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modo

domingo 17 de outubro de 2021

Por conseguinte, como afirma o pensador tradicionalista Titus Burckhardt   [1], o menor fenômeno participa de distintas continuidades ou dimensões, ou modos? que não podem ser medidos segundo os mesmos critérios. Em cada ponto? do tecido cósmico existe uma trama e uma urdidura que se entrelaçam, como expressa a antiga simbologia do tecido [2]: os fios da urdidura, que no tear tradicional? correm verticalmente, representam o ser dos entes, o ontológico dos entes; enquanto os fios da trama, que correm horizontalmente de um lado a outro, articulando e unindo entre si os fios da urdidura, representam o elemento temporal?, ou seja, correspondem à continuidade? ôntica dos entes constituídos e instituídos enquanto elementos? do meio?, que configuram modos de manifestação ôntica dos entes.

Podemos ver? na urdidura um símbolo dos princípios, que religam entre eles todos os modos de manifestação, cada um de seus fios religando, por conseguinte, pontos correspondentes nestes diferentes modos. A trama, por sua vez?, representa o conjunto de eventos, o temporal, em um modo determinado. Sob um outro ponto de vista, podemos também ver que a manifestação de um ente em um certo modo de ser é, como todo evento?, qualquer que seja, estabelecida pelo encontro? de um fio da urdidura, com um fio da trama.

Cada fio da urdidura é, portanto, um ente observado? em sua natureza? modal, que religa todos os modos, mantendo sua unidade? própria através da multiplicidade? indefinida destes modos. Neste caso, o fio da trama, que o fio da urdidura encontra, em um certo ponto, corresponde a um modo definido de ser; e a interseção dos dois fios, vertical e horizontal, define? as relações deste ente, quanto a sua manifestação neste modo, ou seja, surgimento desde o campo? no qual ele se situa sob esta relação [3]. [de Castro  , Murilo Cardoso. Tese? de Doutorado em Geografia, UFRJ, 1999)

LÉXICO: modo

Observações

[1BURCKHARDT, Titus (1979), Ciencia Moderna y Sabiduria Tradicional. Madrid, Taurus.

[2Mircea Eliade (1952) desenvolve uma excelente análise sobre este tema do tecido, no simbolismo tradicional. (ELIADE, Mircea (1952), Images et symboles. Essais sur le symbolisme magico-religieux. Paris, Gallimard).

[3GUÉNON, René (1970), Le symbolisme de la croix. Paris, 10/18.