O que faz o homem homem é assumir, a contragosto, com humildade ou como coisa natural, essa herança ética e essas dis-posições (dis-positions) suas; e o que faz do mundo um mundo criado é apenas a plenitude, o entrelaçamento e a sucessão incessante de suas figuras, não seu caráter pensável graças ao logos próprio. Do mesmo modo, Deus ainda não está vivo só por ter sua natureza: é preciso que se acrescente a liberdade divina, que palavras como as de Dante, “onde se pode o que se quer”, ou o cumprimento do indescritível em
Goethe obscurecem quase mais do que iluminam. Só quando esse “algo” vem em suplemento, como o autenticamente divino, realiza-se de fato a vitalidade de Deus. Como para a “natureza” de Deus se remeteu a
Schelling, para a “liberdade” de Deus seguem-se as pegadas de
Nietzsche.