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Abellio

Raymond Abellio (1907-1986)

LOMBARD, Jean-Pierre (ORG.). Cahiers de l’Herne. Raymond Abellio. Paris: Éditions de l’Herne, 1979.

A obra de Raymond Abellio é desconcertante antes de tudo porque é difícil de classificar — e isso parece bastar para instalar a confusão.

  • Desde 1945, Abellio escreveu três “romances”, seis “ensaios”, “memórias” e um volume de notas diárias, além de uma peça de teatro.
  • Para uns ele pertencerá aos “literários”; outros o colocarão entre os “pensadores” — com hesitação, ainda aí, entre filosofia e esoterismo.

Não se compreenderá essa obra se se persistir em respeitar a classificação por gêneros ou tipos de discurso — os modos de expressão não resultam de uma escolha, mas de uma necessidade.

  • Como para todo escritor verdadeiro, uma visada se ajusta, se aprofunda e se precisa através da obra inteira.
  • Abellio repetiu frequentemente que, conforme o avanço da reflexão, a escrita relevava ora do germe, ora do fruto — a expressão do transbordamento do pensamento não pode ser arbitrária, mas se impõe pelo estágio de sua gênese.
  • A escrita é aqui a ação superqualificadora do pensamento que se pensa, capaz de retorno sobre si mesmo, de retomada e intensificação — é a esse título que Abellio lhe atribui, como ao amor, a propriedade de ser ao mesmo tempo originária e última.

A obra é sobretudo difícil de apreender porque sua relação com o leitor não pode ser ingênua — ela reclama dele uma certa qualificação.

  • “Enquanto o homem não se igualar a essa verdade, não compreenderá este discurso”, diz Mestre Eckhart — tocando a delicada questão do papel de uma obra que só se interroga na medida em que fala ao interlocutor de algo que ele já possui.
  • Daí, em Abellio, o jogo dialético entre conhecimento e nascimento — a certeza de um verdadeiro começo só vem ao fim, quando ambos se fecham sobre si mesmos.

A obra de Abellio é operatória — tem o direito de exigir do leitor uma participação ativa, pois o convida a considerar um novo trabalho racional a efetuar no campo de suas disciplinas e experiências respectivas, quaisquer que sejam.

  • Se ela pode servir de catalisador, a reação nos pertence em próprio.
  • Ela é menos um corpus dogmático ao qual se adere ou não do que um método — “a balizagem para o cavaleiro, não para o cavalo.”
  • É notável que ela não precise suscitar discípulos — o fenomenólogo não exerce magistério; e é significativo que os que buscam um mestre não se enganem por muito tempo e rejeitem Abellio para se voltarem a Lacan, Jung, Foucault, Guénon ou Evola conforme seu temperamento, onde há dogmas, capelas e matéria para crer e agir.

Abellio integra ao seu pensamento domínios tão variados quanto a filosofia, a arte, a política, o esoterismo e as ciências sem cair no desvio do ecletismo, que estratifica tudo e dá pontos de vista — ou seja, uma série de visões locais.

  • Uma profunda unidade de abordagem sustenta sua démarche — sendo global, ela lança pontes em todas as direções.
  • O conjunto de sua obra se articula em torno de La structure absolue — o que implica que a obra se dá como sendo de natureza essencialmente filosófica, mesmo em sua expressão romanesca, mesmo em seus rapports com as tradições esotéricas, mesmo em suas memórias.
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