Categoria: Antiguidade
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Seria o Livro I independente a princípio, e só mais tarde retocado para servir de proémio à República? Justamente a palavra «proémio» aparece na primeira frase do Livro II, para classificar a conversa anterior. Esta forma um conjunto ordenado e completo, comparável aos chamados diálogos aporéticos, que se atribuem à primeira fase da obra do…
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19. «Assim — opinam — as coisas surgiram, assim elas são agora, assim hão-de ser depois, e assim hão-de acabar. E cada uma os homens designaram por certo nome.» Assim, segundo opinião, nasceram estas (coisas) e agora são e em seguida a isso se consumarão, uma vez crescidas; um nome lhes atribuíram os homens, distintivo…
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16. «Qual a mistura dos membros errantes (Luz e Noite) tal se apresenta a mente (noûs) dos homens. Pois a mesma natureza é o que pensa em todos e em cada um: o pleno (ou ‘o que prevalece’?) é pensamento (noema).» Pois como cada um tem mistura de membros errantes, assim a mente nos homens…
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14. «(A Lua é) alheia luz que ilumina a noite, circunvagando a Terra.» Brilhante à noite, errante em torno à terra, alheia luz. [La Luna] «brillando de noche con luz ajena, errante en torno a la tierra». Lumineuse de nuit, errante autour de la terre, lumière d’ailleurs.
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13. «Antes de todos os deuses, ela (a Deusa da geração e do amor) meditou o Eros.» Primeiro de todos os deuses Amor ela concebeu. «Concibió al Amor, el primerísimo de todos los dioses». Eros fut le premier de tous les dieux qu’elle inventa.
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12. «Foram as mais angustas (coroas) preenchidas de fogo puro, e as seguintes de Noite; por entre elas se precipitou a ígnea parte. No meio reside a Deusa que tudo governa. Pois a Divindade à nascida e ao parto doloroso chama, impelindo para o macho a fêmea, e para a fêmea o macho…» Pois os…
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11. (E agora vou dizer-te) como a Terra e o Sol e a Lua, o Éter a todos comum, a celeste Galáxia e o Olimpo extremo, e a ardente força das estrelas entraram de existir. «Cómo la tierra, el sol y la luna, también el éter común, la Vía Láctea y el Olimpo insuperable, así…
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10. «Conhecerás a natureza do Éter e os signos (que estão) no Éter, e do claro facho do Sol o efeito ardente, e de onde provém, a circunvaga ação da redonda Lua e sua natureza; e conhecerás também o Céu que tudo cinge, donde nasceu e como a reinante Ananké dos astros o sujeitou a…
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9. Porém, como todas as coisas de Luz e de Noite denominadas foram, e conforme suas virtudes os nomes receberam, repleto ficou o Todo de Luz e Noite sem Luz, das duas igualmente, pois nenhuma das duas participa de Nada. «Pero puesto que todo es denominado luz y noche y, según las cualidades de éstas,…
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5. «Igual (indiferente) é para mim o por onde quer que eu comece; pois lá hei-de sempre voltar.» …………………..para mim é comum donde eu comece; pois aí de novo chegarei de volta. «Común es para mí aquello desde donde comienzo; pues allí volveré nuevamente». Comum me é aí de onde parto; pois aí retornarei de…
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Focalizando especialmente Parmênides, Empédocles e a tradição pitagórica, o filósofo inglês Peter Kingsley, escreveu notáveis estudos sobre os pré-socráticos. Por exemplo, seu livro Ancient Philosophy, Mystery, and Magic se divide em três grandes partes: Filosofia, Mistério e Magia. A primeira parte começa a investigação pelos Elementos de Empédocles, aqueles que ele chamava de “Raízes”, razão…
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Todas as obras dos Pré-Socráticos estão hoje perdidas; apenas alguns fragmentos mais ou menos importantes nos foram transmitidos no decorrer dos séculos por diferentes vias. A) Citações feitas por autores posteriores. – As principais fontes são Platão, Aristóteles, os Estoicos, Sexto Empírico, Cícero e os Neoplatônicos. Importa acrescentar os Moralia de Plutarco (século I-II d.C.);…
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Os problemas de cronologia puderam ser parcialmente resolvidos graças a dois autores: Eratóstenes de Cirene e Apolodoro de Atenas. Eratóstenes de Cirene era um bibliotecário de Alexandria que viveu no século III a.C. Escreveu sobre imensos assuntos — filosofia, gramática, história, geografia (foi uma das fontes de Estrabão) — e redigiu uma Cronologia. Esta obra…
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A tradição moral do Ocidente em nada reteve a definição aristotélica de prudência. Enquanto as definições estoicas de phronesis como “ciência do que fazer e não fazer” ou “ciência dos bens e males, assim como das coisas indiferentes” (1) serão facilmente impostas à posteridade (2), a definição de Aristóteles no Livro VI da Ética em…
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A linguagem da filosofia latina, embora marcada pela disseminação do estoicismo, foi elaborada ao mesmo tempo em que Cícero, Lucrécio e Sêneca estavam ajudando a escrever uma história crítica da filosofia. É por isso que os usos de conscientia no latim clássico apresentam – sincronicamente – os diferentes estratos histórico-literário que constituíram a experiência e…
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No Górgias de Platão, Sócrates se refere a um skolion tradicional, ou canção de beber, em que a saúde é descrita como a maior bênção para a humanidade (451e). Esta canção muito citada, atribuída a Simonides ou Epicharmos e, portanto, remontando ao século V ou VI do século aC, diz: Ser saudável é melhor para…
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A ilusão de realidade óbvia que o conceito de corpo nos dá hoje vem essencialmente de duas razões: primeiro, a forte oposição que foi estabelecida em nossa tradição ocidental entre a alma e o corpo, o espiritual e o material. Correlativa e posteriormente, o fato de o corpo, que se transformou em matéria, ser um…
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A metafísica implícita sendo adotada aqui é, certamente, o idealismo subjetivo: “para os gregos, o mundo dos deuses [isto é, a realidade] tinha uma característica muito particular. Esta é que simplesmente pensar em algo é fazê-lo existir: é fazê-lo real “(R: 71-72). Portanto, “tudo o que temos consciência é, o que percebemos ou notamos, o…
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One of the first things we have to decide when trying to understand Aristotle is how to understand his technical terms, and hence how to translate what he says into English. Passages that seem to make no sense at all using one translation of the key words can often seem perfectly clear if one translates…
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The word that I have been translating as ‘excellence’ (arete) is often, and quite properly, translated as ‘virtue’.1 This rendering can, however, give a misleading impression of the question to which Plato’s Socrates urges his interlocutors’ attention. First of all, as it is used in English today, ‘virtue’ tends to refer to a character trait…