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sujeito

domingo 17 de outubro de 2021

Não podemos dizer que somos sujeitos ou que não o somos, porque ninguém ainda explicou o que seria aplicar o termo? como deveria ser entendido na "filosofia? do sujeito?" (p. 13).

Nem os apoiadores nem os oponentes do sujeito sabem o que estão dizendo. O conceito? de sujeito, como usado na discussão, é um conceito inconsistente. De repente, a definição filosófica amplamente aceita da Modernidade? - e até admitida por um certo número de historiadores - segundo a qual seria caracterizada pela descoberta? (ou constituição) da subjetividade? (descoberta ou constituição que teria começado à época de Descartes   e perseveraria até hoje) é vazia de sentido?.

Isso não significa para Descombes   que se precise abandonar o conceito de sujeito, nem mesmo? que dele se possa prescindir. Precisa-se de um conceito de sujeito e este é perfeitamente definível. É o conceito do sujeito como indivíduo capaz de ter? intenções e executá-las através de uma ação - um indivíduo suscetível, consequentemente, de ser tomado e de se ter ele mesmo por autor e o responsável de suas atos?.

Necessita-se do conceito de sujeito? - Sim, como complemento? de agente?, quer dizer, indivíduo capaz de agir desde ele mesmo, quer dizer, de ter intenções e de executar seus pensamentos? (p. 28). [DESCOMBES  , Vincent. [Le Complément de sujet. Enquête sur le fait d’agir de soi-même. Paris, Gallimard, NRF Essais, 2004. Présenté par? Jean-Jacques Rosat]


48. As últimas palavras? do parágrafo precedente já deixam entrever a pergunta? acerca do que seja o sujeito do drama? simbolizante que se desenrola aquém do horizonte? extremo? do trans-objetivo?, o que é ou se projeta como sendo? talvez o mesmo horizonte. E neste momento? me vêm à memória o ter lido, em contexto que não posso recordar qual fosse, palavras de Hegel  , que se resumiriam nesta fórmula: «Deus? é Sujeito.» Nem posso lembrar se, com elas, o filósofo queria apenas dizer que Deus não é objeto? — o que acho bem pouco, na fala? de um pensador de estatura tão fora do comum?. Não posso afatigar-me agora? na busca do verdadeiro? significado? «hegeliano» daquelas palavras, dentro do seu contexto, que não vejo como achar sem que suspenda por longo prazo a sequência deste ensaio que, certamente, não corre no sentido de Hegel  . É possível que mais uma vez? eu? peque por mal?-entendido — só que, agora, ele está muito longe? das minhas intenções. Mas a verdade? é que este «Deus é Sujeito», seja qual for o contexto, serve maravilhosamente ao propósito de prosseguirmos sem vexatórias contradições. Dou por suposto? que as tais palavras andem próximo de sugerir que Deus é sujeito da Realidade? inteira, que Deus, não obstante as palavras que o contradizem expressamente, seja o Ultra-Ser que Álvaro de Campos?, numa de suas Ficções do Interlúdio, ousa? mencionar, mas como que terrificado diante do «Mysterium Tremendum». Isto, porém, só concerne ao terceiro horizonte, o horizonte sem limites? para o lado de lá. Só nos interessa agora o segundo, o da trans-objetividade? em que se desenrola o drama ou os dramas simbolizantes. Por enquanto, a pergunta é pelo sujeito, o autor do libreto do drama em que as «coisas?» emergem no horizonte do trans-objetivo, e aí se nos depara como sujeito simbólico de objetos simbólicos, representando diante de um cenário simbólico uma ação simbólica. E aqui não posso reprimir, nem como cristão, uma certa nostalgia dos deuses? pagãos, pois esses não foram outrora senão autores de múltiplas diacosmeses?, cada uma, drama específico, afeiçoado ao deus que lhe traçava a intriga, o que também permanece ver?ídico se dissermos que um específico drama traçava os contornos de um deus. Claro que, escrevendo estas últimas linhas, [136] temos em mira as muitas formas? de outras tantas relações sujeito-objeto? que se jogam no jogo? do ritual?, do jogo em que somos nós os jogados na mesma trans-objetividade; no jogo em que deixamos de ficar na sujeição de sermos sujeitos do que quer que seja — de «coisas» ou de «símbolos». [EudoroMito:136-137]


LÉXICO: sujeito

HEIDEGGER  : Subjekt / sujeito / sujet / subjetivo / subject / Subjektivität / subjetividade / subjectivité / subjectivity / Subjektität / subjectness / subiectity / Subjekt-Objekt-Beziehung / rapport sujet-objet / relação sujeito-objeto / subject-object-relation / relación-sujeto-objeto / Subjektivierung / subjectivisation / subjetivação / subjetivização / subjectivizing / Gegenstand / Gegen-stand / Objekt / obiectum / objeto / objet / object / Gegenständlichkeit / objectivité / objetividade / objetividad / Gegenstandsbezirke / área objectual / Objektivierung / objectivation / objetivação / Objektiv / Objektivität / objective / objectively / objectivity / Vergegenständlichung / objectivation / objetivação / objectification