O estruturalismo, representado por Saussure e Lévi-Strauss, é outra referência crucial para Derrida, mas ele não é um adepto passivo, sendo antes um grande crítico de seus pressupostos, argumentando que a crença estruturalista em um ponto fixo ou “presente” no centro de cada estrutura ainda é metafísica.
A crítica de Derrida a Lévi-Strauss, em “Estrutura, Signo e Jogo no Discurso das Ciências Humanas”, mostra que o estruturalismo busca um centro que está tanto dentro quanto fora da estrutura, o que revela uma busca metafísica por uma presença plena que está além do jogo.
Derrida identifica no trabalho de Lévi-Strauss entre os Nambikwara o uso de uma metodologia de “bricolagem” que se apoia em conceitos metafísicos como a oposição natureza/cultura, uma noção metafísica de história e uma “nostalgia das origens” que opõe a fala inocente dos primitivos à escrita violenta dos civilizados.
A crítica de Derrida ao estruturalismo, assim como à fenomenologia, é feita a partir de dentro, mostrando que a tentativa de se basear em metodologias “científicas” para escapar da filosofia acaba por deixar seus pressupostos metafísicos mais profundos inquestionáveis, resultando em um logocentrismo que é uma forma de etnocentrismo.
A conclusão é que, apesar de seu rigor científico, o estruturalismo de Lévi-Strauss permanece preso à metafísica da presença, pois sua defesa da verdade, da presença e da fala é sustentada pela repressão da mediação, da diferença e da escrita.
Derrida vê a rivalidade entre fenomenologia e estruturalismo como uma manifestação contemporânea da lógica do “ou isso ou aquilo” que domina a metafísica da presença, e argumenta que ambas as teorias, apesar de opostas, acabam se encontrando no meio.
Ambas as disciplinas se baseiam numa ideia metafísica de presença plena e não mediada como fundamento de sua teoria, seja na interioridade pura da consciência ou na formalidade pura dos sistemas linguísticos ou culturais.
Ambas são discursos logocêntricos que identificam a voz como o meio privilegiado para comunicar a “presença”, seja na fala como expressão da consciência ou na autenticidade da cultura oral.
Ambas compartilham o destino de qualquer metafísica da presença, onde o estabelecimento de um valor como “presente” depende implicitamente do valor que ele marca como “ausente”, e cada teoria, ao reivindicar acesso exclusivo ao conhecimento, acaba por necessitar da outra para sustentar suas próprias pretensões.
A crítica de Derrida às duas tradições lhe permite acessar a tarefa maior de articular o estado originário de mediação, relação ou diferença que subjaz a toda metafísica da presença, levando à construção de uma filosofia que explora o ponto de encontro entre fenomenologia e estruturalismo, mas que não pertence a nenhuma delas.
A pergunta central é como articular essa posição sem cair nas armadilhas de aceitar acriticamente as velhas categorias filosóficas ou de agir como se fosse possível abandoná-las completamente, buscando demonstrar a contingência desse sistema de pensamento a partir de seus próprios limites, procedimento que Derrida chama de “desconstrução”.
A filosofia de Derrida emerge de um engajamento profundo tanto com os debates contemporâneos do pensamento francês do pós-guerra quanto com a longa história da filosofia antimetafísica, e sua obra, embora tenha uma história, também força a considerar o que se entende por “história”, contexto, tradição e linhagem.
Derrida se considera um pensador profundamente histórico, e sua obra oferece tanto uma nova história da filosofia quanto uma nova filosofia da história, na qual o conceito tradicional de “história” é produto das suposições metafísicas que ele questiona.
A obra de Derrida sempre tem mais de uma história, e seria possível encontrar as raízes da desconstrução em diversos pensadores e textos, tanto da filosofia quanto de fora dela, como Shakespeare, Joyce e Kafka.
O maior problema em oferecer uma “história” da filosofia de Derrida é que isso pressupõe que seu pensamento está acabado ou completo, mas, para ele, os grandes textos da história da filosofia são recursos inesgotáveis cuja leitura nunca terminará, e o significado de “Da Gramatologia” não está no passado, mas no futuro.