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amor

domingo 17 de outubro de 2021

Pois o amor, embora seja uma das mais raras ocorrências nas vidas humanas, [1] possui, de fato, inigualável poder de autorrevelação e inigualável clareza de visão para perceber o quem, precisamente por não se preocupar, ao ponto da não mundanidade quase total, com o que a pessoa amada possa ser, com suas qualidades e imperfeições, suas realizações, fracassos e transgressões. Dada a sua paixão, o amor destrói o espaço-entre que estabelece uma relação entre nós e os outros, e deles nos separa. [...] Por natureza, o amor é não-mundano [unworldly], e é por essa razão, mais que por sua raridade, que é não apenas apolítico, mas antipolítico, talvez a mais poderosa das forças humanas antipolíticas. [ArendtCH  :C33]


« L’amour consiste à vouloir posséder toujours le bon... Mais quelle est la recherche et la poursuite particulière du bon à laquelle s’applique proprement l’amour ? C’est la production dans la beauté selon le corps et selon l’esprit... Tous les hommes sont féconds selon le corps et selon l’esprit ; et à peine arrivés à un certain âge, notre nature demande à produire. Or elle ne peut produire dans la laideur, mais dans la beauté ; l’union de l’homme et de la femme est production, et cette production est œuvre divine : fécondation, génération. voilà ce qui fait l’immortalité de l’animal mortel... L’objet de l’amour, ce n’est pas la beauté, comme tu l’imagines ; c’est la génération et la production dans la beauté, parce que ce qui nous rend impérissables et nous donne toute l’immortalité que comporte notre nature mortelle. c’est la génération. » (Platon  , Banquet  , p. 206-208 ; t. VI, p. 305-307, trad. de M. Cousin.) (Bouillet  ; Plotino - Tratado 50,1 (III, 5, 1) — O amor como paixão da alma)
LÉXICO: amor

Observações

[1O vulgar preconceito de que o amor é tão comum quanto o “romance” deve-se talvez ao fato de que todos ouvimos falar de amor pela primeira vez por meio da poesia. Mas os poetas nos iludem: eles são os únicos para os quais o amor é uma experiência não somente crucial, mas indispensável, o que lhes dá o direito de confundi-lo com uma experiência universal.