O possível consolo da tradição filosófica revela sua impotência diante do luto concreto: o argumento de Epicuro, segundo o qual a morte nada é pois quando ela está presente nós não estamos, aplica-se apenas à morte na primeira pessoa e silencia sobre a dor da perda do outro; o materialismo de Lucrécio, que promete a sobrevivência sob a forma de átomos, oferece pouco conforto a quem chora a perda da forma humana específica; as exortações de
Montaigne e Cícero de que filosofar é aprender a morrer falham perante a unicidade do evento; a racionalização de
Schopenhauer sobre a preservação da espécie em detrimento do indivíduo é irrelevante para a dor pessoal; a paciência sideral exigida pelo eterno retorno de
Nietzsche é exaustiva; e o próprio Jankelevitch termina por confessar a impossibilidade de qualquer afirmação conclusiva sobre o tema.