ENSAIO SOBRE A LÍNGUA E A FILOSOFIA DOS INDIANOS
Prefácio do Tradutor. Análise do livro de Schlegel, dividida em quatro pontos.
(Com a presença de preconceitos críticos)
1. Língua dos Indianos: Importância do estudo das línguas para alcançar resultados etnográficos sobre as afinidades dos povos. Trabalhos sobre esta matéria, desde o Mithridates de Adelung. Erros dos primeiros linguistas; perseguiam a quimera de uma língua primitiva, fosse o hebraico, o basco ou o bretão. Gramáticos do século XVIII, Desbrosses, Court de Gébelin, Beauzée, Barris. Renovação da ciência das línguas no século XIX, língua indiana, hieróglifos. O livro de Schlegel expõe bem o estado da ciência de seu tempo, com a inclinação a fazer tudo provir da Índia. Dois pontos de vista para estabelecer a afinidade de certos idiomas entre si: a analogia das palavras e a das gramáticas; família indo-germânica. Método de Lineu aplicado ao estudo das línguas. — Sistema de M. de Mérian; persegue a afinidade de todas as línguas, sem se inquietar com as gramáticas. Schlegel colocou-se sob o ponto de vista da afinidade das famílias em vez do ponto de vista da parentesco universal das línguas.
2. Filosofia dos Indianos. Esta parte do livro de Schlegel foi o objeto que motivou a publicação desta obra. Schlegel equivoca-se ao distinguir o sistema da emanação do sistema do panteísmo. Outro erro: coloca o idealismo, em vez do materialismo, no berço da filosofia; a primeira época foi materialista. Schlegel caracteriza muito bem o materialismo oriental e sua influência sobre o ar primitivo. Explica igualmente o dualismo persa, mas não concede parte suficiente ao dualismo absoluto. Seu capítulo sobre o panteísmo é bem tratado; em geral, desperta as dificuldades sem as resolver; a filosofia dos indianos foi explorada para além dele desde então.
3. Objeto do terceiro livro. Sob o título de ideias históricas, dedica-se a mostrar qual influência as migrações indianas puderam ter sobre a população de diversas regiões do mundo antigo, e como essas migrações puderam operar-se. Aqui é necessário retornar à linguística; objeto a descobrir sobre esta matéria; questão egípcia; opinião de Malte-Brun sobre a língua albanesa e sobre os pelasgos. Elemento céltico na Itália. Os etruscos; as línguas basca, bretã, idiomas da Escócia e da Irlanda; trabalhos de M. Cardin. Deve-se guardar do ponto de vista exclusivo que extraviou os predecessores. Influência da filosofia do Oriente sobre a da Grécia, caracterizada por Schlegel; o que se pode colher de suas induções.
4. Detalhes sobre as diversas peças de poesia traduzidas por Schlegel; os indianistas sacrificam muito pouco à poesia. Trabalhos de W. Jones, Wilkins, Wilson, M. Langlois, M. Bopp, M. Wilhelm Schlegel. Observações do tradutor sobre seu trabalho e sobre os auxílios que encontrou. Nota sobre a ortografia dos nomes indianos. Uma palavra sobre o apêndice.
LIVRO II. Filosofia.
Capítulo I. Observações preliminares.
Refutação pela história da opinião que estabelece a barbárie como estado primitivo da humanidade. — O objeto deste segundo livro é o estudo das doutrinas religiosas da Índia. — Numerosas diferenças entre as mitologias das diversas nações. — Impossibilidade de compará-las entre si; por isso, o segundo livro será apenas uma exposição sintética do pensamento oriental. — Gradação dos sistemas.
Capítulo II. Sistema da transmigração das almas e da emanação.
Esta doutrina está consignada no primeiro livro das leis de Manou, e melhor ainda na Mimansa. — Diferença essencial entre o sistema de emanação e o panteísmo, sobretudo quanto ao problema do bem e do mal. — Poesia do sistema de emanação. — Em todas as ficções que se ligam a este sistema, reencontra-se uma lei de degradação constante; o conhecimento do verdadeiro Deus na pessoa de Brahma, ou o espírito eterno, e o dogma da imortalidade da alma, misturam-se às superstições desta doutrina. — Pelo que é impossível que ela seja um desenvolvimento do espírito humano. — Para explicá-la, deve-se considerá-la como uma revelação alterada; assim compreendido, o sistema da emanação é a passagem da concepção do ser perfeito àquela do ser imperfeito. — Deificação dos grandes homens. — Doutrina do retorno. — Estreita afinidade entre o sistema e a transmigração das almas. — Metempsicose entre os pitagóricos e diversos povos da antiguidade.
Capítulo III. Da astrologia e do culto selvagem da natureza.
O fatalismo contido no sistema de emanação desenvolve-se em um novo sistema. — Caráter da astrologia oriental que degenera em materialismo. — O culto da natureza ocupa o segundo lugar entre os sistemas orientais. — Como este culto sucedeu ao sistema da emanação. — Por que a adoração da natureza material é tão apavorante no Oriente. — Dogma do culto da natureza. — Mitigado pelos costumes da nação, é o espírito exterior da religião dos gregos e, por conseguinte, dos romanos. — Poesia do materialismo oriental.
Capítulo IV. A doutrina de dois princípios.
Oposição deste sistema aos dois precedentes; suas relações com o idealismo europeu. — As dificuldades levantadas contra este sistema podem explicar-se admitindo a reconciliação futura dos dois princípios. — Superioridade desta doutrina sobre os outros sistemas orientais; ela se prende à própria ação da vida. — Os elementos da natureza e os heróis são os objetos do culto neste sistema que fornece à mitologia indiana sua parte mais bela: a encarnação do deus Rama. — Moralidade da doutrina dos dois princípios, sua influência sobre as mitologias da antiguidade; ela não é apenas poética, mas também muito filosófica. — Hipóteses sobre os diferentes sistemas que podem ligar-se a ela. — Causa dos erros e das superstições que dela saíram.
Capítulo V. O panteísmo.
Este sistema é o último dos sistemas orientais, constituindo a transição da filosofia oriental para a da Europa. — Caráter terrível do panteísmo tomado a sério; seu efeito sobre as imaginações fortes e as organizações mais fracas. — Sistema numeral da China explicado no livro antigo do Y-King. — Criação de todas as coisas pela combinação do perfeito e do imperfeito; tudo provém da unidade pela díade e pela tríade. — O panteísmo deve ser também uma combinação do ser e do nada. — Pode-se, portanto, considerá-lo como uma degeneração do dualismo. — Hipóteses sobre as diferentes filosofias da Índia, tais como a Sankhya, a Mimansa e a Nyaya. — Doutrina Vedanta. — Divisão da literatura indiana em quatro épocas gerais: a primeira produz os Vedas e o código de Manou; a segunda, o Ramayana e o Mahabharata; a terceira, os Puranas; a quarta, as obras de Kalidasa. — Resumo do segundo livro. — Degeneração dos sistemas desde a emanação até o panteísmo, que ocupa o grau mais baixo.
