rosset:start
Rosset
Clément Rosset (1939-2018)
Clément Rosset e a Filosofia do Real Trágico (Universalis)
- Centralidade do real como núcleo absoluto da reflexão filosófica
- Definição do real como aquilo que resiste a toda redução conceitual, simbólica ou duplicadora
- Afirmação do caráter singular, não repetível e irredutível do real enquanto dado primário da existência
- Identificação da recusa do real como traço estrutural da condição humana, sustentado por mecanismos de negação e má-fé
- Compreensão da filosofia de Clément Rosset como combate sistemático contra as estratégias de evasão da realidade
- A fragilidade da faculdade humana de admitir a realidade
- Caracterização da dificuldade humana em aceitar o real em sua plenitude e sem reservas
- Interpretação da aceitação do real como reconhecimento de sua prerrogativa imperativa e incontornável
- Análise da tendência humana a tolerar a realidade apenas de modo parcial e condicionado
- Oposição entre a aceitação integral do real e as formas mitigadas de acomodação existencial
- Inserção de Rosset em uma tradição anti-idealista
- Filiação explícita a uma linhagem filosófica hostil ao idealismo e à hermenêutica do sentido oculto
- Continuidade com uma tradição que privilegia a afirmação do mundo tal como é, sem recurso a fundamentos transcendentais
- Rejeição de toda filosofia que subordine o real a um significado último, a um fim histórico ou a uma redenção metafísica
- Apropriação crítica dos clássicos literários e cômicos como instrumentos de lucidez filosófica
- Estilo filosófico e forma da obra
- Escolha deliberada por obras breves e densas, redigidas com clareza e ironia
- Articulação entre leveza estilística e rigor conceitual
- Recuperação da noção de um saber alegre que não exclui a gravidade ontológica
- Integração do riso e da lucidez como modalidades legítimas do pensamento filosófico
- Origem e sentido da filosofia trágica
- Emergência precoce da filosofia trágica como gesto inaugural da obra
- Compreensão retrospectiva da vocação filosófica como efeito da própria produção conceitual
- Afirmação do trágico como estrutura fundamental da existência e não como atitude psicológica
- Distinção entre tragédia existencial e pessimismo sentimental
- Diálogo com Schopenhauer e Nietzsche
- Apropriação do pensamento schopenhaueriano como crítica radical das ilusões filosóficas
- Rejeição das religiões da história, do progresso e da redenção
- Interpretação do querer-viver como dado ontológico desprovido de finalidade última
- Incorporação da crítica nietzschiana aos valores e à metafísica do sentido
- Delimitação dos limites do querer-viver como condição de lucidez e não de salvação
- A filosofia como dissipação de ilusões
- Definição da atividade filosófica como operação essencialmente negativa
- Identificação das ilusões como produtos internos da própria filosofia
- Crítica à pretensão ontológica e sapiencial do discurso filosófico tradicional
- Substituição da busca do ser pela atenção ao existir
- O papel do acaso, do caos e do desordem
- Reinstalação do acaso como princípio constitutivo da realidade
- Deslegitimação de toda tentativa de fundar um sentido necessário do mundo
- Compreensão da realidade como contingente, sem razão suficiente
- Consentimento ao caráter imprevisível e insensato da existência como forma superior de aprovação do real
- Renúncia ao ser e ao sentido
- Abandono explícito de toda ontologia do ser
- Recusa do desvelamento de significados ocultos
- Crítica à ideia de natureza como fundamento normativo ou explicativo
- Identificação da natureza como ilusão metafísica particularmente resistente
- Denúncia da ideia de natureza como suporte disfarçado da metafísica
- O real e a idiotia
- Definição do real como absolutamente singular e sem duplicação possível
- Uso do conceito de idiotia para designar o caráter próprio, privado e intransferível do real
- Oposição entre o real e suas tentativas de duplicação simbólica, imaginária ou conceitual
- Crítica às filosofias da diferença que mantêm ainda um jogo especular com o real
- Combate contra os duplos do real
- Identificação do duplo como principal operador da ilusão
- Análise das formas clássicas de duplicação: representação, interpretação, simbolização
- Tentativa sistemática de reconduzir a atenção filosófica ao dado imediato da existência
- Persistência do esforço de lucidez ao longo de toda a obra
- Relação com o campo filosófico contemporâneo
- Inserção singular no panorama filosófico sem adesão a escolas ou correntes dominantes
- Diálogo critique com posições filosóficas heterogêneas
- Ocupação de um espaço intermediário entre filosofia erudita e filosofia acessível
- Recusa tanto do obscurantismo conceitual quanto da vulgarização simplificadora
- Ampliação do campo filosófico por meio das artes
- Integração da música como experiência privilegiada do real sem duplicação conceitual
- Uso do cinema como laboratório do duplo, do reflexo e da ilusão
- Valorização das artes como vias de acesso indireto, porém lucidamente assumido, ao real
- Os duplos de segunda espécie
- Distinção entre duplos ilusórios e duplos aderentes ao real
- Caracterização da sombra, do reflexo e do eco como duplicações não concorrenciais
- Compreensão desses duplos como garantias indiretas da realidade
- Analogia com o fora de campo cinematográfico como presença negativa do real
- Continuidade da investigação sobre as assinaturas do real
- Prolongamento da reflexão sobre identidade, alteridade e duplicação
- Análise das fantasmagorias como produções inevitáveis, porém criticáveis
- Articulação entre clínica, literatura e ontologia negativa
- Consolidação de uma filosofia inteiramente orientada pela fidelidade ao real
- Conclusão implícita do percurso filosófico
- Afirmação final da alegria como efeito da aceitação do trágico
- Rejeição de toda esperança redentora ou compensatória
- Identificação da lucidez como única forma possível de grandeza filosófica
- Reconhecimento do real como único absoluto, sem substituto e sem duplo
rosset/start.txt · Last modified: by mccastro
