Weber

Max Weber

Giovanni Reale

Vida e Obras

Max Weber nasceu em Erfurt em 21 de abril de 1864 e, por meio do pai — deputado do Partido Nacional-Liberal —, entrou cedo em contato com historiadores, filósofos e juristas eminentes, construindo uma formação plural em história, economia e direito.

A obra de Weber é classificada em quatro grupos: estudos históricos, estudos de sociologia da religião, tratado de sociologia geral e escritos de metodologia das ciências histórico-sociais.

Historiador, sociólogo, economista e político, Weber trata os problemas metodológicos com a competência de quem efetivamente praticou essas disciplinas, rejeitando tanto a “escola histórica” da economia quanto o materialismo histórico dogmático.

Situando-se no âmbito do historicismo, Weber reformula distinções de pensadores que enfrentaram o problema da autonomia das ciências do espírito, como Dilthey, adotando a distinção entre método generalizante e individualizante, mas com um deslocamento decisivo.

A Doutrina da Ciência: Objetivo e Objeto das Ciências Histórico-Sociais

As ciências histórico-sociais visam descrever e explicar tanto conformações históricas individuais quanto regularidades do agir social — entendido como agir determinado pela referência constante à atitude dos outros.

Weber também recusa a intuição — a penetração simpática (Einfühlung) e a possibilidade de reviver (Nacherleben) as experiências (Erlebnisse) alheias — como fundamento das ciências histórico-sociais.

A Questão da Referência aos Valores

Toda explicação causal é visão fragmentária e parcial da realidade investigada, e como a realidade é infinita — extensiva e intensivamente —, o cientista inevitavelmente seleciona fenômenos, pontos de vista e causas; essa seleção opera-se, segundo Weber, em referência aos valores.

A referência aos valores é um princípio de seleção que serve para estabelecer quais problemas e aspectos dos fenômenos constituem o campo de pesquisa, dentro do qual a investigação prosseguirá de maneira cientificamente objetiva em vista da explicação causal.

A Teoria do Tipo Ideal

Para conferir rigor suficiente a conceitos utilizados nas investigações histórico-sociais, Weber propôs a teoria do “tipo ideal” — instrumento metodológico ou expediente heurístico que constrói um quadro conceitual unitário a partir da acentuação unilateral de certos pontos de vista.

A Possibilidade Objetiva e o Peso Diferente das Causas de um Acontecimento Histórico

A pesquisa histórica é individualizante e, para explicar suas individualidades, necessita de conceitos universais e de regularidades gerais provenientes das ciências nomológicas — especialmente da sociologia, que descobre “conexões e regularidades” nos comportamentos humanos.

A Disputa sobre a Avaloratividade

Weber distingue nitidamente entre conhecer e valorar, entre juízos de fato e juízos de valor, entre “o que é” e “o que deve ser”; para ele, a ciência social é avalorativa — busca a verdade sobre como os fatos ocorreram e por que ocorreram assim.

A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo

O ponto de partida da história religiosa da humanidade é um mundo povoado de sagrado, e o ponto de chegada, na época contemporânea, é o que Weber chama de desencantamento do mundo (Entzäuberung der Welt).

Weber sustenta que o capitalismo moderno deve à ética calvinista sua força propulsiva, identificável na Confissão de Westminster de 1647, resumida em cinco pontos.

Weber e Marx

Weber rejeita o pressuposto marxiano de um condicionamento determinado que vai da estrutura à superestrutura como interpretação geral da história, propondo uma repartição dos fenômenos sociais com base em sua relação com a economia.

O Desencantamento do Mundo e a Fé como Sacrifício do Intelecto

Em A Ciência como Profissão, Weber afirma que “ser superado no plano científico é […] não apenas nosso destino, de todos nós, mas também nosso objetivo”, e coloca o problema do significado da ciência como atividade que “não chega e não pode nunca chegar ao término”.

Nesse mundo desencantado, sem profetas nem redentores, Weber aponta o destino inevitável de quem não suporta essa condição e o imperativo do trabalho cotidiano para quem a enfrenta.