A temática central que atravessa a obra completa de Albert
Camus é a morte infligida, desdobrando-se em reflexões sobre o assassinato, a pena capital, o terrorismo, o suicídio e os crimes de Estado, presentes desde a revolta nas Astúrias até as crônicas argelinas, passando pela absurda lógica de Calígula e pela reflexão sistemática sobre a guilhotina. A obsessão de
Camus pelo crime legal e pela legitimação ideológica da morte revela uma revolta constante diante do injustificável, fundamentada não em abstrações teóricas, mas na materialidade sangrenta da eliminação da vida humana, seja ela perpetrada por revolucionários, por regimes totalitários ou por democracias liberais.