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Simmel

Simmel, Georg (1858-1918)

“Nicht habilitiert!” (“Ele não foi habilitado!”), disse Heidegger certa vez a Jean Beaufret. Trata-se de G. Simmel, que ele parecia considerar talvez mais interessante do que Max Weber (na Alemanha, a “habilitação” confere o título de professor; Heidegger aludia aos atrasos e contratempos que marcaram a carreira universitária de Simmel, professor que, no entanto, exercia uma influência excepcional sobre seus alunos). Simmel foi durante muito tempo um intelectual versátil, interessado tanto em Gerhart Hauptmann como em Bergson, tanto em Böcklin como em Goethe, tanto em Stefan George como em Rodin, tanto na pintura expressionista como em Rembrandt… A sua monografia sobre religião foi publicada numa série dirigida por Martin Buber. O neokantismo reinante não o impedia de ler Nietzsche, e seus ensaios sobre moda, filosofia do ator, dinheiro, movimento feminista ou caricatura respondem, de certa forma, ao programa de pesquisa esboçado por Nietzsche no § 7 de A alegre ciência, ao mesmo tempo em que fazem dele um sociólogo original. “Filosofia da vida”, portanto, situando-se na esteira de Nietzsche e Dilthey, mas também do neokantismo, na medida em que uma crítica da razão histórica está na ordem do dia e Simmel traz uma contribuição notável (ver Être et temps, p. 375 e 418, n. 1). É este último aspecto do pensamento de Simmel que é mais conhecido na França, graças a Raymond Aron.

No final de sua vida, Simmel opera um certo “retorno” à metafísica e é no ano de sua morte que é publicado seu livro Intuição da vida (Lebensanschauung), “quatro capítulos metafísicos”. Heidegger faz referência a ele em Ser e tempo (nota 1 da página 249, que passa em revista toda a literatura da época) e este é certamente o livro de Simmel que mais contou para ele. Embora não tenha lhe dedicado uma análise explícita, pode-se inferir, a partir das críticas que ele dirige a Dilthey no § 10 de Ser e tempo e a Jaspers em sua resenha crítica da Psicologia das concepções do mundo (GA 9, 1-44), redigida em 1919-1921, o que ele teria a dizer sobre Simmel. É, como ele escreverá a B. Welte em 28 de julho de 1973, a análise do Dasein que se perfila e abre caminho no estudo que ele lhes dedica. As palavras “mundo” ou “Dasein”, que Simmel gosta de usar, deviam ter algo de ardente quando era Heidegger quem as lia!

François Vezin

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