Breton
Stanislas Breton (1912-2006)
Paul Breton — que tomou o nome religioso de Stanislas ao entrar no noviciado dos Padres Passionistas aos quinze anos — nasceu em 3 de junho de 1912 em Gradignan, na região de Bordeaux, órfão de pai e de mãe desde muito cedo.
- A pertença a essa congregação deixou traços consideráveis em sua obra filosófica: La Passion du Christ et les philosophies (1954), Mystique de la passion (1962) e Le Verbe et la Croix (1981).
- Sua formação escolástica permitiu-lhe familiarizar-se precocemente com as obras de Tomás de Aquino e de Suárez — em particular o tratado Da relação, que viria a desempenhar papel central em seu itinerário intelectual.
- Após o retorno do cativeiro na Alemanha, defendeu na Angelicum de Roma sua tese de doutorado em filosofia escolástica, publicada em 1951, sobre o esse in e o esse ad — “ser-em” e “ser-em-direção-a” — na metafísica da relação.
Nomeado professor na Universidade Pontifícia da Propaganda em Roma, ensinou por oito anos a psicologia racional no espírito do Tratado da alma de Aristóteles e do comentário de Tomás de Aquino, abrindo-se ao mesmo tempo à biologia teórica de Jakob von Uexküll e de Hans Driesch, bem como à fenomenologia de Husserl.
- A partir de 1956 ensinou filosofia nas faculdades católicas de Lyon, antes de ser nomeado para a faculdade de filosofia do Instituto Católico de Paris.
É ao longo dos anos 1960 e 1970 que aparecem suas obras filosóficas mais importantes, cuja coluna vertebral é formada pelo tríptico Du Principe (1971), Être, Monde, Imaginaire (1976) e Le Verbe et la Croix.
- As linhas de força de sua obra filosófica são inseparáveis das grandes amizades que soube estabelecer ao longo da vida.
- Com Jean Trouillard e Henri Duméry, partilhou uma fascínação comum pelo neoplatonismo e pelos “pensamentos do Nada”, aos quais consagrou uma obra capital: Rien ou quelque chose (1987).
- Da indestrutível amizade com Louis Althusser nasceram os cursos sobre o Tractatus theologico-politicus de Spinoza na École normale supérieure da rua d'Ulm, que encontraram expressão em Spinoza. Théologie et Politique (1977) e Théorie des idéologies (1976).
- Com Michel de Certeau, partilhou o interesse pelos “mestres do grande afastamento” — Jean-Joseph Surin e Mestre Eckhart: Deux mystiques de l'excès: J.-J. Surin et Maître Eckhart (1985) e Philosophie et mystique (1996).
Pensar significa, para esse filósofo, descobrir uma liberdade fundamental ligada ao clarão original do ser enquanto ser e pô-la em obra no cotidiano, onde ela toma a forma da generosidade.
- Essa liberdade — espécie de tradução filosófica da parrhesia paulina, esse exercício da palavra verdadeira — confere um tom tão particular aos escritos de Stanislas Breton.
- Ela ressoa igualmente em seus opúsculos de caráter mais menor — Poétique du sensible, Philosophie buissonnière, De Rome à Paris — em comparação com as obras em que ele escala os áridos cumes de uma especulação metafísica que medita as múltiplas formas da “função meta”: Philosophie et Mathématiques chez Proclus (1969), Unicité et monothéisme (1981), Écriture et Révélation (1979), Matière et dispersion (1993).
Seu último livro, Le Vivant Miroir de l'univers. Logique d'un travail de philosophie, aparece no final de 2004 — e o capítulo de conclusão, “O cristianismo e seus outros”, abre-se com as linhas: “É por uma pesquisa assim desinteressada e pela só alegria de que sejam o que são que o cristão se preocupa com seus outros.”
- Essa “maravilhosa alegria de que o outro seja, pelo só fato de seu ser, e de que tenha algo a nos dizer sobre o que é” foi também experimentada por Breton em seus encontros com o budismo da escola de Kyoto.
- Seus esforços para compreender esse extremo longínquo são sustentados pela convicção de que é urgente restituir às interrogações fundamentais o lugar de direito que lhes compete na vida do espírito.
