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INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS HUMANAS

PRIMEIRA PARTE A CIÊNCIA DO HOMEM ATÉ O SÉCULO XVII

Cap. I. – A CIÊNCIA DO HOMEM NA ANTIGUIDADE [33]

A ciência, ordenação em pensamento do universo. O modelo epistemológico da cosmobiologia e a unidade do saber antigo. Não há ciência do homem independente: o microcosmo é ligado ao macrocosmo no horizonte da teologia astral. Os problemas humanos escapam ao homem no espaço mental da reflexão grega. O gênio de Hipócrates cria, contudo, a primeira ciência experimental do ser humano. Aristóteles, fundador da história natural e da antropologia positiva. Erudição e filologia na escola de Alexandria. O declínio das ciências na época romana: a História Natural de Plínio, o Antigo.

Cap. II. – A SÍNTESE TEOLÓGICA DA CULTURA MEDIEVAL. [43]

A restrição do horizonte político e intelectual na Idade Média. A Romania medieval e as origens da cultura ocidental. O salvamento da inteligência pagã e os diversos renascimentos. A civilização medieval como sistema de segurança de base teológica. A revelação cristã, pressuposto dogmático do saber em seu conjunto. O universo pagão serve de cenário à história cristã da salvação. O a priori dogmático impede o desenvolvimento de uma ciência autônoma da natureza ou do homem. A antropologia astrológica; a experiência mágica segundo Roger Bacon. O progresso só é possível pela desagregação do sistema.

Cap. III. – O RENASCIMENTO E AS ORIGENS DAS CIÊNCIAS HUMANAS: A IDADE DAS AMBIGUIDADES. [53]

Relatividade do conceito de Renascimento. A renovação do espaço mental. A humanidade passa a viver no tempo, escapando ao controle do dogma. Nova avaliação do homem, o humanismo. Implicação mútua da magia e da ciência, astrologia e astronomia. A estética geométrica de Copérnico. A crise de originalidade juvenil da civilização ocidental e o intellectus sibi permissus. A formação da filologia. A Reforma. A exploração do mundo e a revelação dos outros homens. Destruição da concepção antiga do homem e do universo. Dessacralização do corpo: a anatomia. A livre iniciativa na ordem política e social. A historiografia renascentista. A filosofia política. A experiência espiritual do individualismo renascentista: a exaltação humanista do homem. O mito de Prometeu. Francis Bacon, o Júlio Verne da epistemologia. Da Nova Atlântida às Academias. Caráter composto do saber renascentista: temas científicos e temas mágicos implicam-se mutuamente. A ironia e a sabedoria cética na última onda renascentista. Leonardo da Vinci ou o fracasso do Renascimento. Esperanças e promessas.

SEGUNDA PARTE RUMO À ANTROPOLOGIA MECANICISTA

Cap. I. – O NASCIMENTO DO MECANISMO E A LENDA CARTESIANA [75]

O modelo epistemológico do mecanicismo encontra-se na origem da ciência moderna. A ideia de ciência rigorosa como sistema de inteligibilidade independente de qualquer fundo mítico afirma-se com Galileu. Grandeza e insuficiências de Galileu. A lenda dourada de Descartes. Os verdadeiros inovadores são Galileu, Hobbes, Gassendi, Mersenne… Os aspectos tradicionalistas do pensamento cartesiano. Descartes antimoderno. Quando, como e por que Descartes tornou-se um dos grandes da filosofia. Os méritos literários de Descartes. A “nova filosofia” está no ar no início do século XVII.

Cap. II – A ANTROPOLOGIA MECANICISTA: O TEMA DO HOMEM MÁQUINA. [85]

Revisão dos valores epistemológicos: a nova ciência da natureza implica uma nova ciência do homem. O aparecimento da cisão entre o espírito e o corpo põe fim ao naturalismo físico-teológico. O homem entra no direito comum do conhecimento. O corpo humano, corpo entre os corpos. O esquema da circulação do sangue segundo Harvey (1628) prepara o tema cartesiano do homem máquina, que possui sobretudo valor heurístico. O mecanicismo anexa o corpo evacuado pela alma. Divórcio existencial entre o homem e seu corpo tornado inumano. Rumo a uma biologia e a uma medicina positivas. A psicofisiologia mecanicista.

Cap. III. – A DESAGREGAÇÃO DO COMPROMISSO CARTESIANO: APARIÇÃO DA IDEIA DE NATUREZA. [95]

Descartes associa uma física mecanicista e uma metafísica espiritualista, posição insustentável. Bossuet cartesiano e anticartesiano. Descartes foi longe demais ou não o suficiente. Mecanismo e ontologia nos sucessores de Descartes. Destruição do determinismo em Malebranche: a inteligibilidade segundo o ocasionalismo e a visão em Deus. O imaterialismo de Berkeley. Mas nem os crentes nem os incrédulos podem satisfazer-se com essas evasivas. A luz natural segundo Bayle. Religião natural, direito natural. Recuo do sobrenatural. O homem dissolve-se no ambiente objetivo.

TERCEIRA PARTE O DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA DO HOMEM NO SÉCULO XVIII

Cap. I. – A FASCINAÇÃO NEWTONIANA. [105]

A física experimental do século XVIII oposta à física cartesiana dos princípios. Supremacia do modelo newtoniano do saber. Newton leva a termo o matematismo galileano e define uma filosofia natural que substitui a de Aristóteles. Voltaire newtoniano. Mas o século XVIII faz de Newton um positivista, desligado de toda teologia, ao preço de um falso sentido de seu pensamento. Newton não é Laplace. A atração, ideia-força do século XVIII nas ciências da natureza e do homem.

Cap. II. – O PROGRESSO DA CONSCIÊNCIA MÉDICA RUMO À CIÊNCIA DO HOMEM. [113]

Coexistência pacífica da medicina e da filosofia no século XVIII. O mecanicismo renova o antigo debate entre a escola de Cos e a de Cnido: humorismo e solidismo. O empirismo médico de Sydenham e os progressos da observação clínica. O papel dos instrumentos de observação: Leeuwenhoek e o microscópio. A anatomia de Morgagni. A escola dos iatromecânicos: Borelli, Bellini, Baglivi, Boerhaave. Crítica do esquema mecanicista no solidismo e do dualismo que ele pressupõe. Leibniz contra o homem máquina. A escola dos iatroquímicos. Van Helmont, Stahl e o monismo animista. A fisiologia de Haller. Bordeu e a doutrina do organismo. O vitalismo de Barthez em sua ciência do homem abre o caminho de um novo positivismo médico. Vicq d’Azyr e a anatomia comparada. Promoção social e intelectual do médico no século XVIII.

Cap. III. – A HISTÓRIA NATURAL DO HOMEM E AS ORIGENS DA ANTROPOLOGIA MODERNA. [135]

Prestígio da história natural tornada ciência por si mesma. Retomada da tradição aristotélica. Pobreza metodológica das primeiras classificações. O papel do Jardim do Rei. A obra de Lineu. O Sistema da Natureza. A ordem cósmica segundo Lineu. O homem inscrito no quadro das espécies naturais. A descoberta dos antropoides e a definição do homo sapiens. O fixismo e a questão das mutações. O gênio de Buffon. A ideia de ciência em Buffon e o papel do cálculo das probabilidades. Da história da terra à história da natureza. Fixismo e transformismo nas espécies vivas. A antropologia de Buffon. A querela dos fósseis. Popularidade da história natural. As origens da ciência antropológica. O conceito de antropologia. Após Buffon, Blumenbach. A obra antropológica de Kant.

Cap. IV. – A TEORIA EMPIRISTA DO CONHECIMENTO E AS ORIGENS DA PSICOLOGIA. [163]

O empirismo, dispensando a ontologia, estuda o pensamento por si mesmo. A psicofisiologia mecanicista de Hobbes. A teoria do conhecimento segundo o médico e diplomata John Locke. Inventário crítico do entendimento humano: gênese e transformação das ideias. A crítica da linguagem e a condenação da metafísica. A ciência do homem segundo David Hume. Pretende ser o Newton da geografia mental. A análise do entendimento e as leis da associação. A obra histórica de Hume. A metodologia racional para a análise do espírito é retomada por Condillac. O monismo intelectualista de Condillac: dedução genética do saber a partir da experiência perceptiva. A crítica da linguagem e o sonho da língua dos cálculos. A morte de Deus na epistemologia tem como consequência o aparecimento de uma psicologia independente. A Psicologia racional e a Psicologia empírica de Christian Wolff; a psicometria. O desenvolvimento da psicologia empírica no século XVIII.

Cap. V. – O DESPERTAR DO SENTIDO HISTÓRICO. [187]

O ensino da história é de instituição recente. Da história medieval à história moderna. A inteligência histórica é estranha aos fundadores do mecanicismo. Tradição da história da França, das Grandes Crônicas da França a Mézeray e Velly. Anti-historicismo de Descartes e de seu tempo: Pascal, Malebranche, Bossuet. Nascimento, contudo, no século XVII, da crítica histórica. Física e crítica histórica, em Mersenne, a serviço da fé. O controle racional das tradições e dos textos. Os Bollandistas e a revisão da hagiografia. A obra erudita e crítica dos Beneditinos; mas trata-se de uma história sem historicidade. A crítica histórica dos textos bíblicos supõe uma revolução intelectual e espiritual. Razão e revelação em Spinoza, fundador da exegese moderna. Ciência do homem e ciência de Deus: a teologia em perigo. A história sagrada reduzida à razão. Richard Simon, defensor da fé e aprendiz de feiticeiro, desmascarado por Bossuet. O triunfo do espírito crítico. A história revela a humanidade a si mesma; a humanidade habita no tempo. A filosofia da história ou a história da razão. Bayle e Fontenelle, beneditinos leigos. Apologia da certeza histórica em Bayle. O fanatismo crítico procede à depuração das tradições e combate pela luz natural. Fontenelle, cartesiano e historiador, iniciador da etnologia comparada. A história tem, doravante, um sentido. A obra histórica de Leibniz, sua importância. Verdades eternas e verdades de fato. A lógica da história e a teoria das probabilidades. Leibniz profeta de uma história do futuro, para uma humanidade reconciliada. Voltaire: a história como antropodiceia cultural e burguesa. O novo conteúdo da história. Razão e desrazão da história. A história torna-se no século XVIII um elemento essencial da cultura. Mas o sentido da historicidade ainda falta.

Cap. VI. – AS SISTEMATIZAÇÕES DO SÉCULO XVIII. [229]

A. A Enciclopédia.

Necessidade de um reagrupamento das dimensões epistemológicas. A ideia de enciclopédia desde o Renascimento. A enciclopédia como balanço provisório e como atitude de espírito. Do projeto de língua universal à realização de um dicionário. Esperanças e atividades de Leibniz: o tema da enciclopédia é o foco de sua obra. Sociedades eruditas e academias. A Enciclopédia de d’Alembert e Diderot como edificação de uma ciência do homem pela elaboração do mapa do mundo intelectual. Empirismo e racionalismo: a crítica do conhecimento pela elaboração de uma epistemologia genética. A metafísica, ciência dos princípios ou filosofia geral. As ciências humanas na Enciclopédia e a educação universal.

B. As filosofias da natureza.

Da história natural do homem à filosofia da natureza. Os materialismos no século XVIII. Especificidade da matéria orgânica segundo La Mettrie e d’Holbach. O materialismo afirma a unidade da natureza. Continuidade do animal ao homem segundo La Mettrie. A perspectiva da evolução segundo Diderot. O transformismo educativo de Helvétius: o determinismo do meio abre imensas perspectivas pedagógicas.

C. As filosofias da cultura e as filosofias da história.

A cultura, segunda natureza. A ideia de civilização, ideia-força do século XVIII. As origens da filosofia política moderna. A doutrina do direito natural reconhece a especificidade do domínio humano. O despertar do sentido histórico obriga os filósofos a levar a sério a ordem dos fatos humanos. A reflexão deve refazer o que a história desfez. A mobilização da ontologia faz da história a mensageira de uma revelação. A filosofia da história, substituto da teologia. O estudo comparativo das civilizações em Vico. A ciência da natureza social segundo Montesquieu. Lessing. A filosofia kantiana da história. A história, meio de salvação coletiva, caminho da religião racional e da república universal. Da filosofia da cultura à pedagogia.

D. As ciências humanas e a lógica probabilitária.

A exigência matemática nas ciências humanas. Do probabilismo cético à probabilidade como modo de certeza. O uso do cálculo das probabilidades por Leibniz: esperança de uma lógica das ciências morais. Hume e a probabilidade das associações. O desenvolvimento da estatística. A aritmética política segundo a Enciclopédia. A aritmética moral de Buffon e a matemática social de Condorcet. Kant e as estatísticas.

QUARTA PARTE A CIÊNCIA DO HOMEM SEGUNDO A ESCOLA IDEOLÓGICA FRANCESA

Cap. I. – OS IDEÓLOGOS EM SEU TEMPO. [271]

Os pensadores da Revolução, momento original da consciência francesa, homens políticos e reformadores. Uma filosofia colegial. Lavoisier ideólogo. A decadência das antigas academias e a fundação do Instituto Nacional, centro da Ideologia. O Instituto como Enciclopédia viva.

Cap. II. – O MÉTODO IDEOLÓGICO. [281]

Uma epistemologia genética na perspectiva aberta pela teoria condillaciana do conhecimento. Um empirismo experimental. A ideologia como parte da zoologia. Ideologia fisiológica e ideologia racional. Destutt de Tracy teórico da ideologia racional. Do sensualismo ao intelectualismo. A crítica dos signos e o ideal da língua dos cálculos. A análise ideológica culmina na matemática social de Condorcet e na teoria das probabilidades de Laplace, que engloba as ciências humanas. As concepções pedagógicas de Tracy e as instituições culturais da Revolução. Lugar privilegiado das ciências humanas. A decadência universitária sob o Império e a Restauração. Influência da Ideologia na Alemanha e nos Estados Unidos.

Cap. III. – A ANTROPOLOGIA MÉDICA: CABANIS, BICHAT, PINEL. [293]

A ideologia fisiológica de Cabanis. Um positivismo metodológico fundado na aplicação da análise à arte de curar. Um determinismo biológico nuançado e hierárquico. A inteligibilidade unitária do físico e do moral fundamenta a ciência do homem. A crítica de Condillac por Cabanis: interdependência dos sentidos externos e descoberta do sentido interno. O monismo de Cabanis não é materialismo. O aperfeiçoamento da espécie humana. Maine de Biran e a ideologia: tentativa de reconciliação entre ideologia racional e fisiológica. Bichat desenvolve a doutrina vitalista: a fisiologia não se reduz à física. Os progressos do conhecimento biológico. Pinel, fundador da nosologia, realiza a análise metódica das entidades mórbidas e fixa a terminologia médica. Reforma da medicina mental mediante um humanismo hospitalar. A escola psiquiátrica francesa e os Annales médico-psychologiques.

Cap. IV. – O HOMEM NO MUNDO NATURAL: LAMARCK. [309]

Do Jardim do Rei ao Museu de História Natural. Da história natural às ciências naturais. Necessidade de constituir esse domínio epistemológico segundo normas racionais. A biologia de Lamarck coloca o problema da vida em sua totalidade. A história natural dos insetos e dos vermes permite definir o mínimo vital. O sentido cósmico de Lamarck. Significação do transformismo. O lugar do homem na natureza e a gênese da espécie humana. O gênio de Lamarck, naturalista filósofo.

Cap. V. – AS CIÊNCIAS DA CULTURA. [321]

Interesse dos Ideólogos pela antropologia cultural. A Sociedade dos Observadores do Homem. As Considerações sobre os diversos métodos a seguir na observação dos povos selvagens, de Degérando, como primeiras instruções etnográficas. Metodologia de uma arqueologia mental. Projeto de um museu de etnografia. Fauriel e a filologia. A obra de Volney. Primeiros esboços de uma filologia comparada. O processo da história e seus venenos. Uso correto da história. História dos povos e descrição geográfica do meio. Volney precursor da geografia humana. Influência dos Ideólogos no pensamento do século XIX.

QUINTA PARTE AS CIÊNCIAS HUMANAS NO SÉCULO XIX

Cap. I. – SITUAÇÃO DAS CIÊNCIAS SOCIAIS NO SÉCULO XIX. [335]

O impacto revolucionário atravessa o mundo e impõe a necessidade de um novo equilíbrio europeu. A aceleração da história impõe à consciência a dimensão histórica. A ciência do homem torna-se condição da ação. Ciência do homem e busca do homem. Reabilitação do problema social. Necessidade de compensar, por reformas adequadas, a inumanidade espontânea do sistema industrial. A destribalização do Antigo Mundo. Filosofia social e filosofia da história. A Revolução demonstra a capacidade reformadora e formadora do homem.

Cap. II – O DIVÓRCIO ENTRE CIÊNCIA E FILOSOFIA: DO POSITIVISMO AO CIENTIFICISMO. [343]

Especialização das ciências e afastamento filosófico no século XIX. A antiga harmonia entre filosofia e ciência. A noção de filosofia natural ao longo da história. Em Newton e ainda no século XVIII não há ruptura entre filosofia e ciência; porém a filosofia sofre restrição crítica. Para os enciclopedistas, a metafísica é a ciência dos princípios. Origens do positivismo: d’Alembert, Lamarck, Comte. O vazio filosófico do meio do século corresponde à passagem do positivismo ao cientificismo. A mentalidade cientificista falseia o desenvolvimento das ciências sociais. Protesto de Comte contra o imperialismo cientificista. Afirmação da especificidade dos fatos sociais. Claude Bernard considera a biologia irredutível às ciências físico-químicas. O vitalismo de Cournot. O progresso das ciências da vida desde Lavoisier suscita o ideal de redução da biologia à física. Predomínio do laboratório sobre a clínica. O princípio da conservação da energia e as sistematizações cientificistas. As sínteses químicas e as previsões de Berthelot. O materialismo científico de inspiração biológica. Taine: as ciências do homem como ciências exatas. A idolatria da ciência promete a felicidade da humanidade.

Cap. III. – A CIÊNCIA DO HOMEM NAS SÍNTESES ESPECULATIVAS. [365]

Persistência dos grandes sistemas no início do século. A ciência do homem segundo Saint-Simon. Primado da economia na organização social. Auguste Comte: da física social à sociologia. Lei dos três estados. A religião da humanidade como resposta à crise de valores. Stuart Mill pretende ser o Bacon das ciências humanas. A epistemologia das ciências humanas deve alinhar-se às ciências naturais. Primado da etologia e método dedutivo inverso. A história como expressão da verdade em Hegel. A história concreta resiste à redução racional. Marx inverte a dialética e submete a filosofia à revolução. Ambiguidades do materialismo marxista. O projeto unitário de uma ciência do homem é desmentido pelo progresso das ciências humanas.

Cap. IV. – A CONSTITUIÇÃO DAS CIÊNCIAS HUMANAS POSITIVAS NO SÉCULO XIX: A EPISTEMOLOGIA DISCURSIVA E EXPLICATIVA [381]

Fragmentação do conceito de ciência do homem em disciplinas especializadas. Oposição entre epistemologia explicativa e compreensiva.

A. O desenvolvimento da antropologia.

Elaboração do conceito de antropologia. Da fisiognomonia de Lavater à frenologia de Gall. Origens da antropometria. O problema das raças. A antropologia cultural e a etnografia. A linguística comparada e a geografia humana. Boucher de Perthes e a pré-história. Influência de Darwin. Broca e a consolidação da antropologia como ciência.

B. A psicologia científica.

Nascimento da psicologia científica na Alemanha com Herbart. Weber e Fechner inauguram a psicologia experimental. Progresso da fisiologia nervosa. Wundt estabelece a psicologia como ciência. William James nos Estados Unidos. Ribot na França.

C. As ciências históricas.

Desenvolvimento da historiografia no século XIX. Influência do romantismo. História nacional. Da história romântica à história positiva. Concepção científica da história em Langlois e Seignobos.

Cap. V. – O ESPIRITUALISMO UNIVERSITÁRIO NA FRANÇA OU A RENÚNCIA DOS FILÓSOFOS. [425]

Os filósofos franceses recusam os desenvolvimentos das ciências humanas. Estratégia metafísica universitária de Cousin a Lachelier. Direcionamento institucional das orientações filosóficas. O espiritualismo oficial abandona a realidade humana concreta aos positivismos.

Cap. VI. – A HERMENÊUTICA COMPREENSIVA E O HISTORICISMO. [437]

Busca alemã de uma metodologia específica das ciências humanas. Reação ao Iluminismo: romantismo e nacionalismo. Fundação da Universidade de Berlim. A teoria romântica do conhecimento. A Naturphilosophie. Desenvolvimento da filologia. Schleiermacher e a hermenêutica. Ciências da expressão humana. Linguística comparada. De Humboldt a Dilthey. Metodologia das ciências humanas. A compreensão como diálogo. Filosofia da vida. Rickert e Max Weber. Fenomenologia de Husserl. Sociologia do conhecimento de Scheler. Unidade entre explicação e compreensão. A verdade como horizonte.

CONCLUSÃO. POR UMA CONVERSÃO EPISTEMOLÓGICA. [471]

Um novo obscurantismo: a inflação científica e técnica como forma de niilismo contemporâneo. Desorientação das ciências humanas. Fragmentação da antropologia. Especificidade metodológica das ciências humanas. Impossibilidade de reduzir o humano ao físico. Necessidade de uma epistemologia própria. Restauração metafísica nas ciências do homem. Todas as ciências são ciências do homem, sem esgotar sua realidade. Explicar e compreender conjuntamente. O homem como criador de significações. Ambiguidade da presença humana. Compreensão do ser humano como fundamento da ciência. O fato humano total. As ciências humanas como ciências de tipo próprio. A verdade como caminho. Ciência e consciência. Conhecimento em primeira pessoa. Crítica do historicismo. Nova articulação entre razão e acontecimento. Da antropologia à axiologia. O mundo humano como ordem simbólica. Primado do espiritual. As ciências humanas como elucidação de valores. Impossibilidade de atingir o horizonte último. Sinais de renovação antropológica. As ciências do homem como ciências da liberdade.

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