Jaspers

Karl Jaspers (1883-1969)

Giovanni Reale

Karl Jaspers (Oldenburg, 1883 — Basileia, 1969) é, junto com Heidegger, o outro grande pensador do existencialismo alemão, tendo chegado à filosofia a partir da medicina e considerando Max Weber, conhecido em 1909, seu mestre.

Jaspers defende que filosofia e ciência são inseparáveis, embora não devam se contaminar — cada uma necessita da outra sem poder ser identificada com ela.

O autêntico atitude científica se caracteriza pela consciência metodológica dos próprios limites e pela disposição permanente de aceitar críticas — e é justamente a partir dessa consciência que Jaspers fixa os limites do saber científico.

Além do intelecto — isto é, da ciência —, há a razão, e é a ela que Jaspers confia a iluminação da existência em que consiste a filosofia, distanciando-se tanto dos racionalistas quanto dos irracionalistas.

A existência é inojetivável: na sua autenticidade, não pode ser identificada com um Dasein empírico compreensível pelo intelecto científico — e nesse ponto Jaspers reconhece Kierkegaard e Nietzsche como os verdadeiros grandes pensadores de seu tempo.

Inojetivabilidade e historicidade da existência são os dois primeiros resultados da iluminação existencial, mas a existência remete necessariamente à transcendência, que se revela nas situações-limite.

A verdade filosófica é existencial e singular — diferentemente da verdade científica, que é objetiva e anônima —, mas isso não conduz ao relativismo nem ao dogmatismo.

A crítica aos sistemas totalitários decorre diretamente dessa concepção: ao presumirem conhecer o curso total da história, o nazismo e o bolchevismo cometem um erro gnoseológico fundamental.