James, William

Giovanni Reale

O Pragmatismo e William James

John Dewey distinguiu os estilos filosóficos de Peirce e James ao afirmar que o primeiro escreveu como lógico e o segundo como humanista, sendo James o responsável por projetar o pragmatismo como filosofia no mundo.

O Pragmatismo como Método e Fuga dos Falsos Absolutos

O pragmatismo, na concepção de James, representa o empirismo em sua forma mais radical e menos criticável, voltando-se para a concreteza, os fatos, a ação e a liberdade, em oposição a sistemas fechados e absolutos fixos.

O pragmatismo se configura como atitude de pesquisa voltada para resultados, consequências e fatos, e não para primeiros princípios ou categorias abstratas.

A Verdade de uma Ideia se Reduz à sua Capacidade de Operar

Para James, as ideias tornam-se verdadeiras na medida em que ajudam a estabelecer relações satisfatórias entre as partes da experiência, ligando-as de modo útil, seguro e economicamente eficiente.

A equivalência entre verdade e utilidade rendeu a James diversas críticas, levando-o a retificar algumas teses em escritos posteriores.

Os Princípios da Psicologia e a Mente como Instrumento de Adaptação

As imprecisões de James ao interpretar a regra pragmática de Peirce e ao amalgamar autores distintos — como Schiller, Papini, Duhem, Poincaré, Mach e Avenarius — geraram críticas variadas à sua teoria do significado e da verdade, sem contudo invalidar o caráter de janela aberta sobre as ações humanas que o pragmatismo jamessiano ainda representa.

Em 1890, James publicou os dois volumes dos Princípios de Psicologia, obra de fontes avançadas para a época, que faz da mente um instrumento dinâmico e funcional à adaptação ambiental.

Conceber a mente como instrumento de adaptação levou James a ampliar o objeto de estudo da psicologia, incluindo condicionamentos sociais e fenômenos como hipnotismo, dissociação e subconsciente.

A Questão Moral: Generalização e Escolha dos Ideais

A ética de James, presente em vários escritos e explicitamente desenvolvida em O Filósofo Moral e a Vida Moral (1891) e A Vontade de Crer (1897), parte da premissa de que as questões morais não podem ser decididas pelo recurso às experiências sensíveis.

Não é a Ciência que nos Diz o que é Bom e o que é Mau

Os fatos físicos existem ou não existem e, como tais, não são bons nem maus; o bem e o mal existem apenas em referência ao fato de satisfazerem ou frustrarem as exigências dos indivíduos, gerando um universo de valores frequentemente em conflito.

Poucos filósofos exaltaram as energias do indivíduo como James, que o defendeu contra toda forma de autoritarismo e absolutismo ideológico, destacando sua iniciativa e originalidade frente ao determinismo social.

A Variedade da Experiência Religiosa e o Universo Pluralístico

A obra A Variedade da Experiência Religiosa (1902) propõe uma rica fenomenologia da experiência religiosa, em oposição à leitura positivista que a associava a fenômenos degenerativos.

James passa da descrição à valoração da experiência mística, concebendo Deus como ser que potencializa as ações humanas em um universo pluralístico, sem ser responsável pelo mal.

A Concepção de um Deus Finito

James concebe Deus não como a totalidade das coisas, mas como sua tendência ideal — um ser sobre-humano finito, que opera em um ambiente externo, tem inimigos e limites, e convida à cooperação.

Ao contrário de Huxley — para quem a religião era “um abismo de imoralidade” — James volta-se à religião com olhar profundamente humano, tratando-a como postulado prático e hipótese vital fruto de uma escolha inevitável.