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Camus

ALBERT CAMUS (1913-1960)

Robert Wilkinson

Francês. Nascido em 1913, em Mondovi, Argélia; falecido em 1960, nos arredores de Paris (acidente de trânsito). Categoria: Filósofo do absurdo. Interesses: Ética. Influências: Pensamento grego, Agostinho, Nietzsche e Sartre. Trajetória: Os estudos de filosofia de Camus (sobre Plotino e Agostinho) foram interrompidos por uma doença e, até o início da Segunda Guerra Mundial, ele exerceu diversos trabalhos no teatro e no jornalismo em Argel e Paris; ativo na Resistência, tornou-se coeditor (com Sartre) da revista Combat; rompendo com Sartre após a guerra, Camus dedicou-se à escrita. Prêmio Nobel de Literatura, 1957.

Camus, como Unamuno, não é um filósofo acadêmico, mas um pensador empenhado em encontrar uma maneira de dar sentido a uma vida ameaçada pelo despropósito.

  • Graças à sua habilidade literária, seu pensamento se difundiu amplamente — e sua encarnação em obras de ficção como L'Étranger (1942) e La Peste (1947) o torna um dos exemplos mais acessíveis da filosofia francesa recente.
  • Seu pensamento tem duas fases, epitomizadas nos dois ensaios filosóficos Le Mythe de Sisyphe (1942) e L'Homme révolté (1951).
  • Comuns a cada fase são os pressupostos do ateísmo, da mortalidade da alma e da indiferença do universo às aspirações humanas — o desenvolvimento reside no sistema de valores que essas visões fundamentam.

O conceito central da fase inicial do pensamento de Camus é o absurdo — sentimento que nasce do confronto do mundo, que é irracional, com o desejo humano desesperado mas profundo de dar sentido à própria condição.

  • A resposta adequada a essa situação, argumenta Camus, é viver em plena consciência dela.
  • Ele rejeita as filosofias ou cursos de ação que conjuram o problema — notadamente a crença religiosa, o suicídio e o existencialismo, que, na visão de Camus, deifica o irracional.
  • De uma apreciação lúcida da absurdidade da vida decorrem três consequências, que Camus chama de revolta, liberdade e paixão.
  • Por “revolta” — na fase inicial de seu pensamento — Camus entende a desafio diante da sombria verdade sobre a condição humana: desesperado mas não resignado, conferindo à vida uma certa grandeza.
  • O reconhecimento do absurdo nos liberta do hábito e da convenção — vemos todas as coisas de novo e somos interiormente libertados.
  • Por “paixão” Camus entende a resolução de viver o mais intensamente possível — não para escapar do senso do absurdo, mas para enfrentá-lo com absoluta lucidez, maximizando não a qualidade mas a quantidade das experiências.
  • Sísifo é o herói que exemplifica essas virtudes — consciente do desespero de sua tarefa, eleva-se acima de seu destino ao enfrentá-lo lucidamente: é preciso imaginar Sísifo feliz.

Uma consequência difícil de evitar nessa perspectiva é que qualquer curso de ação é permitido — tout est permis —, desde que não se tente escapar das consequências das próprias ações, como testemunha o comportamento de Mersault em L'Étranger.

  • A experiência da guerra levou Camus a mudar de opinião nesse ponto, pois tal posição não pode ser seriamente sustentada diante de um sofrimento imensurável.
  • Em L'Homme révolté e em seu correspondente ficcional La Peste, Camus busca fundamentar valores muito próximos aos do humanismo liberal nas mesmas bases de sua obra anterior.
  • A principal mudança filosófica — uma ruptura marcada com o existencialismo sartriano — é a visão de que existe algo como a natureza humana, conclusão que Camus extrai de sua análise do conceito de revolta na vida e na arte.
  • No conceito de natureza humana ele encontra uma razão e uma causa para a união entre os seres humanos.
  • O distanciamento do absurdista é substituído por uma ética de simpatia, comunidade e serviço aos outros.
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