rosset:1999:2
2 Identidade de empréstimo
ROSSET, Clément. Loin de moi: étude sur l’identité. Paris: Editions de Minuit, 1999.
- A insuficiência ontológica da identidade pessoal encontra seu paliativo mais comum na aquisição de uma identidade de empréstimo, pois somente pela imitação de outro a personalidade consegue constituir-se desde a infância, quando uma figura geralmente parental funciona como tutor e fornece o modelo capaz de unificar tendências dispersas na estrutura aparente de um eu.
- A máxima atribuída a Ravel, segundo a qual se deve copiar e verificar se ainda assim se permanece sendo si mesmo, pode ser generalizada psicologicamente como princípio da constituição da personalidade.
- A imitação não apenas confirma uma existência já constituída, mas participa originariamente de sua própria formação, de modo que aqueles que servem de modelos começam por constituir o eu que posteriormente parece autônomo.
- A imitação do outro tende a prolongar-se na idade adulta, pois aquele que formou o eu deve continuar influenciando-o como o Deus cartesiano da criação contínua deve sustentar incessantemente o mundo; quando uma influência cessa, outra costuma substituí-la, modificando mais ou menos profundamente um eu que permanece sempre de empréstimo.
- A incapacidade de existir por si mesmo conduz à apropriação da identidade de outro, cujo eu é adotado como próprio.
- Esse processo comporta um paradoxo semelhante ao do dicionário, no qual cada palavra é definida por outra que remete sucessivamente a outras palavras ou retorna ao ponto inicial.
- Como o modelo imitado possui ele próprio uma identidade recebida de outro, constitui-se uma cadeia potencialmente infinita na qual x imita y, y imita z e assim sucessivamente.
- René Girard figura entre os autores modernos que mais explicitamente contestaram a autonomia do eu, considerando-a uma ilusão de origem cartesiana associada à “mentira romântica”, enquanto a verdade romanesca revelaria a dependência constante do indivíduo em relação a outra pessoa tomada como modelo, sobretudo por meio do “mediador do desejo”, cujas escolhas e desejos são imitados.
- Só se deseja aquilo que um outro prestigioso deseja, como Dom Quixote só consegue admirar aquilo que Amadis de Gaula admira, e essa ausência de autonomia do desejo manifesta uma ausência mais radical de autonomia do próprio eu.
- Se o indivíduo não consegue desejar por si mesmo, falta-lhe precisamente a liberdade de escolhas, decisões e desejos que permitiria sustentar a existência de um eu autônomo.
- Dom Quixote renuncia não apenas a uma prerrogativa individual, mas à própria ilusão de individualidade e identidade pessoal.
- Mesmo Merlin, invocado para explicar os fracassos e danos causados pelas aventuras quixotescas, constitui uma influência secundária dependente, em última instância, do universo de Amadis de Gaula.
- O “Hamlet do distrito de Stchigry”, personagem de Memórias de um caçador, de Turguêniev, reconhece que sua vida inteira consiste em imitar os autores lidos e cumprir como uma lição prescrita atos como estudar, amar e casar-se, mas sua alegação de ter realizado tudo isso “contra a própria vontade” revela uma dificuldade decisiva.
- As escolhas feitas sob pressão social não contrariam uma vontade pessoal anterior, porque nenhuma vontade autônoma diferente daquela fornecida pelo entorno chega a manifestar-se.
- Seria mais preciso afirmar que o personagem se casou na ausência de vontade própria, assim como um trem segue até a estação seguinte quando nenhuma bifurcação lhe permite escolher outra direção.
- O alegado “defeito congênito de originalidade” não constitui uma singularidade desse personagem, mas uma condição generalizável, assim como a ausência de identidade pessoal seria comum a todos.
- A percepção de ser nulo, insignificante e banal diante do espelho pode, portanto, ser estendida universalmente a qualquer indivíduo que procure em si uma originalidade pessoal autônoma.
- O eu só pode existir a partir do outro e por intermédio dele, pois o apoio fornecido pelo outro garante tanto sua formação quanto sua sobrevivência; em Freud, esse apoio participa primordialmente da constituição da identidade sexual, enquanto em Lacan e em leituras inspiradas por ele a questão mais fundamental é a constituição da identidade em sentido geral.
- A perspectiva que privilegia a identidade não contradiz necessariamente aquela que privilegia a sexualidade, mas possui alcance mais amplo por concernir à própria possibilidade de constituir um eu.
- A diferença entre Freud e Maupassant pode ser esquematizada pela primazia concedida respectivamente à sexualidade e à identidade, sem que seja necessário torná-las concepções incompatíveis.
- O apoio mediante o qual se constitui uma identidade de empréstimo apresenta-se sob duas formas distintas, determinadas pela natureza daquele que exerce a função de tutor.
- Na primeira forma, o tutor é parental ou assimilável a uma figura parental, podendo ser qualquer pessoa que tenha cuidado do indivíduo, se interessado por seu destino ou adquirido sobre ele prestígio suficiente para tornar-se modelo de pensamentos e ações.
- Amadis de Gaula exerce sobre Dom Quixote essa função de tutor universal, orientando aquilo que ele pensa e faz.
- A análise lacaniana descreve a alienação constitutiva do eu em relação ao tutor, inclusive quando o modelo inicial parece ser o próprio indivíduo, pois a imagem de si captada no espelho já depende de uma exterioridade.
- O eu recebe sua substância do “tu”, como indica a fórmula segundo a qual a identidade conjugal se confirma menos pela afirmação “sou teu marido” do que pela atribuição “tu és minha mulher”.
- A coqueteria fornece, em Girard, um caso de mediação recíproca no qual A ama a si mesmo imitando B, que o ama, enquanto B ama A imitando o amor que A dirige a si próprio.
- Tanto a pessoa coquete quanto o amante dependem inteiramente um do outro, e o conflito entre ambos deriva menos de diferenças incompatíveis que de uma excessiva semelhança produzida pela imitação mútua.
- O desespero do amante e a coqueteria da pessoa amada crescem conjuntamente porque um mesmo desejo circula entre ambos e cada sentimento é copiado do outro.
- Relações de amizade aparentemente fundadas em gostos e interesses comuns podem igualmente esconder uma estrutura assimétrica na qual um dos amigos permanece subjugado pelo outro.
- Bouvard e Pécuchet oferecem um exemplo literário dessa possibilidade de forte ligação entre indivíduos cuja afinidade profunda é menor do que parece à primeira vista.
- Na segunda grande forma de identidade de empréstimo, o tutor é amoroso, pois o sentimento de ser amado por quem se ama produz imediatamente a impressão de simplesmente ser e de possuir uma identidade pessoal cuja existência o amor recebido parece revelar, permitindo reformular o cogito cartesiano como “sou amado, logo existo”.
- Nas Paixões da alma, Descartes descreve o amor a partir da impressão natural de que cada indivíduo é incompleto e constitui apenas metade de um todo, de modo que a aquisição da metade faltante aparece como o maior dos bens imagináveis.
- O amor assume por isso efeitos particularmente extraordinários e se torna matéria privilegiada de romancistas e poetas.
- A imagem do ser humano como metade que procura a parte perdida já se encontra no Banquete de Platão, no mito de Aristófanes, no qual os seres originalmente inteiros foram divididos por Zeus e passaram a experimentar o amor como busca da unidade desfeita.
- A expulsão bíblica do paraíso pode ser aproximada dessa mesma estrutura, na medida em que a solidão aparece como perda de uma identidade anteriormente compartilhada.
- Estar sozinho não significaria, nessa perspectiva, regressar a si próprio, mas ser expulso de uma identidade real e perdida.
- A metáfora da “metade da laranja”, presente de formas variadas em numerosas culturas, exprime popularmente essa concepção.
- O amor correspondido reconstrói simbolicamente a identidade perdida e proporciona uma oportunidade privilegiada de experimentar aquilo que se imagina como identidade pessoal ou pré-identitária.
- O chamado “dom de si” amoroso opera, assim, em sentido inverso ao habitual, pois não consiste primordialmente em entregar-se ao outro, mas em receber, por intermédio dele, um eu que antes não se possuía.
- Como ambos podem experimentar simultaneamente essa recuperação imaginária de si, a ilusão tende a ser recíproca, e cada participante constrói sua própria identidade por meio da presença do outro.
- A frase “Quando um de nós dois morrer, irei morar no campo” resume ironicamente a reciprocidade dessa estrutura amorosa, pois tanto o marido quanto a esposa poderiam formulá-la simultaneamente e considerar sua própria continuidade assegurada mesmo mediante o desaparecimento do outro.
- A construção amorosa do eu realiza-se, assim, em certa medida à custa do parceiro, na medida em que cada um utiliza o outro como sustentação de sua própria identidade.
- Além da metáfora da metade perdida, Descartes também descreve o amor mediante a ideia de outro eu, ou alter ego, isto é, uma pessoa imaginada como possível continuação ou duplicação de si mesmo.
- O alter ego sugere mais a figura do duplo que a da metade complementar e parece adequar-se espontaneamente à amizade tanto quanto ao amor.
- A semelhança e a complementaridade, contudo, misturam-se frequentemente de maneira inseparável nas relações afetivas.
- As disposições homossexual e heterossexual não constituem, nessa perspectiva, estruturas absolutamente opostas, pois ambas podem ser compreendidas como modalidades de uma mesma busca de recomposição identitária.
- No mito aristofânico, as metades que recompõem os seres originários podem ser semelhantes ou diferentes e formar tanto pares homossexuais quanto heterossexuais.
- Amor e amizade constituem, portanto, formas de um mesmo processo de reunificação, ora pela união com o semelhante, segundo o princípio do alter ego, ora pela união com o diferente, segundo o princípio da complementaridade.
- O essencial do mito permanece a ideia de que o amor coincide com a reconstituição de uma identidade anteriormente fragmentada, tornando inseparáveis amor e formação da identidade pessoal.
- O amor pode ser experimentado primordialmente como segurança, conforto e proteção, isto é, como a sensação de que tudo está bem, de que há provisões suficientes e de que se dispõe de um lugar tranquilo, concepção condensada na imagem de “uma moça para o verão”.
- Embora pouco romântica e distante da concepção platônica do amante como ser sempre carente e em busca do que lhe falta, essa representação articula amor, felicidade, posse e identidade.
- O amor identifica-se primeiramente com a felicidade.
- Essa felicidade depende sobretudo do sentimento de ser amado, e não apenas do fato de amar.
- O sentimento de ser amado fornece a impressão de possuir finalmente um eu próprio e uma identidade pessoal.
- A definição espinosana do amor como alegria acompanhada da ideia de uma causa exterior exprime a associação entre amor e felicidade.
- A “surpresa do amor” em Marivaux consiste menos em descobrir que se ama do que em perceber inesperadamente que se é amado.
- A experiência de ser amado fornece uma garantia existencial: se alguém me ama, então há aparentemente um eu que pode ser objeto desse amor.
- Em sentido psicológico, a fórmula cartesiana “penso, logo existo” pode, portanto, ser substituída por “tu me amas, logo existo”.
- A interrupção involuntária da relação amorosa confirma inversamente essa dependência, pois costuma desencadear uma crise de identidade.
- Uma terceira forma de identidade de empréstimo manifesta-se na identificação com animais, fenômeno encontrado tanto em sociedades tradicionais, como entre os Aissaouas de Meknès que podem identificar-se com leões ou tigres, quanto em exemplos literários europeus.
- La Bruyère descreve Diphile como alguém cuja obsessão por aves invade progressivamente toda a existência, até o ponto de ele sonhar que se torna pássaro, cria penacho, gorjeia, empoleira-se, muda de penas e choca ovos.
- Essa metamorfose imaginária pode ser aproximada, ainda que ironicamente, das teorias deleuzianas dos “devires-animais”.
- O sentimento de ser alguém encontra-se intimamente ligado ao sentimento de ter alguém ou alguma coisa, porque o objeto inicialmente desejado deixa de ser experimentado primordialmente como falta quando passa a ser considerado possuído, embora continue sendo amado.
- No Banquete, Sócrates conduz Agatão à conclusão de que, se amar equivale a desejar, amar implica carecer daquilo que se deseja.
- O objeto que sustenta efetivamente a identidade de empréstimo, entretanto, já não é apenas desejado, pois consiste na certeza de ser amado por quem se ama e, portanto, em algo considerado adquirido.
- A posse amorosa funciona como provisão destinada a garantir a continuidade da própria existência, de maneira análoga à segurança fornecida por reservas materiais.
- Descartes chega a descrever a conquista amorosa como “aquisição”, enquanto Harpagão, em O avarento, identifica de tal maneira amor e posse que fala de sua caixa de dinheiro como se falasse de uma amante.
- A mesma estrutura une posse e identidade pessoal, pois o desaparecimento daquilo que se possui ameaça imediatamente a certeza de quem se é.
- Ao descobrir o desaparecimento de sua caixa, Harpagão declara estar com o espírito perturbado e já não saber onde está, quem é ou o que faz, exprimindo diretamente a passagem da perda do objeto possuído para a perda da própria identidade.
- Em Andrômaca, de Racine, Orestes, repelido definitivamente pela mulher que ama após ser coberto de insultos, experimenta igualmente sua desorientação como dúvida acerca da própria identidade.
- Orestes interroga-se sobre aquilo que vê e sobre se a figura diante dele é realmente Hermione, revelando a ruptura de suas coordenadas habituais.
- A pergunta sobre para quem corre o sangue que acaba de derramar mostra que os próprios atos já não conseguem fornecer-lhe um lugar estável.
- Ao aceitar provisoriamente a acusação de ser traidor e assassino, Orestes vê sua identidade submetida à definição que lhe é imposta pela pessoa amada.
- A pergunta sobre se Pirro está realmente morto e se ele próprio ainda é Orestes culmina a associação entre perda amorosa e colapso da certeza de si.
- A perda do objeto amado e considerado possuído provoca o naufrágio de uma identidade tomada erroneamente como bem pessoal, mas que dependia inteiramente do amor de outra pessoa.
- O indivíduo abandonado entra então num estado de desorientação caracterizado pela ausência de situação, como ocorre com Harpagão, Orestes ou outras figuras que perdem o suporte exterior de sua identidade.
- André, em Tan callando, de Valéry Larbaud, vive a interrupção de sua relação amorosa como queda para fora do mundo, comparável a cair de uma montanha, de um trem ou de um navio em movimento.
- Monsieur Parent, de Maupassant, constitui um exemplo extremo porque sua identidade íntima parece depender inteiramente da esposa Henriette, do filho Georges e do amigo Limousin, todos considerados fontes de amor e componentes simultâneos de seu ser e de seu ter.
- A descoberta de que a esposa se casara apenas por dinheiro, mantinha relação com Limousin e que este era o verdadeiro pai de Georges destrói de uma só vez toda a estrutura de identidade que sustentava Monsieur Parent.
- Depois de expulsar sua falsa família, ele permanece privado de qualquer pessoa que confirme sua existência pessoal.
- Como sua condição de rentista também o dispensa de uma atividade profissional capaz de fornecer-lhe uma função social consistente, passa cerca de vinte anos ocupado apenas em não ser ninguém.
- O aspecto mais significativo dessas falências consiste na fusão entre o sentimento de não possuir mais nada e o sentimento de não ser mais nada, como se a perda da identidade de empréstimo reconduzisse o indivíduo à mera identidade social anterior.
- A identidade social continua existindo, mas já não é amparada pela crença numa identidade pessoal e pré-identitária subjacente.
- Daí resulta uma sensação simultânea de leveza dolorosa, peso e irrealidade, semelhante em grau agravado àquela observada na psicose melancólica.
- O indivíduo pode então prosseguir mecanicamente nos rituais da vida social como um autômato, comparável a um corpo morto no qual algumas atividades reflexas ainda continuassem funcionando.
- O colapso de uma identidade de empréstimo pode chegar a produzir uma perda de identidade em sentido clínico, como a loucura de Harpagão ou Orestes, a identificação integral de Diphile com um pássaro ou a amnésia total, fenômenos que aparentemente poderiam contestar a tese de que não existe identidade pessoal.
- O paradoxo megárico do Cornudo afirma falaciosamente que se possui tudo aquilo que não se perdeu e, como alguém nunca perdeu chifres, deveria possuí-los.
- A inversão do argumento possui, entretanto, força real: só pode ser perdido aquilo que anteriormente se possuía.
- A possibilidade de perder a identidade poderia, portanto, parecer demonstrar que uma identidade pessoal realmente existia antes da perda.
- A resposta consiste em distinguir aquilo que efetivamente se perde: não uma identidade pessoal ou pré-identitária, mas a identidade social, única suficientemente real para poder desaparecer.
- O fantástico permite imaginar outra modalidade de perturbação identitária na qual a identidade social permanece intacta apesar de uma modificação corporal parcial, como ocorre em A bela imagem, de Marcel Aymé, cujo protagonista conserva sua história social enquanto seu rosto inexplicavelmente se torna mais jovem e sedutor.
- Raoul Cérusier procura aproveitar a transformação ao mesmo tempo que protege as aparências sociais, sobretudo diante da esposa.
- A existência simultânea de dois registros corporais ameaça fazer surgir publicamente dois personagens incompatíveis e, por isso, exige a reconstrução de uma aparência social coerente.
- A narrativa evidencia a fragilidade de uma identidade fundada no consenso coletivo e na confiança concedida a documentos e fotografias de identificação.
- Situação semelhante aparece em O coronel Chabert, de Balzac, cujo protagonista não consegue fazer reconhecer sua identidade social verdadeira por não possuir documentos capazes de comprovar sua história extraordinária.
- A dupla identidade de Raoul Cérusier permite aproximar a ficção fantástica dos problemas da dupla personalidade e das chamadas personalidades múltiplas, nas quais uma personalidade considerada básica seria fragmentada em diferentes configurações comportamentais.
- A dupla personalidade aproxima-se da representação de uma cisão esquizofrênica do eu, como nas figuras do ventríloquo de No coração da noite ou da menina de O exorcista.
- A personalidade múltipla pode ser interpretada antes como sucessão de diferentes formas de apresentação de caráter histérico.
- Em ambos os casos, aquilo que se evidencia é uma perturbação mais ou menos profunda da personalidade social.
- Nenhuma dessas perturbações fornece, entretanto, informação sobre uma suposta identidade pessoal escondida atrás da identidade social afetada.
- A identidade de empréstimo é falsa na medida em que não exprime um fundo pessoal próprio, mas ao mesmo tempo fornece informações efetivas sobre a identidade social daquele que a assume, pois o simples fato de precisar tomar de outro os materiais necessários à constituição de si revela a carência originária de qualquer identidade pessoal.
- A noção contemporânea de “verdadeiro-falso” permite caracterizar essa estrutura: documentos podem ser falsos quanto à pessoa cuja identidade apresentam e verdadeiros quanto à autoridade legítima que os produziu.
- Da mesma maneira, a personalidade de empréstimo é falsa por não proceder de um fundo individual autônomo, mas verdadeira por derivar de uma pessoa real cujos modos, gestos e comportamentos são efetivamente apropriados.
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