Plessner

Helmuth Plessner (1892-1985)

Apresentação de Didier Guimbail de PLESSNER, Helmuth. Les degrés de l’organique et l’homme: introduction à l’anthropologie philosophique.

Os Graus do Orgânico e o Homem [GOM] é uma das obras fundadoras da antropologia filosófica alemã, corrente que se desenvolveu a partir de 1920, e seu autor, Helmuth Plessner, levou esse projeto ao seu “ponto culminante conceitual” com virtuosidade fora do comum.

“A antropologia filosófica”

A antropologia filosófica não é uma rubrica de contornos imprecisos nem um ramo da filosofia como a estética ou a epistemologia, mas uma “direção de pensamento” original, cuja particularidade reside em sua concepção da corporeidade do homem em relação às ciências do vivente.

Por que “graus do orgânico”?

Os GOM pretendem marcar a especificidade do vivente em relação ao inanimado, situando-se além tanto do idealismo morfológico quanto do evolucionismo darwiniano.

Pensar a vida: “os modais orgânicos”

Um modal é “uma realidade qualitativa última tal que não pode mais ser analisada por redução a outras qualidades” — categoria a priori formal e material que permite identificar o domínio do vivente sem referí-lo à unidade de uma subjetividade transcendental.

As formas do sujeito

A dialética da posicionalidade desenvolve-se para definir a natureza de um ser organizado, distinguindo três formas: a planta (forma aberta), o animal (forma fechada e centrada) e o homem (forma excêntrica).

A planta é um organismo desprovido de centro, o que a incorpora imediatamente ao seu médium e faz dela “a seção não autônoma do ciclo vital que lhe corresponde.”

O animal situa-se num outro nível ontológico: a forma fechada define-se por uma acentuação do hiato e pela posição de um centro.

“O animal vive exteriorizando-se de seu centro, interiorizando-se em seu centro, mas não vive enquanto centro” — essa frase dá a chave da posicionalidade excêntrica.

As leis antropológicas

O mundo do espírito articula-se em três leis que revelam a estrutura dialética da excentricidade e a apresentam como o operador lógico entre natureza e cultura.

Plessner desenvolve seu pensamento numa relação entre um realismo científico oriundo de sua formação e uma conceituação que mobiliza os recursos especulativos do idealismo alemão — seu propósito não é nem epistemológico nem fenomenológico, o que o torna alheio às duas correntes filosóficas que dominam na França o interesse pelo vivente.