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bornheim:1956:2

2 Romantismo e filosofia

II

1. Quanto aos aspectos filosóficos do romantismo, vale a mesma advertência, pois destacar o tratamento de temas como o eu e a natureza como comuns aos diversos romantismos europeus, numa análise geral válida para todo o ocidente, não permitiria mais do que salientar a presença desses temas ignorando as peculiaridades de cada movimento, havendo um abismo entre o sentido da interioridade em Rousseau e no Heinrich von Ofterdingen de Novalis.

2. Por isso mesmo a única atitude satisfatória seria o estudo dos aspectos filosóficos de cada movimento romântico, pois só assim poderiam ser devidamente estudados os respectivos embasamentos filosóficos: na França encontraríamos sobretudo Rousseau, na Alemanha o idealismo, na Inglaterra um vago empirismo.

3. Face a essa exigência e dada a impossibilidade de um estudo detalhado da filosofia dos diversos romantismos, decidiu-se fixar o interesse no movimento alemão, escolha que não implica arbitrariedade ou mera preferência subjetiva, porque antes de mais nada o romantismo alemão é o único que se estrutura como movimento a partir conscientemente de uma posição filosófica, o que vai garantir à filosofia um destaque singular dentro do panorama romântico em geral.

4. E não apenas o ponto de partida, mas a evolução do movimento na Alemanha obedece sempre primeiramente a novas exigências de ordem filosófica, sendo essa presença do pensamento filosófico uma das características distintivas do romantismo alemão.

5. Mas outra razão mais importante motivou a escolha: pode-se dizer que o romantismo é um produto nórdico que encontrou na Alemanha a sua morada privilegiada, pois a cultura alemã é basicamente romântica, e isso que se costuma chamar de período romântico não é mais do que a manifestação máxima de constantes que atravessam com intensidade maior ou menor todas as etapas dessa cultura, o que explica a influência que inevitavelmente deveria exercer a Alemanha, direta ou indiretamente, sobre todos os romantismos ocidentais.

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