristeza  . A verdadeira felicidade não tem causa   e não pode desaparecer por falta de estímulo. Não é o oposto da aflição, e inclui toda aflição e todo sofrimento.

Original

Q: What you say reminds me of the dharmakaya of the Buddha. — M: Maybe. We need not run off with terminology. Just see the person you imagine yourself to be as a part of the world you perceive within your mind and look at the mind from the outside, for you are not the mind. After all, your only problem is the eager self-identification with whatever you perceive. Give up this habit, remember that you are not what you perceive, use your power of alert aloofness. See yourself in all that lives and your behaviour will express your vision. Once you realise that there is nothing in this world, which you can call your own, you look at it from the outside as you look at a play on the stage, or a picture on the screen, admiring and enjoying, but really unmoved. As long as you imagine yourself to be something tangible and solid, a thing among things, actually existing in time and space, short-lived and vulnerable, naturally you will be anxious to survive and increase. But when you know yourself as beyond space and time — in contact with them only at the point of here and now, otherwise all-pervading and all-containing, unapproachable, unassailable, invulnerable — you will be afraid no longer. Know yourself as you are — against fear there is no other remedy. You have to learn to think and feel on these lines, or you will remain indefinitely on the personal level of desire and fear, gaining and losing, growing and decaying. A personal problem cannot be solved on its own level. The very desire to live is the messenger of death, as the longing to be happy is the outline of sorrow. The world is an ocean of pain and fear, of anxiety and despair. Pleasures are like the fishes, few and swift, rarely come, quickly gone. A man of low intelligence believes, against all evidence, that he is an exception and that the world owes him happiness. But the world cannot give what it does not have; unreal to the core, it is of no use for real happiness. It cannot be otherwise. We seek the real because we are unhappy with the unreal. Happiness is our real nature and we shall never rest until we find it. But rarely we know where to seek it. Once you have understood that the world is but a mistaken view of reality, and is not what it appears to be, you are free of its obsessions. Only what is compatible with your real being can make you happy and the world, as you perceive it, is its outright denial. Keep very quiet and watch what comes to the surface of the mind. Reject the known, welcome the so far unknown and reject it in its turn. Thus you come to a state in which there is no knowledge, only being, in which being itself is knowledge. To know by being is direct knowledge. It is based on the identity of the seer and the seen. Indirect knowledge is based on sensation and memory, on proximity of the perceiver and his percept, confined with the contrast between the two. The same with happiness. Usually you have to be sad to know gladness and glad to know sadness. True happiness is uncaused and this cannot disappear for lack of stimulation. It is not the opposite of sorrow, it includes all sorrow and suffering. (I AM THAT, Chapter 94)


Ver online : Nisargadatta Maharaj