Santos (Ontologia) – Ente possível e ente atual

TEMA I
ARTIGO 5 – ENTE POSSÍVEL E ENTE ATUAL
O ente pode ser atual ou possível. E tal se dá quando a sua aptidão a existir é presente, dá-se no exercício da existência (atual) ou vem a suceder (possível).

É intrinsecamente possível o ente que, por coerência consigo mesmo, não tem nenhuma existência atual.

Possível é o que pode existir. Impossível o que não pode existir. Ente puramente possível, ou simplesmente possível, é aquele que pode existir, mas não existe em ato.

  • Possibilidade:
    • Intrínseca, por coerência própria (tem-na em si mesmo);
      • Formal
      • Passiva
      • Interna
      • Absoluta
    • Extrínseca, a que está na causa (em outro);
      • Radical
      • Ativa
      • Relativa
      • Causal

A possibilidade (intrínseca) formal da coisa não existente carece de toda atualidade física.

Para os escolásticos é existente o que de fato é dado nas coisas da natureza; é a existência uma forma lógica intrínseca, cuja afirmação se pode fazer porque, de fato, se dá nas coisas da natureza.

Em suma, é existente, para os escolásticos, o fático, ou o que se funda no fático.

Se ente é o que tem aptidão à existência, ente existente é o que tem aptidão em ato, isto é, aquele cuja aptidão transita-se no exercício da existência.

Vimos que o possível é o que pode ocorrer, ou o que pode ser de uma maneira ou de todas as maneiras. Por isso a possibilidade pode ser absoluta ou relativa, ou, real ou ideal.

Em sentido lógico (ideal), é aquilo que não é contraditório; e em sentido real, aquilo que pode ser em certas condições.

O racionalismo costuma reduzir a possibilidade real à ideal, e faz da possibilidade uma mera possibilidade lógica (ideal).

De certo modo, o possível opõe-se ao atual, mas essa oposição é antagonista, resolúvel, e não antinômica.

Sua oposição consiste em ser aquilo que pode atualizar-se.

Assim, o atual é o cumprimento de uma possibilidade.

Para Kant, o possível é o “que concorda com as condições formais da experiência” (enquanto a intuição e aos conceitos).

No idealismo romântico, a possibilidade é entendida muitas Vezes como o princípio de todo ser, convertendo-se o Absoluto, entendido como perfeita indiferença, em possibilidade pura.

Desta forma, a possibilidade é concebida como princípio de todo o ser, como verdadeiro absoluto, o que já estava refutado com milênios de antecedência.

Para Bergson, tal interpretação é errônea, pois é o que se torna possível e não o possível o que se converte em real (Tese já antiga na escolástica).

A. Von Meinong procura solucionar as dificuldades sobre a possibilidade. Adscreve a possibilidade aos “objetivos”, e não aos objetos.

A possibilidade é possível de aumento ou de diminuição, é uma “propriedade quantitativa”, que pode alcançar os limites da efetividade.

A distinção entre a efetividade dos possíveis e a realidade, deve-se ao fato de corresponder ao possível os “objetivos”, de tal maneira que a existência de uma coisa equivale à indicação da efetividade de sua existência.

Os objetos são correlacionados às percepções, mas os objetivos são correlatos às suposições, ou aos juízos. Assim o efetivo é uma possibilidade maior, e o possível uma efetividade menor.

Com isso, ele une efetividade com possibilidade, afim de resolver a aporia, o que retorna ao que já estava estabelecido na filosofia da escolástica.

 

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