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Fundação das Ciências do Espírito

WDSF

  • Natureza das ciências do espírito e seu objetivo
    • Ciências do espírito formam uma conexão cognitiva que visa ao conhecimento objetivo da concatenação das vivências humanas no mundo histórico-social.
    • Luta constante com dificuldades metodológicas, superadas gradualmente, aproximando-se do fim de uma compreensão objetiva.
    • Investigação sobre a possibilidade de tal conhecimento objetivo constitui o fundamento das ciências do espírito.
  • Conhecimento histórico como conexão de valor e sentido, não como cópia da realidade
    • Mundo histórico não é uma cópia de uma realidade externa; conhecer está ligado aos meios próprios da intuição, compreensão e pensamento conceitual.
    • Ciências do espírito não buscoproduzir uma cópia, mas reconduzir o acidental e o singular a uma conexão de valor e de sentido.
    • Conhecimento histórico aproxima-se de seu objeto com base em ciências analíticas que estudam conexões singulares de finalidade.
  • Condição para compreender a história das ciências do espírito
    • Compreensão do processo de desenvolvimento dessas ciências permite reconhecer a relação das ciências particulares com a coexistência e sucessão das vivências.
    • Objetivo: tornar compreensível, em sua totalidade, a conexão de valor e sentido subjacente à coexistência e sucessão das vivências.
    • Cada época considera o mundo histórico a partir de sua disposição de consciência e horizonte; desenvolvimento das ciências do espírito exige autorreflexão lógica e gnoseológica.
  • Tarefa, método e ordenamento da fundação
    • Impossibilidade de usar procedimento diverso do empregado na fundação do saber em geral.
    • Ausência de uma teoria do saber universalmente reconhecida exige extrair dos princípios filosóficos uma conexão que satisfaça a fundação das ciências do espírito.
    • Fundação deve referir-se a todas as classes de saber: conhecimento da realidade, posição de valores, determinação de fins, formulação de regras.
  • Ampliação necessária da fundação a todas as classes do saber
    • Ciências particulares do espírito constituem-se com base no saber relativo a fatos, verdades universais, valores, fins e regras.
    • Vida histórico-social humana procede continuamente da apreensão da realidade a determinações de valor, e daí à posição de fins e formulação de regras.
    • História representa processos mediante seleção guiada por estimativa de valor; ciências sistemáticas da cultura lidam com conexões de finalidade que se realizam em ações regradas.
    • Economia política funda-se na teoria do valor; ciência jurídica enfrenta problemas de relação entre valoração, formulação de regras e conhecimento da realidade.
  • Função do pensamento e da filosofia frente à vida
    • Pensamento visa captar relações necessárias e universais contidas nas realidades da vida, partindo do singular e acidental.
    • Filosofia é a energia suprema dessa tomada de consciência: consciência de toda consciência, saber de todo saber.
    • Função da filosofia: conduzir a reflexão científica sobre a vida mediante conexão, generalização e fundação.
    • Autorreflexão filosófica enfrenta problema do vínculo do pensamento a formas e regras, e da coação interna que liga o pensamento ao dado.
  • Tarefa da teoria do saber como autorreflexão filosófica
    • Teoria do saber responde à questão de se e como é possível o saber.
    • Caráter mais geral do saber: necessidade objetiva, que envolve evidência dos processos de pensamento corretos e caráter de realidade intrínseco à vivência ou à percepção externa.
  • Método de fundação: análise da conexão de finalidade
    • Método consiste em retornar da conexão de finalidade voltada à produção do saber objetivamente necessário às condições de seu alcance.
    • Análise difere da psicológica: psicólogo investiga como se configura a conexão psíquica que origina juízos; teoria do saber indaga se as formas de atitude conseguem realmente seu fim.
    • Caráter subjetiva e imanentemente teleológico da conexão psíquica: tendência a um fim repousa na própria estrutura.
  • Ponto de partida: descrição dos processos que geram o saber
    • Teoria do saber requer relação com as vivências do processo cognitivo onde o saber surge.
    • Conceitos psicológicos preliminares devem ser descrição e decomposição do conteúdo imediatamente vivido nos processos cognitivos.
    • Trabalho descritivo preliminar é tarefa próxima da teoria do saber, como fenomenologia do conhecer.
  • Necessidade de descrição que abranja todos os campos do saber
    • Descrição depende de compreender o saber em todos os seus campos; ideal é um olhar proporcional às diversas conexões do saber.
    • Método comparativo na teoria do saber permite analisar formas e leis do pensamento até dissipar aparência de subordinação do material da experiência à aprioridade de formas.
    • Operações do pensamento discursivo podem ser resolvidas, em seus fundamentos de legitimidade, em operações elementares, função dos signos e conteúdo das vivências.
  • Posição da descrição no conjunto da fundação
    • Descrição move-se inteiramente nos pressupostos da consciência empírica, sem afirmar nada sobre realidade do mundo externo.
    • Interesse principal está nas relações entre operações, sua dependência de condições de consciência e elementos dados.
    • Caráter subjetivo e imanentemente teleológico da conexão psíquica constitui fundamento para seleção de um saber válido.
  • Conceitos descritivos preliminares: a estrutura psíquica
    • Curso empírico da vida psíquica é constituído por processos que formam um desenvolvimento, produzindo uma conexão psíquica cada vez mais determinada.
    • Esta conexão adquirida condiciona atenção, apercepções, reprodução de representações, surgimento de sentimentos, desejos, decisões.
    • Distinção entre regularidades cuja forma de conexão é vivida e regularidades inferidas, análogas a leis da natureza externa.
  • Estrutura psichica como disposição de conexão interna
    • Estrutura psíquica é disposição pela qual, na vida psíquica desenvolvida, fatos psíquicos de qualidade diferente são regularmente ligados por relação interna imediatamente vivida.
    • Difere de uniformidades de mudança: estrutura é disposição onde partes estão relacionadas em um todo; uniformidades são regras de mudança.
    • Relações internas fundamentam-se na atitude psíquica como tal; tipo de relação e forma de atitude correspondem-se.
  • Importância da teoria da estrutura para as ciências do espírito
    • Teoria da estrutura constitui parte principal da psicologia descritiva e fundamento das ciências do espírito.
    • Relações internas, conexão estrutural e sua relação com o desenvolvimento são determinantes para toda construção das ciências do espírito.
    • Objeto e modo da datidez decidem sobre o procedimento lógico; ciências do espírito lidam com dado inexistente nas ciências da natureza.
  • Aprendizado da estrutura psíquica através da expressão e compreensão
    • Saber sobre conexões estruturais manifesta-se na linguagem, compreensão de outras pessoas, literatura.
    • Fundamenta-se finalmente na vivência; inferências retrospetivas partem das expressões à vivência.
    • Psicologia da estrutura deve formular juízos que reproduzam vivências estruturais com consciência de adequação.
    • Hermenêutica de todo movimento espiritual funda-se em relações estruturais regulares presentes nas manifestações da vida espiritual.
  • Dificuldade de determinar vínculo entre saber estrutural e vivência
    • Vivência raramente permanece presente à observação interna; elevamos a vivência à consciência distinta de modos diversos.
    • Grandes poetas e espíritos religiosos expressam riqueza do sentimento e revelam relações estruturais.
    • Psicólogo deve distinguir cuidadosamente vivência, auto-observação e reflexão sobre vivências.
  • Unidades estruturais: atitude e conteúdo
    • Vivências contêm um conteúdo distinguível, mas muitas podem não conter relação interna entre ato e objeto.
    • Unidade estrutural: relação interna entre atitude e conteúdo, fundada na regularidade da atitude.
    • Atitude e conteúdo são distinguíveis, mas unidos na vivência; mesma atitude pode referir-se a conteúdos diferentes, mesmo conteúdo a atitudes diferentes.
  • Referência ao eu e relação com a conexão psíquica
    • Vivência pode referir-se a um eu que se atitude, mas isso não é regra; quanto mais orientação para objetividade, menos o eu é observado.
    • Do ponto de vista da reflexão, relação da atitude com o que se atitude torna-se inevitável.
    • Reflexão coloca nova vivência em relação com conhecimento de uma conexão psíquica à qual pertence, constituindo o eu ou sujeito.
  • Conexão estrutural entre unidades estruturais
    • Relações internas entre atitude e conteúdo constituem caso mais simples de estrutura psíquica.
    • Vivências com mesma atitude perante certos conteúdos apresentam relações fundadas na natureza das formas de atitude.
    • Formas de atitude entre si estão em relações internas, formando totalidade composta: conexão psíquica estrutural.
    • Estrutura entrelaça perceber, sentir, querer em conexões, unindo diversas relações internas na totalidade de um processo.
  • Modos de relação estrutural e princípio de ordenamento
    • Multiplicidade de conteúdos é ilimitada; atitudes também são indeterminadas em número.
    • Modificações da atitude não derivam de mudança de conteúdo; mesma atitude pode permanecer.
    • Princípio de ordem na multiplicidade da atitude reside na distinção dos modos de relação interna ou estrutural.
    • Aplicação desse princípio ao conteúdo psíquico dado é necessária para avançar na compreensão.
dilthey/fundacao-ciencias-espirito.txt · Last modified: by mccastro

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