É imperativo ressaltar, para fins de saneamento histórico, que o autor de
O Declínio do Oeste nunca foi nazi e manifestou publicamente a sua oposição logo em 1933 na obra
Anos Decisivos, recusando cargos oferecidos pelo regime na Universidade de Leipzig, negando-se a redigir propaganda eleitoral a pedido de Joseph Goebbels, compondo elogios fúnebres a vítimas dos expurgos políticos de 1934 e abandonando a administração dos arquivos de
Nietzsche em protesto contra a apropriação indébita do filósofo pelo regime, falecendo em 1936 sob rumores de envenenamento; a sua ostracização contrasta com a reabilitação de figuras como Carl Schmitt, que apoiou francamente o regime, mas é citado sem reservas por teóricos de esquerda como Giorgio
Agamben, Alain Badiou, Massimo Cacciari ou Antonio Negri.