A trajetória histórica da recepção do livro foi marcada por um profundo mal-entendido, iniciando-se com vendas irrisórias relatadas a Franz Overbeck e culminando na grotesca apropriação indébita pelo nacional-socialismo, facilitada pela distribuição da obra aos soldados na Primeira Guerra Mundial e pela manipulação criminosa perpetrada por Elisabeth Forster-
Nietzsche. Esta irmã do filósofo, antissemita notória e aliada de Benito Mussolini e Adolf Hitler, foi a responsável pela falsificação editorial intitulada
A Vontade de Poder, criando uma colagem de textos que distorceu o pensamento de
Nietzsche para servir a fins fascistas, uma deturpação que, a despeito da defesa de Albert
Camus e do ódio do filósofo pelo Estado e pelo antissemitismo, ainda encontra eco em certas leituras contemporâneas que falham em reconhecer a luta nietzschiana contra o ressentimento e o ideal ascético.