Categoria: Outros Pensadores

  • A ordem em que as coisas são colocadas como entidades naturais é baseada na proposição de que toda a variedade de suas qualidades repousa sobre uma lei uniforme da existência. Sua igualdade perante a lei da natureza, a soma constante de matéria e energia, a conversibilidade dos mais diversos fenômenos entre si, transforma as diferenças…

  • Novum Organum, I, 1-4 O homem, ministro e intérprete da natureza, só faz e entende na medida em que observou, pela experiência ou pela reflexão, a ordem da natureza; nada mais sabe ou pode além disso. Nem a mão nua nem o entendimento abandonado a si mesmo podem muito; a coisa aperfeiçoa-se com instrumentos e…

  • De dignitate et augmentis scientiarum, lib. IV, cap. I A ciência do homem tem duas partes, pois o considera ou isolado ou congregado e em sociedade. A uma, chamo filosofia da humanidade; a outra, filosofia civil. A filosofia da humanidade compõe-se de partes semelhantes àquelas de que se compõe o homem; isto é, de conhecimentos…

  • De dignitate et augmentis scientiarum, lib. II, cap. I A melhor divisão da ciência humana é a que se deriva das três faculdades da alma racional, que é a sede da ciência. A história refere-se à memória; a poesia, à imaginação, e a filosofia, à razão. (…) Que as coisas são assim, pode-se ver facilmente…

  • A especificidade e a autonomia de toda a ciência não surgem por simples providência epistemológica, mas através de laboriosos progressos. A sociologia não foge a esta regra. Ao longo dos séculos, ela conseguiu emergir, progressivamente, de diferentes níveis epistemológicos, de diferentes filosofias e visões do mundo que, na sua origem, não eram nem sociológicos nem…

  • “O tempo é a substância de que sou feito”, disse Jorge Luis Borges. “O tempo é um rio que me leva embora, mas eu sou o rio.” Nossos movimentos, nossas ações estendem-se no tempo, assim como as nossas percepções, os pensamentos, os conteúdos da consciência. Vivemos no tempo, organizamos o tempo, somos inteiramente criaturas do…

  • Em nossos dias e referida à organização científica, essa vocação é determinada, antes de tudo, pelo fato de que a ciência atingiu um estágio de especialização que ela outrora não conhecia e no qual, ao que nos é dado julgar, se manterá para sempre. A afirmação tem sentido não apenas em relação às condições externas…

  • Há, contudo, um aspecto do tempo que sobreviveu à desintegração sofrida com a física dos séculos XIX e XX. Despido dos adornos com os quais o encobrira a teoria newtoniana, a que tanto estávamos acostumados, resplandece agora ainda mais claro: o mundo é mudança. Nenhuma das peças que o tempo perdeu (unicidade, direção, independência, presente,…

  • É a Rousseau que devemos a descoberta desse princípio, o único em que podem se fundar as ciências humanas, mas que permaneceria inacessível e incompreensível enquanto a filosofia, partindo do Cogito, seguisse prisioneira das pretensas provas do eu, sem poder almejar fundar uma física se não renunciasse a fundar uma sociologia, e mesmo uma biologia.…

  • Chegamos ao fim de nossas discussões que não tinham outro objetivo senão destacar a linha quase imperceptível que separa ciência e crença e facilitar a descoberta do significado do esforço de conhecimento na ordem econômica e social. A validade objetiva [213] de todo saber empírico tem como fundamento e não tem outro fundamento que o…

  • Abstraindo das especiais doutrinas que foram por Kant sustentadas, é muito comum entre os filósofos o considerar o que é a priori como sendo mental em certo sentido, como algo que mais diz respeito à maneira como devemos pensar que a qualquer dos fatos do mundo externo. […] É natural a maneira de ver que…

  • Mas os efeitos sociais e políticos da outra-mundanidade, embora sejam um tema rico e interessante, não nos dizem respeito aqui, a não ser como um lembrete de que a outra-mundanidade, na prática, sempre foi obrigada a estabelecer boas relações com este mundo e frequentemente serviu como instrumento a fins estranhos a seus princípios. É de…

  • Dominada durante trinta anos pelo idealismo, a cultura italiana só tarde se interessou pela filosofia da existência. A princípio não a tomou a sério, para o que basta recordar as muito conhecidas e ligeiras apreciações de Croce e De Ruggero. Mesmo pensadores de formação diferente, como Bobbio, nada mais viram nela que a transcrição, em…

  • O pensamento de Maurice Merleau-Ponty (1908-1961) é de inspiração declaradamente husserliana. Mas está mais próximo do Husserl da última fase, o dos escritos inéditos, em que é mais claro o apelo às coisas e o recurso ao mundo da vida, o Lebenswelt. Em Merleau-Ponty motivos fenomenológicos encontram-se por um lado com algumas correntes da psicologia…

  • O encontro de filosofia e literatura, típico do existencialismo francês, tem em Albert Camus (1913-1960) o seu mais alto representante. Mas se Sartre é mais filósofo que literato, de modo que os seus dramas e romances aparecem como exemplificações da sua filosofia, Camus é, pelo contrário, mais literato que filósofo. As obras em que expõe…

  • O «fenômeno» Jean Paul Sartre não interessa somente à filosofia, ao teatro, ou à literatura, — é um «fenômeno» que implica com os próprios costumes. Se em um certo momento, isto é, no após-guerra, o existencialismo se tornou uma moda e ultrapassou o círculo restrito dos especialistas, criando à sua volta «uma atmosfera de curiosidade…

  • Mais fortemente tingido de misticismo, um misticismo neoplatônico e agostiniano, é o pensamento de Louis Lavelle (1883-1951). Antes de Sartre, e com não menor energia, Lavelle afirmou que no homem a existência precede a essência. «A existência tem sentido em nós só para consentir-nos, não realizar uma essência já formada, mas determiná-la com a nossa…

  • Para sermos completos, não queremos deixar de fazer aqui breve alusão a dois autores cuja temática, na realidade, só em parte se situa no existencialismo, Referimo-nos a René Le Senne e a Louis Lavelle, expoentes máximos daquela corrente de pensamento que, pelo título de uma muito conhecida coleção que compreende já algumas dezenas de volumes,…

  • O Journal Métaphisique de Gabriel Marcel foi publicado em 1927, o ano em que apareceu na Alemanha o Sein und Zeit de Heidegger, mas as primeiras anotações contidas nele remontam exatamente a 1914. O pensamento de Marcel (1889) desenvolveu-se por isso independentemente do existencialismo alemão e, mais que de Kierkegaard e de Husserl, extrai os…

  • A derivação kierkegaardiana é mais evidente em Karl Jaspers, que chegou à filosofia vindo dos estudos de medicina e, diferentemente de Heidegger, afastado das sugestões da fenomenologia. É diferente o interesse especulativo que move os dois expoentes máximos do existencialismo alemão: Heidegger é movido por interesse pela existência em geral, pelas suas estruturas objetivas e…