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O Absoluto / A Divindade / O Divino / Deidade / Godhead / Parabrahman / Para-Brahma

    

Isabelle Robinet

Ao longo de sua história os chineses refletiram sobre as relações entre o absoluto e o relativo, o transcendente e contingente, sem dissociar o absoluto do relativo; constantemente tiveram a preocupação de dispor do absoluto como não exclusivo e de aí introduzir sinteticamente o relativo, tanto os budistas como os taoistas.

Para os chineses, o absoluto não é deste universo  , que comporta um Céu e uma Terra   destinados à ruína, que serão substituídos por um outro Céu e uma outra Terra; quer dizer que este universo não é a totalidade, mas dela é feito, pois é formado do Sopro do qual toda coisa é somente forma concentrada ou diluída. Todo ente  , toda existência, está ligada intrinsecamente à totalidade por sua substância  , o sopro, e por sua estrutura  , pois todo ente é um microcosmo cujas diferentes partes se ordenam em ressonância com o conjunto  , o conjunto do universo sendo concebido como um sistema de relações e de interações, a vida e o mundo são apenas relações infinitas entre tudo o que existe, nenhum indivíduo   e nenhuma entidade podem existir isoladamente e por si mesmo  . Assim cada ente nada mais é que o cruzamento de forças e de situações diversas, um filtro que dá uma aspecto de realidade, um signo   de relações múltiplas, multidimensionais, com os outros. No entanto o mundo em sua totalidade não é supervisionado por nenhum absoluto; ele não é criado mas se auto-cria.

Para os taoistas, a coincidência entre o absoluto e o relativo se exprime por aquela que deve juntar o mundo «anterior   ao céu» ou numenal  , e o mundo «posterior ao céu» (Tian); é sobre o que trabalham os alquimistas que «extraem» os agentes «anteriores ao céu», pré-existenciais e eternos, figurados de múltiplas maneiras   (seja pelo traço yang   tomado no trigrama   (kan) (vide Trigramas) do I Ching  , e incluso nos dois   traços yin, seja pelo «sopro interior», por contraste com o «sopro exterior» que respira o homem   ordinário, seja por uma «centelha yang» que está depositada no homem desde antes de sua concepção e desde antes do tempo para purificar e sublimar os agentes grosseiros «posteriores ao céu». [Excertos de «Les Notions philosophiques  », PUF, 1990]

Frithjof Schuon

A prerrogativa do estado   humano constitui a objetividade cujo conteúdo essencial é o Absoluto. Não há conhecimento sem objetividade da inteligência  , não há liberdade sem objetividade da vontade e não há nobreza sem objetividade da alma  . Em cada um dos três casos, a objetividade é ao mesmo tempo horizontal e vertical. O sujeito, seja intelectivo, volitivo ou afetivo, visa necessariamente tanto ao contingente quanto ao Absoluto: ao contingente, em virtude de   o próprio sujeito ser contingente e na medida em que ele é; e ao Absoluto, porque o sujeito se assemelha ao Absoluto por sua capacidade de objetividade.

Shankara   não cogita em negar a validade relativa dos exoterismos, que, por definição, se interessam pela consideração   de um Deus   pessoal. Este é o Absoluto refletido no espelho   limitativo e diversificador de Maya  ; é Ishwara, o Príncipe criador, destruidor, salvador   e punidor, e o protótipo «relativamente absoluto» de todas as perfeições. Esse Deus pessoal e todo-poderoso é perfeitamente real em si e, principalmente, em relação ao mundo e ao homem; mas não está menos ligado a Maya que ao Absoluto propriamente dito.

Para Ramanuja  , a Divindade pessoal, o Deus criador e salvador, identifica-se com o Absoluto sem nenhuma restrição; segundo esse modo de ver, não há possibilidade de se considerar uma Atmâ ou uma Essência que transcenda uma Maya e, consequentemente, nem uma Maya que provoque ou determine a limitação   hipostática de uma Essência.

Há no homem uma subjetividade ou uma consciência   feita para olhar o exterior e para perceber o mundo, seja este terrestre ou celeste. Além disso, há no homem uma consciência feita para olhar o interior, em direção   ao Absoluto ou ao Si mesmo, seja esta visão   relativamente separativa ou unitiva.

Em todo caso, a subjetividade humana é um prodígio tão inaudito que basta para provar tanto Deus como a imortalidade da alma: Deus, porque essa subjetividade extraordinariamente ampla e profunda só se explica por um Absoluto que a prefigura substancialmente e que a projeta na acidência; e a imortalidade da alma, porque a qualidade   incomparável dessa subjetividade não encontra nenhuma razão suficiente ou nenhum motivo adequado à sua excelência, no âmbito estreito e efêmero   da vida terrestre.

Está salvo o homem que compreende a razão de ser da subjetividade humana; ser, na relatividade, simultaneamente um espelho do Absoluto e um prolongamento da Subjetividade divina. Manifestar o Absoluto na contingência  , o Infinito   na finitude, a Perfeição na imperfeição.

O véu é um mistério porque a Relatividade é um mistério. O Absoluto, ou o Incondicionado, é misterioso à força de evidência; mas o Relativo, ou o Condicionado, o é à força de ininteligibilidade. Se não podemos compreender o Absoluto, é porque sua luminosidade cega; em compensação, se não podemos compreender o Relativo, é porque sua obscuridade não oferece nenhum ponto de referência. Pelo menos é assim quando consideramos a Relatividade na sua aparência arbitrária, pois ela se torna inteligível na medida em que é veículo do Absoluto. A razão de ser do Relativo é ser veículo do Absoluto, velando-o. [O ESOTERISMO   COMO PRINCÍPIO E COMO VIA]

MacKenna

The First Hypostasis   of the Supreme Divine Triad is variously named: often it is simply ’THE FIRST’. Envisaged logically, or dialectically, it is THE ONE. Morally seen, it is THE GOOD; in various other uses or aspects it is THE SIMPLE, THE ABSOLUTE, THE TRANSCENDENCE, THE INFINITE, THE UNCONDITIONED; it is sometimes THE FATHER  . (Stephen MacKenna  )


A Primeira Hipóstase da Suprema Tríade Divina é chamada de modo variado: frequentemente é simplesmente «O Primeiro». Segundo um ponto de vista lógico, ou dialético, é o Uno  . Moralmente vista, é o Bem; em vários outros usos e aspectos é O Simples, O Absoluto, O Transcendente, O Infinito, O Incondicionado; algumas vezes o Pai. [John Dillon, Plotinus  , The Enneads]

Plotino

And how do we possess the Divinity? In that the Divinity is contained in the Intellectual-Principle and Authentic-Existence; and We come third in order after these two, for the We is constituted by a union of the supreme, the undivided   Soul - we read - and that Soul which is divided among [living] bodies. For, note, we inevitably think of the Soul, though one undivided in the All, as being present to bodies in division: in so far as any bodies are Animates, the Soul has given itself to each of the separate material masses; or rather it appears to be present in the bodies by the fact that it shines into them: it makes them living beings not by merging into body but by giving forth, without any change in itself, images or likenesses of itself like one face caught by many mirrors. Enneads: I. I. 8