Gusdorf
Georges Gusdorf (1912-2000)
Sua imensa obra em vários volumes focou a História das Ciências Humanas, mas também produziu outros estudos filosóficos relevantes. Destacamos abaixo sua breve introdução de sua obra-piloto, uma espécie de balão de ensaio do que viria a se realizar em muitos volumes.
Introduction aux sciences humaines. Essai critique sur leurs origines et leur développement. Paris : Les Éditions Ophrys, Nouvelle édition, 1974
A tentativa de Dilthey de elaborar uma epistemologia das ciências humanas (1883) não conseguiu colmatar o atraso epistemológico dessas disciplinas. A metafísica universitária, fascinada pela matemática, menospreza as ciências humanas, ciências inexatas. As ignorâncias de Lachelier. Diálogo de surdos entre historiadores e filósofos; daí uma situação tão desastrosa tanto para os especialistas em ciências humanas quanto para os metafísicos. Os sábios, enganados por suas técnicas, buscam sem saber o que buscam. Necessidade de uma conversão epistemológica: a ciência do homem pressupõe uma metafísica da condição humana. A crise atual das ciências humanas é uma crise de consciência do homem contemporâneo. A função da metafísica é assegurar, de século em século, a unidade da cultura. Ela tem como matéria-prima as contribuições de todas as ciências. Necessidade de uma revisão da ortodoxia estabelecida. Por uma outra história da filosofia. Toda história está na história; é preciso reconhecer o passado em vez de julgá-lo. É preciso libertar o sentido real das épocas da cultura das falsificações positivistas. Uma história natural do devir do pensamento. A epistemologia deve ser o órgão de uma tomada de consciência filosófica. A história das ciências humanas é uma investigação do homem sobre o homem. É preciso destronar o ídolo do monismo cientificista; e o do totalitarismo intelectualista. A ciência do homem, diálogo do homem com o homem, contribui para a edificação do homem. Uma antropologia não socrática e não cartesiana.
