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CREDULIDADE E INCREDULIDADE NA ERA SECULAR
TAYLOR, Charles. A secular age. First Harvard University Press paperback edition ed. Cambridge, Massachusetts London, England: The Belknap Press of Harvard University Press, 2018.
- A explicitação das condições de experiência mostra-se mais difícil do que aparenta, em parte porque a atenção comum se fixa na crença como conteúdo e não no quadro que a torna possível.
- A curiosidade ordinária e as tensões públicas concentram-se na questão do que as pessoas creem e praticam, bem como na direção das tendências estatísticas de crença.
- A controvérsia sobre a secularidade pública frequentemente deriva para a questão de como regimes secularistas tratam grupos religiosos e não religiosos, seja por suposta marginalização de cristãos crentes, seja por estigmatização de grupos antes invisibilizados.
- O campo social, desse modo, tende a reduzir a análise do secular ao registro sociológico da adesão e do comportamento, obscurecendo o nível do contexto de inteligibilidade em que crer ou não crer se torna plausível.
- A centralidade do tema da crença é reforçada por uma característica interna do cristianismo e por uma narrativa típica da secularização.
- O cristianismo define-se historicamente em relação a enunciados credais, o que favorece a leitura do religioso como conjunto de proposições a serem aceitas.
- A secularização entendida como declínio da crença cristã costuma ser explicada como efeito do crescimento de crenças concorrentes na ciência e na razão, ou ainda como consequência de resultados de ciências particulares.
- Teorias como a evolução ou explicações neurofisiológicas do funcionamento mental são apresentadas como motores de deslocamento da fé.
- A mudança de foco para as condições de crença, de experiência e de busca é motivada por uma insatisfação com a explicação que reduz a secularização ao mecanismo ciência refuta religião.
- A suposta passagem direta de resultados científicos para refutações da religião não se mostra logicamente convincente.
- Ainda que pessoas descrevam sua perda de fé nesses termos, essa autodescrição não constitui, por si só, uma explicação suficiente do abandono efetivo da fé.
- Argumentos ruins podem desempenhar função em explicações psicológicas ou históricas, mas a forma específica desses argumentos exige elucidação adicional.
- A alternativa rígida entre fundamentalismo e ateísmo deixa de lado possibilidades intermediárias, e o problema central torna-se compreender por que tais vias não foram percorridas.
- A explicação mais profunda é localizada no nível das condições que moldam o campo do crível e do possível, e não na força demonstrativa de um argumento isolado.
- A análise desloca o eixo da oposição crença e incredulidade de teorias rivais para modos de vida e estruturas de experiência vivida.
- Crença e incredulidade não são tratadas primariamente como explicações concorrentes da existência ou da moralidade.
- O foco recai sobre o que significa viver como crente ou como não crente, isto é, sobre a textura da experiência moral e espiritual em cada caso.
- As alternativas são descritas como maneiras de viver a vida moral e espiritual no sentido mais amplo.
- A vida humana é descrita como portadora de uma forma moral e espiritual, na qual se identifica um lugar de plenitude que orienta a existência.
- Em alguma atividade, condição ou modo de ser, a vida aparece como mais plena, mais rica, mais profunda e mais digna.
- Essa plenitude pode ser vivida como lugar de poder, capaz de mover, inspirar e transformar.
- Muitas vezes ela é intuída apenas à distância, como pressentimento de paz, inteireza, integridade, generosidade, abandono de si ou esquecimento de si.
- Em certos casos, porém, há momentos efetivos de alegria e realização em que a pessoa se sente presente nessa plenitude.
- Um exemplo autobiográfico ilustra a plenitude como experiência que rompe a percepção ordinária do mundo.
- Uma sequência de impressões naturais, canto de pássaros, florescimento, pôr do sol, desencadeia surpresa e choque.
- O mundo cotidiano é percebido como atravessado por uma densidade que suscita reverência e temor.
- A experiência inclina a gestos de adoração e sugere a proximidade do divino como estrutura interpretativa imediata.
- A plenitude aparece aqui como irrupção que desestabiliza o regime habitual de objetos, atividades e referências.
- A plenitude pode também ocorrer sem experiências-limite, por meio de reordenação interior que dissolve divisões e bloqueios.
- Há momentos em que preocupações, tristezas e dispersões são alinhadas, produzindo unidade e energia.
- Aspirações e forças vitais deixam de se neutralizar e passam a reforçar-se.
- Essa forma de plenitude é interpretada como esclarecimento de um modo de integração psíquica e prática.
- Experiências de plenitude orientam a vida porque oferecem algum sentido de seu objeto, mas essa orientação é frequentemente enigmática e inquietante.
- A plenitude pode ser compreendida como presença de Deus, voz da natureza, força que atravessa tudo, ou alinhamento interno de desejo e forma.
- A origem da experiência pode permanecer obscura, lacunar e confusa, gerando perplexidade junto com comoção.
- A busca de articulação é descrita como luta por dizer o vivido.
- Quando a articulação é alcançada, ainda que parcialmente, ocorre sensação de alívio e intensificação, como se o poder da experiência crescesse ao ganhar foco.
- A orientação moral e espiritual inclui um vetor negativo, no qual domina a experiência de ausência e exílio em relação à plenitude.
- A pessoa pode viver sobretudo a distância, a incapacidade de alcançar o lugar de plenitude.
- Surge a experiência de impotência, confusão e estados como melancolia e tédio.
- O caráter terrível dessa condição reside em perder não apenas a plenitude, mas a capacidade de reconhecer onde ela estaria ou em que consistiria.
- Permanece, contudo, a dor da perda, que pode tornar-se ainda mais aguda.
- A tradição oferece figuras mais extremas do exílio, como danação e cativeiro, nas quais a negação da plenitude assume formas imaginárias terríveis.
- A exclusão definitiva é vivida como merecida e irrevogável.
- Imagens de monstruosidade corporificam a negação da plenitude.
- O cativeiro em formas degradantes funciona como simbolização sensível do anti-pleno.
- Além da plenitude e do exílio, descreve-se uma condição intermediária estabilizada, frequentemente desejada, que busca escapar do vazio sem alcançar a plenitude.
- Essa condição depende de uma ordem estável, frequentemente rotineira, em que atividades têm significado.
- O significado pode ligar-se à felicidade ordinária, ao sentimento de realização, e à contribuição ao bem.
- O cenário exemplar combina vida familiar, vocação satisfatória e contribuição evidente ao bem-estar humano.
- A estabilidade do meio termo exige que a ordem cotidiana mantenha à distância o exílio e o tédio.
- Essa estabilidade exige também contato contínuo com a plenitude e sensação de movimento lento em sua direção, pois a renúncia total a ela desestabiliza o equilíbrio.
- A descrição do meio termo parece favorecer a posição crente, mas a análise introduz uma correção estrutural ao incluir modos de vida increntes.
- Para muitos increntes, a condição intermediária é o próprio fim da vida humana e não um estágio rumo a outra plenitude.
- A excelência humana consiste em viver bem e plenamente nesse horizonte, sem referência a além.
- A crença em algo mais, como vida após a morte ou santidade inalcançável, pode ser vista como fuga que enfraquece a busca por excelência humana.
- A imagem de plenitude como lugar distinto pode ser enganosa no caso incrente, mas permanece uma analogia estrutural que justifica seu uso.
- O incrente aspira a uma vida plenamente satisfatória, em que todo o eu possa alegrar-se e encontrar objeto adequado.
- A aspiração indica que ainda não se está lá, seja por falhas nas significações constitutivas, seja por incapacidade de alcançar paz e completude mesmo quando as bases objetivas parecem presentes.
- Persiste, em muitos casos, alguma nostalgia por algo transcendente, ainda que rejeitada em tese.
- A ideia de lugar, nesse contexto, não remete a outro mundo, mas a um estado ainda não alcançado dentro do horizonte desta vida.
- A função dessas categorias, plenitude, exílio e meio termo, é compreender crença e incredulidade como condições vividas e não meramente como adesões teóricas.
- A oposição não se reduz a proposições, mas envolve formas de sensibilidade, orientação e experiência.
- A análise procura revelar o que muda na vida quando o sentido de plenitude, ausência e equilíbrio é vivido sob um enquadramento ou outro.
- Um contraste inicial, ainda demasiado próximo do plano das crenças, distingue crentes e increntes pelo tipo de referência requerida para explicar a plenitude.
- Para crentes, a plenitude exige referência a Deus ou a algo além da vida humana e da natureza.
- Para increntes, a plenitude é compreendida sem referência ao transcendente, como potencialidade humana sob leitura naturalista ou aberta.
- A exigência, contudo, é avançar além dessa descrição e captar diferenças de experiência vivida.
- Do lado crente, destacam-se temas recorrentes de recepção, relação e transformação do eu como condições para a plenitude.
- A plenitude é sentida como algo que vem, e não como algo simplesmente produzido.
- Ela é recebida em algo análogo a uma relação pessoal com um outro capaz de amor e doação.
- Aproximar-se da plenitude envolve práticas de devoção e oração, além de caridade e entrega.
- A distância em relação à plenitude é vivida como fechamento em si, vínculo a bens menores e incapacidade de abertura para receber e dar.
- A recepção não equivale a mera capacitação do eu atual, mas implica transformação e saída de si.
- Uma formulação alternativa, associada a tradições budistas, permite manter o eixo da transcendência do eu sem centralidade da relação pessoal.
- A relação pessoal deixa de ser o núcleo interpretativo.
- A ênfase recai ainda mais na superação do eu e na abertura para um poder que excede a auto-suficiência.
- A plenitude continua a exigir deslocamento para além do fechamento egocêntrico.
- Do lado incrente moderno, a fonte do poder para a plenitude é situada no interior, embora em variações significativas.
- Uma variante privilegia a natureza racional do ser humano, entendida como agência capaz de legislar para si.
- A forma kantiana apresenta o respeito reverencial pela capacidade de dar leis como experiência de elevação.
- A plenitude é concebida como a condição em que essa capacidade governa plenamente a vida.
- A receptividade aparece como admiração diante do poder da lei, mas sem recepção de fora, pois o poder é interno.
- A moralidade deve ser autônoma e não heterônoma, e a consciência dessa interioridade é parte do processo de plenitude.
- Uma extensão possível, descrita como feuerbachiana, interpreta a referência a Deus como projeção dessa potência interna, mas sem atribuir isso ao próprio Kant.
- Deus pode ser lido como exteriorização indevida do poder moral humano.
- A tarefa seria reapropriar essa potência como propriamente humana.
- Essa leitura reforça o eixo da interioridade como fonte do pleno.
- Há variantes naturalistas da interioridade que reduzem a liberdade radical e deslocam a razão para usos instrumentais, sem eliminar a admiração pela lucidez desenganada.
- A razão pode ser vista como limitada por instintos e exigências de sobrevivência.
- Ainda assim, ela é celebrada como poder crítico capaz de libertar da ilusão e de forças cegas.
- A plenitude é localizada no exercício da lucidez e na ação em favor do florescimento humano.
- Figuras como Copérnico, Darwin e Freud são invocadas como emblemas dessa razão desmistificadora.
- A grandeza moral pode ser vivida como coragem de encarar um universo hostil ou indiferente e instituir regras de vida.
- Existem modos increntes que rejeitam a autossuficiência da razão e recolocam a necessidade de recepção de poder, mas em chave imanente.
- A razão é descrita como estreita e potencialmente destrutiva quando ignora limites humanos e ecológicos.
- Uma crítica de tipo romântico ou ecológico aponta a necessidade de abertura a fontes mais profundas, situadas na natureza, nas profundezas interiores, ou em ambas.
- A divisão produzida pela razão desengajada deve ser curada, reaproximando pensamento de sentimento, instinto e intuição.
- Embora essa posição retome a primazia da recepção contra a autossuficiência, ela não assume transcendência e pode ser tão hostil à religião quanto o racionalismo que critica.
- Uma terceira família de perspectivas, associada a certos pós-modernismos, rejeita tanto a razão autossuficiente quanto consolos românticos, sem oferecer fonte externa de poder.
- Essas perspectivas atacam as pretensões de centro e unidade, sublinhando divisão, ausência e falta de plenitude.
- A plenitude pode ser tratada como sonho necessário para mínima inteligibilidade, mas sempre inalcançável.
- Apesar de parecerem fora da estrutura de plenitude, exílio e meio termo, elas extraem energia da coragem de enfrentar o irremediável e seguir adiante.
- A análise obtém avanços ao descrever crença e incredulidade como modos de viver a plenitude e ao diferenciar fontes de poder, internas ou externas, mas reconhece a necessidade de aprofundar o tema.
- A distinção dentro e fora não se esgota na localização metafísica da fonte, mas implica modos diferentes de sentir, receber, agir e ser transformado.
- As diferenças repercutem também na experiência do exílio e do meio termo.
- No contexto moderno, dizer que a plenitude vem de além de si tende a significar a melhor articulação possível de uma experiência moral e espiritual conflitiva, e não uma certeza sem resto.
- A visão teológica é apresentada como moldura que parece emergir de oração, momentos de plenitude e observação de vidas alheias.
- A certeza plena é rara, e a crença convive com dúvidas, objeções e experiências dissonantes.
- A presença de alternativas vividas por pessoas razoáveis e de boa vontade introduz inevitável instabilidade.
- A fé passa a ser vivida também como consciência de outras possibilidades, olhando de lado e por cima do ombro.
- Essa condição moderna explica por que crenças são frequentemente descritas como teorias, embora não possam ser reduzidas a isso.
- Teorias sugerem hipóteses mantidas sob incerteza à espera de evidência.
- O modo de vida espiritual, contudo, inflete a totalidade da experiência e não apenas o nível explicativo.
- Ainda assim, a pluralidade de configurações de plenitude e de exílio torna visível que a experiência pode ser vivida de formas diferentes.
- Em contraste, descreve-se uma condição anterior ou alternativa em que a configuração moral e espiritual é vivida como realidade imediata, sem distinção entre experiência e interpretação.
- Figuras de mal, possessão e cativeiro monstruoso não eram encaradas como hipótese explicativa, mas como objetos de medo real.
- A realidade do sofrimento e a experiência compartilhada no meio social impediam a distância reflexiva que tornaria essas figuras meras teorias.
- Exemplo contemporâneo em contexto africano mostra a mesma estrutura: a identificação espiritual pode ocorrer após a experiência, mas o acontecido é, antes de tudo, fato do mundo.
- A mesma imediaticidade vale para o polo positivo, em que aproximar-se da plenitude é simplesmente aproximar-se de Deus, sem competir com outras interpretações.
- O campo de escolhas se limita a maior devoção ou apego a bens menores.
- A alternativa entre devoção e mundanidade não se abre para construtos concorrentes de plenitude.
- A modernidade é descrita como erosão dessas formas fortes de certeza imediata, embora subsistam versões enfraquecidas em certos meios.
- Todos sabem que há mais de uma opção, mas em cada meio uma opção pode aparecer como a mais plausível por defeito.
- Mudanças de posição são possíveis, mas exigem ruptura e trabalho de transição.
- A plausibilidade por defeito organiza o campo das escolhas e molda o tipo de dúvida possível.
- A transformação ocidental é caracterizada como dupla passagem: do ingênuo ao reflexivo, e do primado da crença ao crescimento da presunção da incredulidade.
- A vida moderna exige navegação entre um ponto de vista engajado, em que se vive a realidade aberta pela própria posição, e um ponto de vista distanciado, em que se reconhece a posição como uma entre várias.
- Antes, a crença era opção por defeito mesmo entre os que conheciam o ateísmo; depois, em muitos meios, descrições increntes tornam-se a primeira plausibilidade.
- A incredulidade dominante tende a gerar teorias de erro grosseiras sobre a crença religiosa, reduzindo-a a medo, fraqueza ou culpa.
- A pluralidade de sociedades e meios impede generalizações uniformes, mas a hegemonia da presunção da incredulidade cresce em meios decisivos.
- Certos ambientes acadêmicos e intelectuais consolidam a incredulidade como padrão.
- A partir desses ambientes, a presunção pode irradiar-se para outros meios.
- O debate contemporâneo exige, portanto, situar crença e incredulidade no interior de regimes de plausibilidade vivida.
- A disputa entre crença e incredulidade requer compreensão do modo como construtos são vividos, seja ingênua, seja reflexivamente, e de como se tornam opções por defeito.
- A análise recusa tratar a disputa como mero confronto de teorias equivalentes sobre experiências comuns.
- Ela exige mapear assimetrias de posição, isto é, por que uma opção aparece como natural e outra como estranha em determinados meios.
- A diferença entre crer em 1500 e em 2000 é formulada como diferença de pano de fundo do não tematizado, e não apenas como mudança doutrinal.
- Mesmo com proposições credais idênticas, o modo de sustentá-las depende de um quadro tácito de pressupostos.
- Esse quadro permanece geralmente não formulado até que seja problematizado.
- O pano de fundo opera como condição de possibilidade silenciosa de pesquisa, ação e vida cotidiana.
- A passagem do ingênuo ao reflexivo é descrita como abertura de questões antes fechadas por pressupostos tácitos.
- Quando o pano de fundo é desestabilizado, aquilo que sustentava a prática torna-se objeto de dúvida.
- Essa quebra pode conduzir a compreensão mais plena ao explicitar o que antes era apenas pressuposto.
- A consciência do quadro revela sua relatividade e suas restrições, abrindo novas possibilidades de concepção e ação.
- A ruptura moderna do pano de fundo torna salientes distinções estruturantes como imanente e transcendente, natural e sobrenatural.
- Essas distinções são compreendidas tanto por quem afirma quanto por quem nega o segundo termo.
- A constituição de um nível independente chamado natureza, autossuficiente e eventualmente separado do além, é apresentada como peça decisiva do teorizar moderno.
- Essa forma de teorizar corresponde a uma dimensão constitutiva da experiência moderna, na qual a vida se organiza dentro de um horizonte imanente.
- A vinda de uma era secular no terceiro sentido é identificada com a mudança do pano de fundo que organiza a experiência e a busca de plenitude.
- O problema central é o deslocamento de uma cristandade em que se vivia ingênua e imediatamente dentro de um construto teísta para uma condição em que todos alternam entre engajamento e distanciamento.
- Essa condição inclui a transformação pela qual a incredulidade torna-se, para muitos, a opção por defeito.
- A tarefa proposta é descrever e, em parte, explicar essa transformação nos capítulos seguintes.
- A insistência em tratar a mudança como questão de experiência vivida pretende evitar simplificações opostas.
- Não se admite que a incredulidade seja apenas perda ou traição de qualquer sentido de plenitude.
- Não se admite que a crença seja apenas conjunto de teorias para explicar experiências cujo sentido real seria exclusivamente imanente.
- As opções diferem por credos, mas também por sensibilidades, formas de experiência e regimes de plausibilidade.
- A análise isola duas diferenças decisivas no nível da experiência e do pano de fundo, e vincula a elas a condição secular no terceiro sentido.
- A primeira diferença é a passagem de um quadro ingênuo para um quadro reflexivo, em que a posição religiosa ou não religiosa é reconhecida como uma entre várias.
- A segunda diferença é a diversidade efetiva de experiências do mundo entre crentes e increntes, na qual uma experiência de além pode irromper como fato vivido e depois ser articulada em crenças.
- A articulação pode ocorrer com atraso em relação ao evento paradigmático, e as crenças podem mudar ao longo do tempo, ainda que a experiência permaneça como referência.
- A condição secular em sentido terceiro deve ser descrita, portanto, em termos da possibilidade ou impossibilidade de certos tipos de experiência em uma época.
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