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kardia / καρδία / coração / cordis / κῆρ / ker / pectus / φρήν / phren / φρενός / phrenos / phrenes / πραπίς / prapis

    

gr. καρδία, kardía: coração. Por trás do debate   prolongado acerca da sede da alma   que foi discutido em círculos filosóficos ergue-se uma fisiologia pré-filosófica que tinha, com efeito, decidido a questão e que, apoiada pela sólida autoridade   de Homero  , tendia a dominar até as crescentes provas médicas em contrário. O herói   homérico sente (II. IX, 186; XIII, 493, etc.) e pensa (II. IX, 600; XXII, 296) com o phrenes [phren] ou diafragma e daí a posterior   phronesis  , pensamento   ou sabedoria  .


Como entender a referência ao coração em escritos espirituais? Tomemos duas citações de Jesus  , Thesaurus Cor (Mt 6,19-21) e O mal de dentro. No primeiro, valor   ou tesouro   determinam o movimento   do coração, do centro   do homem  , definem sua emoção. No segundo, é feito um alerta importante, para o fato de que o que vem ou sai do coração é o que faz mal ao ser humano, jamais o que entra pelo alimento no corpo.

Claude Tresmontant

No pensamento bíblico, o coração (leb), não é, como no universo   cultural ocidental moderno, o órgão ou o lugar da afetividade, do sentimento  , em oposição à razão. O coração, na bíblia  , é o órgão ou o lugar, o centro, o núcleo onde se elaboram as opções fundamentais, o lugar de onde emerge a liberdade, e onde se origina o ato da inteligência. A liberdade e a inteligência, no pensamento bíblico, são indissociáveis, no sentido que o ato de inteligência é um ato do qual somos responsáveis, e eis porque é meritório. Da falta de inteligência também somos responsáveis.

O que a Bíblia denomina «coração» corresponde também, por um lado, com os «rins». Com efeito, na antropologia bíblica, estas opções fundamentais que se elaboram no «coração» e nos «rins» são opções tão profundas, tão radicais, tão iniciais, que estão ocultas na obscuridade do ser humano.

  • Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? (Jer 17:9)
  • Mas, ó SENHOR dos Exércitos, justo Juiz, que provas os rins e o coração, veja eu a tua vingança sobre eles; pois a ti descobri a minha causa  . (Jer 11:20)
  • Examina-me, SENHOR, e prova-me; esquadrinha os meus rins e o meu coração. (Psa 26:2)
  • Porventura não esquadrinhará Deus   isso? Pois ele sabe os segredos do coração. (Psa 44:21)

Henry Corbin

O coração (qalb) em Ibn Arabi   como no sufismo em geral, é o órgão pelo qual é produzido o verdadeiro conhecimento, a intuição compreensiva, a gnose (marifa) de Deus e dos mistérios divinos, em resumo o órgão de tudo aquilo que pode ser compreendido soba a designação de ciência do esotérico (ilm   al-Batin  ). É o órgão de uma percepção que é, como tal, experi6encia e gosto íntimo (dhawq  ), e embora o amor seja igualmente referenciado ao coração, o centro próprio do amor é em geral para o sufismo, o ruh, o pneuma  , o espírito.

Sempre é bom lembrar que esta referência não é ao órgão de carne   denominado coração, embora haja certa conexão, cuja modalidade é ignorada. Trata-se de uma “fisiologia mística” que opera em um “corpo sutil  ” comportando órgãos psico-espirituais (centros sutis ou latifa em Semnani) que importa distinguir   dos órgão corporais. É possível se falar da função teândrica do coração posto que sua suprema visão será aquela da Forma de Deus (surat al-Haqq  ), e isto porque o coração do gnóstico é o “olho”, o órgão pelo qual Deus se conhece a ele mesmo, se revela a ele mesmo nas formas de suas epifanias. O gnóstico é como o Homem Perfeito  , o antro da consciência   divina de Deus, e que Deus é o antro e a essência da consciência do gnóstico. Em resumo o poder do coração é um poder ou energia secreta que percebe as Realidades divinas por um puro conhecimento hierofânico, sem qualquer mistura, porque o coração do gnóstico é como um espelho   no qual se reflete a forma microcósmica do Ser divino.

Este poder do coração é aquele designado pela palavra himma, equivalente do grego enthymesis que significa o ato de meditar, conceber, imaginar, projetar, desejar ardentemente, quer dizer ter presenta no thymos  , o qual é força vital, alma, coração, intenção  , pensamento, desejo. Na gnose de Valentino, enthymesis é a intenção concebida pelo trigésimo Eão, Sophia, em seu elã para compreender oa grandeza   do Ser ingênito  . Esta intenção se destaca dela, reveste uma existência separada; é a Sophia separada do Pleroma  , mas de substância pneumática. O poder de uma intenção tal qual ela projeta e realiza um ser exterior àquele que a concebe, corresponde de fato ao caráter próprio desta potência misteriosa que Ibn Arabi designa como himma.

Ananda Coomaraswamy

Cardo, √ krad como en kardia, sánscrito hrd, «corazón». Los significados de cardo incluyen pivote, polo (Polo Norte  ), y especialmente «gozne» (originalmente pivote) de una puerta  . Cf. Maestro Eckhart  , «la puerta va y viene sobre su gozne. Yo comparo la puerta batiente misma al Hombre Exterior, y el gozne (ángel  , polo, pivote, gozne) al Hombre Interior (is qui intusest, II Corintios 4:16, antah Purusha  , Maitri Upanishad   III.3; antar-atman  , Katha Upanishad   VI.17, Maitri Upanishad   VI.I, Bhagavad Gita VI.47). Según la puerta se abre y se cierra, bate hacia afuera y hacia adentro, pero el gozne permanece inmutable en el mismo lugar y nunca cambia» (ed. Pfeiffer, p. 489). Cardo como «Polo» = sánscrito skambha, sthuna, vamsa y «qutb» islámico, el principio «cardinal» sobre el que «giran» todas las cosas. [LIVRE ARBÍTRIO]

René Guénon

Al aludir anteriormente a lo que la doctrina hindú llama de modo simbólico «el Éter en el corazón», indicábamos que lo así designado es en realidad el Principio divino que reside, virtualmente por lo menos, en el centro de todo ser. El corazón, aquí al igual que en todas las doctrinas tradicionales, se considera, en efecto, como representación del centro vital del ser [1], y ello en el sentido más completo concebible, pues no se trata únicamente del órgano corporal y de su papel fisiológico, sino que esa noción se aplica igualmente, por transposición analógica, a todos los puntos de vista y en todos los dominios a los cuales se extienden las posibilidades del ser considerado, del ser humano por ejemplo, puesto que su caso, por ser precisamente el nuestro, es de toda evidencia el que nos interesa de modo más directo. Más estrictamente aún, el centro vital se considera como correspondiente al ventrículo menor del corazón; y es claro que este ventrículo ( referido al cual encontramos, por lo demás, la misma idea   de «pequeñez» a que nos referíamos con motivo del grano de mostaza ) toma una significación por completo simbólica cuando se lo transpone más allá del dominio corpóreo; pero ha de quedar bien claro que, como todo simbolismo verdadero y auténticamente tradicional, éste está fundado en la realidad, por una relación efectiva existente entre el centro tomado en sentido superior o espiritual y el punto determinado del organismo que le sirve de representación.

Para volver al «Éter en el corazón», he aquí uno de los textos fundamentales a su respecto: «En esa residencia de Brahma   ( es decir, en el centro vital de que tratamos ) hay un pequeño loto, una morada   en la cual está una pequeña cavidad ( dáhara ) ocupada por el Éter ( akasha   ); ha de buscarse lo que hay en ese lugar, y se lo conocerá» [2]. Lo que así reside en este centro del ser no es simplemente el elemento   etéreo, principio de los otros cuatro elementos sensibles; solo podrían creerlo así quienes se atuvieran al sentido más externo, es decir, al que se refiere únicamente al mundo corpóreo, en el cual dicho elemento desempeña ciertamente el papel de principio, ya que a partir de él, por diferenciación de las cualidades complementarias ( convertidas apariencialmente en opuestas en su manifestación   exterior ) y por ruptura del equilibrio primordial en el que estaban contenidas en estado   «indistinto», se han producido y desarrollado todas las cosas de este mundo [3]. Pero en tal caso no se trata sino de un principio relativo, como es relativo este mismo mundo, no siendo sino un modo especial de la manifestación universal  ; aunque eso no quita que tal papel del Éter, en cuanto primero de los elementos, sea lo que hace posible la transposición que importa efectuar; todo principio relativo, por lo mismo que no deja de ser verdaderamente principio en su orden, es una imagen natural, aunque más lejana, y como un reflejo del Principio absoluto y supremo. E, inclusive, solo con carácter de «soporte» para esta transposición se designa al Éter en ese texto, según el final del mismo lo indica expresamente, pues, si no se tratara sino de lo que las palabras empleadas expresan de modo literal e inmediato, evidentemente no habría nada que buscar; lo que debe buscarse es la realidad espiritual que corresponde analógicamente al Éter, y de la cual éste es, por así decirlo, la expresión con respecto al mundo sensible. El resultado de esa búsqueda es lo que se denomina propiamente «conocimiento del corazón» ( hârda-vidyâ ), y éste es al mismo tiempo el «conocimiento de la cavidad» ( dáhârda-vidyâ ), equivalencia que se manifiesta en sánscrito por el hecho de que las palabras respectivas ( hârda y dáhara ( siendo â=a+a ) ) están formadas por las mismas letras dispuestas en orden diferente; es, en otros términos, el conocimiento de lo más profundo e interior en el ser   [4].

Jean Borella

Os evangelhos não ignoram o significado profundo do «coração». O coração pode estar designando tanto o «eu», centro da individualidade psico-corporal, quanto o centro espiritual da pessoa  . Dois   textos indicam esta dualidade de sentidos, onde se afirmam o sentido do coração-intelecto e do coração-conhecimento diretivo e unitivo. O primeiro é a sexta Beatitude  , onde Mateus   (Mt 5,8) usa o termo «coração» pela primeira vez: «Bem-aventurado os que têm o coração puro, pois verão Deus». Se o coração puro verá Deus, é porque tem um «olho do coração», que é propriamente a inteligência espiritual. Pondo em relação a sexta beatitude com o sexto dom do Espírito Santo a doutrina   cristã vê no coração puro o dom da inteligência. Quanto a segunda passagem: «Maria conservava com cuidado   suas lembranças, e as meditava em seu coração» (Lc   II, 19). O verbo grego que foi traduzido por «meditar» é symballein (reunir  ), associado à «símbolo»: Maria ligava todas as coisas em seu coração. [LA CHARITÉ PROFANÉE]


[1Ver L’HOMME ET SON DEVENIR SELON LE VÊDÂNTA cap III.

[2Chhândogya-Upánishad, Prapàthaka 8, Khanda 1, çruti 2.

[3Ver nuestro estudio sobre «La Théorie hindoue des cinq éléments» ( É.T., agosto-septiembre de 1935 )

[4Con respecto a la cavidad o «caverna» del corazón, considerada más en particular como el «lugar» donde se cumple el nacimiento del Avatara, ver también APERÇUS SUR L’INITIATION, cap. XLVIII.