Lichtenberg

JEAN FRANÇOIS BILLETER. Lichtenberg

Georg Christoph Lichtenberg (1746–1799) é mal conhecido nos países de língua francesa, onde passa por mero literato marginal, autor de aforismos, paradoxos e observações divertidas — imagem que oculta sua posição como um dos representantes mais notáveis e profundos do Iluminismo alemão.

A antologia aqui apresentada reúne as passagens que mais interessaram ao organizador e às quais ele continuamente retornou ao longo dos anos, seguindo o próprio conselho de Lichtenberg de que é assim que se deve ler os autores — resumindo-os por conta própria (F 1222).

A língua dos Cadernos constitui um dos momentos mais felizes que o alemão conheceu em sua história, e a tradução buscou refletir as disposições intelectuais e morais de Lichtenberg com fidelidade ao seu estilo.

Lichtenberg representa o momento privilegiado em que o Iluminismo atinge a maturidade — quando a razão admite não ser onipotente e se põe à escuta do que não é ela mesma —, instante de equilíbrio comparável ao de Mozart na música.