BOUVERESSE, Jacques. Wittgenstein, la rime et la raison: science, éthique et esthétique. Paris: Éditions de Minuit, 1985.
Prefácio
I — Misticismo e lógica
O «positivismo» de
Wittgenstein. Ceticismo em relação às teorias e às explicações científicas em geral. Demônios e maravilhas da ciência moderna. O fascínio exercido pela matemática
O contraste entre o estilo do Tractatus e o das Investigações Filosóficas. Existe algum problema filosófico segundo o Tractatus: a delimitação do universo do «dizível»? O «misticismo» segundo Russell. O Tractatus é místico nesse sentido? O atomismo lógico ou o pluralismo absoluto. O problema da temporalidade. A essência e os limites do mundo segundo o Tractatus
A inexprimibilidade da forma lógica. A conexão entre a ética, a lógica e o místico. Misticismo e limites da linguagem. O «ponto de vista angélico»
A impossibilidade de uma metalinguagem. Por que ela não é realmente refutada pela possibilidade de uma hierarquia de linguagens. Unicidade da linguagem e inutilidade de um discurso sobre a linguagem. A forma geral da proposição e a essência do mundo. A impossibilidade de descrever e justificar a «gramática» na segunda filosofia de
Wittgenstein. Por que a lógica é considerada inexprimível no Tractatus. Não pode haver uma teoria da dedução. A lógica e a «experiência» mística
II — O caminho e o meio
Wittgenstein e o «ofício» de filósofo. Sua atitude pessoal em relação ao discurso filosófico sobre a moral. Era espinosista ou kantiano em ética? Os traços mais marcantes de sua personalidade moral: populismo, ascetismo, voluntarismo, estoicismo
É possível deduzir proposições avaliativas de proposições descritivas? A resposta negativa do Tractatus. O problema da retribuição moral. Os dois sentidos das palavras «bem» e «dever». O problema da vida é o problema da felicidade. A imortalidade da alma não constitui uma solução. A vontade humana é impotente diante do mundo. O Deus do Tractatus
O que é fundamentalmente a ética? Três experiências não factuais dotadas de «valor absoluto». As proposições da ética e da religião são desprovidas de sentido. A inspiração da Conferência sobre Ética permanece, contudo, essencialista e relativamente tradicional
Pode haver uma obrigação moral qualquer segundo o Tractatus? As aporias dos Cadernos. A visão do mundo sub specie aeternitatis situa-se além do bem e do mal. A impossibilidade de julgar em moral. Assim como a matemática, a ética não pode ter «fundamento». Contudo, o relativismo ético como teoria filosófica não possui sentido claro
A hostilidade de
Wittgenstein ao racionalismo moral. Fundadores e genealogistas em moral. A inutilidade de uma «ciência» fundadora ou destruidora da ética. A «verdadeira» matemática, a «verdadeira» moral e a «verdadeira» vida
III — A vontade, o destino e a graça
O mundo é independente de minha vontade. Contudo, nele existem acontecimentos que estão sob o controle de minha vontade e outros que não estão. A vontade fenomenal e a vontade ética. Em que sentido a vontade ética pode modificar o mundo? O sujeito pensante e o sujeito volitivo. A felicidade na submissão aos acontecimentos do mundo. O problema da morte e do suicídio. Ainda pode haver uma ética se a vontade fenomenal é completamente inoperante? A ética é uma «condição do mundo». O querer é uma experiência? A concepção da vontade nos Cadernos e nas Investigações Filosóficas. Causalidade, livre-arbítrio e responsabilidade
O mundo do homem feliz e o do homem infeliz. A atitude de
Wittgenstein em relação à religião. O «misticismo» do Tractatus deriva de uma experiência mística no sentido usual do termo? A crítica wittgensteiniana da noção de bem absoluto. A infelicidade e a culpa
O que é um problema moral? Um exemplo discutido por
Wittgenstein. Como se «resolve» uma dificuldade moral. Deliberação e discussão em ética. Um problema moral é sempre um problema pessoal. O que é um ponto de vista moral? É possível rejeitar a moral, estar «fora» da moral?
IV — A voz universal e o discurso crítico
A finalidade da arte segundo
Wittgenstein. O objeto da estética: a estética não é uma teoria do belo. A ideia importante de «correção» ou «incorreção» em uma apreciação estética. O julgamento estético pressupõe uma linguagem e uma forma de vida. O papel das sensações e das imagens na «compreensão» de uma obra de arte. A significação de uma obra de arte e a significação de uma frase. O que é a «atitude estética»? De que natureza é o prazer chamado «estético»? O belo e o agradável. Estética e psicologia. A explicação estética não é uma explicação causal das reações estéticas. Como se resolve uma perplexidade estética. As razões e as causas. O sentido da obra de arte não é o «efeito» da obra de arte
O problema da objetividade em estética. O que é uma «boa» explicação ou uma «boa» razão? O antropologismo de
Wittgenstein. O que podem ser razões em estética. O problema da descrição exata de uma impressão estética. É essencial que as razões possam persuadir e também não persuadir. Estética e filosofia. Formas de arte e formas de vida. O prestígio da explicação geral. As explicações psicanalíticas são explicações estéticas. A «boa» interpretação é aquela que nos satisfaz. Em que condição uma explicação genética pode ser uma explicitação do sentido? Em que sentido a psicanálise pode ser considerada uma «mitologia»?
«Ver algo como algo»: o problema da leitura de uma imagem ambígua. O mito da representação interior privada. O olho inocente é cego. Ver e interpretar. Em que sentido podemos ver e em que sentido não podemos fazer ver aos outros aquilo que vemos. A crítica é, em certo sentido, a continuação da percepção por outros meios, e a percepção, o começo da crítica
V — As causas, as razões e os mitos
Certas «teorias» são, na realidade, maneiras de ver sedutoras que somos persuadidos a aceitar. A sensação contraditória de atração e repulsão experimentada diante de certas explicações é a característica própria das explicações mitológicas. O essencialismo e o cientificismo de
Freud
A origem dos mitos intelectuais é essencialmente a falta de imaginação. É isso que explica, por exemplo, o etnocentrismo de Frazer. As concepções mágicas e religiosas não são, de modo algum, concepções científicas equivocadas. Em que medida é possível explicar atos rituais por teorias ou crenças? As explicações genéticas históricas possuem interesse inteiramente secundário. A magia, assim como a filosofia, está profundamente enraizada na linguagem
Aquilo de que se necessita para explicar um costume ou um rito não é uma hipótese causal sobre o que provocou seu aparecimento. Explicação histórica e explicação estrutural: o conceito de apresentação sinóptica (übersichtliche Darstellung). A profundidade não hipotética de uma prática ritual não pode depender de sua origem hipotética. A proveniência não explica, por si mesma, o sentido; é antes o sentido evidente que torna evidente a ideia de determinada proveniência
O lugar das Observações sobre O Ramo de Ouro nas reflexões de
Wittgenstein. O que significa compreender uma instituição? A crítica do utilitarismo.
Wittgenstein é resolutamente hostil a certas formas superficiais e simplistas de esclarecimento (Aufklärung). Sua filosofia é um racionalismo militante cujo elemento essencial é uma consciência aguda dos limites da racionalidade