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crítica

domingo 17 de outubro de 2021

A estultícia daqueles que lamentam o declínio da crítica?. Porque a hora da crítica já há? muito tempo? que passou. A crítica é uma questão? de distância? certa. O seu elemento é o de um mundo? em que o que importa são as perspectivas e os pontos de vista?, e em que ainda era? possível? assumir uma posição?. Entretanto, as coisas? tornaram-se excessivamente agressivas para a sociedade? humana. A “imparcialidade”, o “olhar? livre?” são mentiras, se não mesmo? a mais ingênua expressão? da pura incompetência. O olhar hoje mais essencial?, o olho mercantil que penetra no coração? das coisas, chama-se propaganda. Esta arrasa o espaço? livre da contemplação? e aproxima tanto as coisas, coloca-as tão debaixo do nariz quanto o automóvel que sai da tela de cinema e cresce, gigantesco, tremeluzindo em direção a nós. E do mesmo modo? que o cinema não oferece móveis e fachadas a uma observação? crítica completa, mas dá apenas a sua espetacular, rígida e repentina proximidade, também a propaganda autêntica transporta as coisas para primeiro? plano? e tem um ritmo? que corresponde ao de um bom filme. Com isso, foi-se de vez? a “objetividade?”, e diante das imagens? hiperdimensionais nas paredes das casas, onde o “Chlorodont” e o “Sleipnir” estão ao alcance das mãos? de gigantes, o sentimentalismo curado liberta-se à americana, como aquelas pessoas? a quem já nada? move nem comove, e que aprendem novamente a chorar no cinema. Mas para o homem? da rua, aquilo que dele aproxima assim as coisas, o que estabelece o contato decisivo com elas, é o dinheiro. E o crítico pago, que manipula o valor? dos quadros na galeria de arte? do marchand , sabe sobre eles coisas que, se não são melhores, são certamente mais importantes do que as que sabe o amador de arte que os vê na vitrine. Solta-se do tema? da obra? um calor que dá asas ao seu sentimento?. O que é que torna, afinal, a propaganda tão superior? à crítica ? Não será aquilo que diz a escrita? elétrica e móvel? do anúncio? – mas a poça de fogo? que a reflete no asfalto. [BENJAMIN, Walter. Rua de mão única. Infância berlinense: 1900. Edição e tradução? João Barrento. Belo? Horizonte?: Autêntica, 2013 (epub)]

LÉXICO: crítica